Resposta Rápida

o que a literatura diz que justifica diferença de custo e de risco entre abordagens glúteas?

Os estudos mostram que as abordagens diferem no mecanismo do material, no volume (que varia mais de cinco vezes entre os trabalhos publicados), no número de sessões, na durabilidade descrita e no perfil de complicações, que vai de equimose transitória a eventos graves e irreversíveis com materiais permanentes ou de procedência desconhecida. Essas diferenças, e não a marca do serviço, são o que a evidência permite usar para comparar propostas. Não há estudo de custo-efetividade com dados brasileiros, e nenhum estudo prevê o resultado individual.

Principais Achados Científicos
  • Os estudos glúteos com injetáveis são pequenos, em geral sem grupo controle, e usam volumes muito diferentes entre si: de cerca de 40 mL a mais de 300 mL de ácido hialurônico, conforme o objetivo e a técnica.
  • A literatura cirúrgica (prótese e enxerto de gordura) tem mais pacientes, mas responde a perguntas diferentes e carrega riscos de outra natureza.
  • Não encontramos estudo de custo-efetividade comparando essas opções com dados brasileiros.
  • A conclusão é prática: o orçamento faz sentido quando discrimina produto, quantidade, sessões, plano de manutenção e conduta diante de intercorrências; e a procedência do material é parte do custo, não um adicional opcional.

Resumo

Esta revisão não trata de faixas de preço. Ela pergunta o que a literatura clínica permite afirmar sobre as diferenças de custo e de risco entre as abordagens chamadas de harmonização glútea: um orçamento só é interpretável quando se sabe o que ele compra e que risco ele carrega. O custo de um tratamento injetável na região glútea depende do mecanismo do produto (preenchimento imediato com ácido hialurônico ou estímulo de colágeno com ácido poli-L-láctico e hidroxiapatita de cálcio), do volume necessário, do número de sessões, da duração descrita na literatura, da necessidade de manutenção e do custo, sanitário e financeiro, de uma complicação. Foram examinados ensaios abertos, séries retrospectivas, revisões sistemáticas e consensos localizados no PubMed até 10 de outubro de 2026. Os estudos glúteos com injetáveis são pequenos, em geral sem grupo controle, e usam volumes muito diferentes entre si: de cerca de 40 mL a mais de 300 mL de ácido hialurônico, conforme o objetivo e a técnica. A literatura cirúrgica (prótese e enxerto de gordura) tem mais pacientes, mas responde a perguntas diferentes e carrega riscos de outra natureza. Não encontramos estudo de custo-efetividade comparando essas opções com dados brasileiros. A conclusão é prática: o orçamento faz sentido quando discrimina produto, quantidade, sessões, plano de manutenção e conduta diante de intercorrências; e a procedência do material é parte do custo, não um adicional opcional.

Palavras-chave: harmonização glútea; ácido hialurônico; ácido poli-L-láctico; hidroxiapatita de cálcio; durabilidade; complicações; custo; rastreabilidade.

1. O que a pergunta sobre preço realmente pergunta

Este artigo é a peça de evidência de um conjunto maior. A pergunta aqui não é "quanto custa", e sim: o que os estudos publicados sustentam sobre por que uma abordagem glútea exige mais produto, mais sessões ou mais estrutura de segurança do que outra, e o que acontece com o risco quando esses itens são reduzidos. Equivalência entre uma proposta mais barata e outra mais cara é uma pergunta técnica, e é ela que examinamos.

Quem procura faixas de valor e orientação prática sobre orçamento encontra esse conteúdo em dois textos do blog, escritos com esse fim: quanto custa a harmonização glútea e o que influencia o valor e preço da harmonização glútea em São Paulo e o que influencia o custo. Eles servem de leitura complementar; aqui não reproduzimos valores.

A primeira dificuldade é de definição. Na literatura, o termo abrange a injeção de ácido hialurônico (AH) para volume, a aplicação de ácido poli-L-láctico (PLLA) em sessões para estímulo de colágeno, a hidroxiapatita de cálcio (CaHA) diluída voltada à qualidade da pele e à celulite, além de técnicas com materiais permanentes que não fazem parte do escopo desta revisão como opção recomendada. [1, 2, 3] Comparar o preço de "uma harmonização" com o de outra, sem saber qual dessas intervenções está em jogo, é comparar coisas diferentes.

A segunda dificuldade é que o custo relevante não é o da primeira sessão, e sim o do resultado ao longo do tempo. Um material que dura menos e exige reaplicação pode custar mais no acumulado do que outro de valor inicial maior. E uma complicação, quando ocorre, pode superar todo o investimento original em consultas, exames, medicamentos e tempo afastado.

Nas seções seguintes, cada variável é tratada pelo que os estudos mediram: quanto produto foi usado, em quantas sessões, por quanto tempo o efeito foi acompanhado, quais eventos adversos apareceram e com que desenho de estudo. Onde a literatura não diz nada, isso é registrado como lacuna.

2. Método e limites desta revisão

Foi feita busca dirigida no PubMed com combinações de termos para região glútea, ácido hialurônico, ácido poli-L-láctico, hidroxiapatita de cálcio, polimetilmetacrilato, enxerto de gordura glúteo, próteses glúteas, complicações, hialuronidase e preenchedores ilegais, com corte em 10 de outubro de 2026. Também foram aproveitadas referências já citadas em artigos vizinhos deste periódico, todas reconferidas no registro PubMed. Para contraindicações e situação regulatória, foram abertos documentos públicos da FDA (página institucional sobre preenchedores, instrução de uso do PLLA e resumo de segurança e eficácia da CaHA) e o texto da Resolução CFM nº 2.461/2026; as instruções de uso registradas na Anvisa não foram consultadas.

Trata-se de revisão narrativa crítica, sem protocolo registrado, sem seleção independente em duplicata e sem metanálise própria. Para a maioria dos estudos, apenas o resumo estava acessível; quando um número é citado, ele foi conferido no resumo, e o texto indica isso. Detalhes metodológicos que não constavam do resumo (randomização, perdas, critérios exatos de avaliação) não foram reconstruídos.

Não foi encontrado nenhum estudo de custo-efetividade ou de custo direto de harmonização glútea com dados do Brasil. Uma revisão se propôs a avaliar segurança, eficácia e custo-efetividade de preenchedores glúteos e encontrou apenas 12 relatos, em sua maioria fortemente enviesados e de baixo nível de evidência; o único sinal favorável de custo-efetividade que apontou, com base nessas mesmas evidências fracas, foi para uma marca específica de PMMA no Brasil quando aplicada por especialistas. [3] Por isso, as discussões de custo deste artigo são conceituais: identificam variáveis que pesam no orçamento a partir de dados clínicos (volume, sessões, duração, eventos adversos), sem converter nada em moeda.

Também não foram encontrados ensaios clínicos glúteos com os produtos vendidos como enzimas lipolíticas ("enzimas para gordura") que permitam estimar duração ou segurança nessa região; quando o tema aparece, ele é tratado como lacuna. A busca de revisão encontrou uma enzima testada na região, mas com outro alvo: a colagenase de Clostridium histolyticum, que rompe septos fibrosos, foi avaliada em dois ensaios de fase 3 randomizados e controlados por placebo e conduzidos com participação do fabricante, para celulite glútea (843 mulheres), com resposta composta de pelo menos um nível em 37,1% e 41,6% das tratadas contra 17,8% e 11,2% no placebo, segundo o resumo. [4]

Esse resultado precisa ser lido no seu próprio desfecho. Celulite é alteração de relevo da superfície (depressões causadas por septos fibrosos que tracionam a pele); volumização é mudança de projeção e contorno do glúteo. A colagenase foi testada para reduzir depressões, não para acrescentar volume, remover gordura ou alterar formato, e os ensaios não mediram nenhum desses desfechos. Por isso ela não serve de evidência para enzimas lipolíticas nem para qualquer protocolo de aumento glúteo, e seus números não entram nas comparações de volume e durabilidade deste artigo. A mesma distinção vale para os estudos de CaHA diluída e de PLLA em celulite citados adiante. [5, 6]

3. Primeira variável: o mecanismo do produto

O fator que mais muda o orçamento é a escolha do material, porque ele determina o que se compra: volume imediato ou estímulo progressivo.

O ácido hialurônico de alta densidade ocupa espaço no momento da aplicação. O efeito é visível no mesmo dia, depende do volume injetado e diminui à medida que o gel é degradado pelo organismo. O gel pode ser degradado com hialuronidase, o que oferece uma via de manejo que os demais materiais não têm; isso não garante reversão completa de uma complicação ou de lesões já estabelecidas. [7, 8, 9]

O ácido poli-L-láctico não preenche de forma duradoura no ato. O volume inicial vem do veículo e se perde em dias; o efeito pretendido decorre da resposta inflamatória controlada e da produção de colágeno ao longo de semanas. Por isso o protocolo é dividido em sessões, e a avaliação do resultado é tardia. [2, 10, 11]

A hidroxiapatita de cálcio, especialmente diluída ou hiperdiluída, é descrita em consensos como estratégia de estímulo de colágeno e melhora de flacidez de pele, inclusive na região glútea, e não como recurso principal de volume corporal. [12, 13] Uma revisão sistemática de usos corporais registrou que as recomendações para diluições ainda não estavam apoiadas por ensaios randomizados. [13]

Materiais permanentes, como o polimetilmetacrilato (PMMA), têm literatura própria, com séries brasileiras grandes e também relatos de complicações graves tardias. Eles são discutidos na seção 9 como contraponto de risco, e não como alternativa equivalente; a Resolução CFM nº 2.461/2026 estabeleceu vedação ao uso médico do PMMA para volumização, com a exceção descrita na seção 13; em 10 de outubro de 2026 a norma seguia vigente, com pedido de suspensão negado em caráter provisório. [14]

Tabela 1. Mecanismo, forma de compra e o que pesa no custo

MaterialO que entregaUnidade que define a quantidadeVariável de custo dominanteReversibilidade
Ácido hialurônico corporalVolume imediatoMililitros de gelVolume total e reaplicaçãoGel degradável com hialuronidase; dano tecidual pode persistir
Ácido poli-L-lácticoEstímulo de colágeno progressivoFrascos por sessãoNúmero de frascos e de sessõesNão
Hidroxiapatita de cálcio diluídaFirmeza e qualidade de peleSeringas por sessãoNúmero de seringas e de sessõesNão
Materiais permanentes (PMMA)Volume persistenteMililitrosVolume e manejo de complicação tardiaNão; remoção cirúrgica é difícil

Fontes: [2, 7, 8, 10, 11, 12, 13, 15, 16]. A tabela descreve lógica de quantidade, não valores.

4. Segunda variável: volume

Nenhuma outra variável mostra tanta dispersão nos estudos quanto o volume. Ela explica, sozinha, boa parte da diferença entre orçamentos.

No estudo multicêntrico com AH estabilizado, 61 participantes receberam em média 340 mL (faixa de 200 a 420 mL). [17] O resumo e o registro do estudo (NCT01331408, patrocinado pelo fabricante) mencionam 400 mL como máximo previsto, mas a faixa relatada ultrapassa esse número e a publicação acessível não explica a diferença; por isso, nenhum desses valores deve ser lido como limite de segurança. Uma revisão sistemática de dez estudos com AH glúteo, somando 168 pacientes, calculou média de 206,71 mL. [7] Já um estudo prospectivo de 2025 com 30 mulheres usou no máximo 60 mL por participante, com média de 43,60 mL. [8] Outra série descreveu técnica de marcação com máximo de 100 mL e média de 40,4 mL por paciente. [18]

Não é o mesmo tratamento em escala diferente. Volumes da ordem de 300 mL buscam aumento global; volumes de 40 a 60 mL buscam contorno localizado, com marcação de áreas específicas. As expectativas de mudança visível, a duração percebida e o risco de deslocamento do gel tendem a ser diferentes, ainda que os estudos não tenham sido desenhados para comparar volumes entre si.

Com PLLA, a lógica de quantidade é em frascos. Na série retrospectiva de 60 pacientes, cada sessão usou de 2 a 12 frascos, e o resumo informa explicitamente que a quantidade foi definida "com base no orçamento da paciente". [10] Os autores concluíram que o aumento visível de volume ocorreu quando se usaram pelo menos 20 frascos no total. [10] No ensaio prospectivo de 30 mulheres, foram usados aproximadamente três frascos por glúteo em cada sessão, em três sessões. [11] Pela aritmética simples a partir do resumo (3 frascos × 2 glúteos × 3 sessões), isso corresponde a cerca de 18 frascos no protocolo; o número é cálculo nosso, não dado relatado pelos autores.

A série de 60 pacientes associa maior quantidade de PLLA a aumento visível de volume, mas não estabelece uma dose mínima universal: a quantidade não foi randomizada, dependia do orçamento e foi avaliada por fotografias. Comparar propostas exige conhecer o objetivo e a quantidade prevista, sem transformar os 20 frascos descritos nesse estudo em regra de eficácia.

Gráfico de pontos horizontais com quatro estudos e volumes médios de ácido hialurônico entre 40,4 e 340 mL.
Figura 1. Volumes de ácido hialurônico relatados nos estudos glúteos citados [7, 8, 17, 18]. Os estudos diferem em objetivo, técnica e produto; a revisão sistemática pode incluir parte dos estudos individuais; a figura mostra dispersão, sem ordem de preferência nem recomendação de volume.

5. Terceira variável: número de sessões e intervalo

Para o AH, os estudos descrevem aplicação em uma ou duas visitas. [8, 17] O custo se concentra no início e se repete quando a pessoa decide manter o resultado.

Para o PLLA, a sessão única é exceção. O ensaio prospectivo usou três sessões com intervalo de um mês, avaliando o resultado seis meses após a última. [11] A série retrospectiva descreve de uma a três sessões, com intervalo de 4 a 6 semanas. [10] O consenso de especialistas sobre PLLA glúteo também organiza o tratamento em sessões e recomenda avaliar a resposta antes de complementar. [2] O custo, portanto, distribui-se ao longo de meses, e o resultado final só pode ser avaliado depois que o colágeno se forma.

Para a CaHA diluída voltada à celulite, o estudo aberto com 24 participantes concluintes usou três sessões, totalizando 12 seringas, com técnica de subcisão por cânula. [5] Esse estudo mediu celulite (número e profundidade de depressões), não volume glúteo. Usar seus números para estimar quantidade de produto para aumento de volume seria transferir resultado entre indicações.

Cada sessão tem custos que não dependem do produto: tempo de consulta, insumos estéreis, cânulas, anestesia local, fotografia padronizada e reavaliação. Protocolos com mais sessões carregam mais desses custos fixos.

6. Quarta variável: quanto dura, segundo o que foi publicado

Durabilidade é o ponto em que a literatura mais precisa ser lida com cuidado, porque "duração" pode significar coisas diferentes: persistência do produto no tecido, percepção de melhora pela paciente ou satisfação. Nenhuma delas é garantia individual. O artigo quanto tempo dura a harmonização glútea examina esse tema em detalhe; aqui, interessa o que a duração significa para o custo.

No estudo de AH com 24 meses de seguimento, a proporção de participantes que avaliavam o glúteo como "melhorado" ou mais caiu de 80% aos 6 meses para 68% aos 12, 42% aos 18 e 40% aos 24 meses. [17] No estudo prospectivo mais recente, a satisfação foi de 90% no dia 30 e de 62% aos 12 meses, queda que os autores associam à degradação do AH. [8] A revisão sistemática de AH glúteo estimou duração média de efetividade de 16,16 meses, a partir de estudos heterogêneos. [7] Uma série retrospectiva com até 4 anos e 7 meses de seguimento relatou ausência de eventos adversos graves em 91 participantes, mas o resumo não oferece uma curva de duração. [19]

Para o PLLA, a série retrospectiva acompanhou pacientes por 2 anos. [10] O ensaio prospectivo encerrou o seguimento seis meses após a última sessão, com 84% de pacientes classificados como "melhorados" ou mais pela avaliação médica e 96% de satisfação. [11] Um ensaio randomizado de corpo dividido para celulite em glúteos e coxas (PLLA contra água bacteriostática no lado oposto) acompanhou 20 mulheres por 330 dias; o resumo relata redução significativa da profundidade das depressões e melhora da flacidez e do aspecto da celulite nos glúteos tratados, sem detalhar a comparação numérica com o lado controle. [6] Esse é um dos poucos desenhos controlados da área, mas mede celulite e flacidez, não volume.

O consenso sobre PLLA glúteo cita longevidade de pelo menos dois anos, extrapolada da experiência facial. [2] Não encontramos estudo glúteo com seguimento além de dois anos e desfecho de volume objetivo para PLLA.

Tabela 2. Durabilidade descrita e alcance de cada estudo

ReferênciaMaterialnSeguimentoAchado de duração (no resumo)Limite principal
De Meyere 2014 [17]AH estabilizado6124 meses80% melhorado aos 6 meses; 40% aos 24 mesesSem controle; avaliação pela participante
Mortada 2023 [7]AH (revisão)168 em 10 estudosVariávelDuração média estimada de 16,16 mesesEstudos pequenos e heterogêneos
Bussade 2025 [8]AH reticulado3012 mesesSatisfação 90% no dia 30; 62% aos 12 mesesAberto; volume baixo (média 43,60 mL)
Durairaj 2020 [10]PLLA602 anosVolume visível com pelo menos 20 frascosRetrospectivo; dose ajustada ao orçamento
Nikolis 2022 [11]PLLA306 meses após 3 sessões84% melhorado; 96% satisfeitasCoorte única, aberta, seguimento curto
Almukhtar 2023 [6]PLLA (celulite)20330 diasMelhora de celulite no lado tratado; contraste com controle não detalhado no resumoDesfecho é celulite, não volume
Linha do tempo de 0 a 24 meses com duas faixas, uma para ácido hialurônico e outra para ácido poli-L-láctico, com blocos de sessão e marcadores de seguimento.
Figura 2. Esquema conceitual de sessões e seguimento publicado para ácido hialurônico e ácido poli-L-láctico na região glútea [8, 10, 17]. Sem escala financeira; o momento de reaplicação é individual e não é previsto pelos estudos.

7. Quinta variável: manutenção

Se o efeito diminui com o tempo, manter o resultado implica novas aplicações. Para quem pensa no custo, a pergunta útil é: quanto será necessário repetir, e quando?

A resposta honesta é que os estudos não informam isso de modo utilizável. Os trabalhos com AH descrevem queda progressiva da percepção de melhora, mas não testaram protocolos de retoque com volume reduzido, e não sabemos se uma reaplicação exige o mesmo volume da primeira. [7, 8, 17] Para o PLLA, não encontramos estudos glúteos de manutenção com sessões de reforço em intervalo definido.

Na prática, a manutenção deve ser tratada no orçamento como hipótese explícita, e não como promessa. Um plano razoável indica quando haverá reavaliação, quais critérios levarão a sugerir complemento e que o retorno é uma decisão conjunta a partir do exame e de fotografias padronizadas, e não do calendário.

Também é preciso considerar o efeito do corpo sobre o resultado. Variações de peso, gestação, treino de força e envelhecimento cutâneo mudam o contorno glúteo de forma independente do produto. Nenhum estudo citado controlou essas variáveis ao longo do seguimento.

8. Sexta variável: planejamento anatômico

Parte do valor de um procedimento glúteo está antes da agulha: avaliação de proporções, do arcabouço ósseo, da distribuição de gordura e da qualidade da pele. A classificação de Mendieta, desenvolvida para cirurgia, descreve tipos de arcabouço, de músculo glúteo e de ptose, e mostra que o "formato" do glúteo envolve estruturas que um injetável não altera. [20] Uma revisão de ultrassonografia descreveu a anatomia da região glútea e o aspecto de diferentes preenchedores nas imagens, o que tem utilidade tanto no planejamento quanto na identificação de material aplicado anteriormente. [21]

Esse ponto tem consequência direta no custo: algumas queixas não são de volume. Uma depressão lateral de quadril, uma ptose ou uma flacidez cutânea podem pedir estratégias diferentes, ou indicar que nenhuma opção injetável vai atender à expectativa. A revisão de Atiyeh e colaboradores observa que o contorno glúteo ideal envolve também remoção de volume em áreas vizinhas, o que preenchedores não fazem. [3] Investir em volume sem esse diagnóstico pode significar gastar em algo que não resolve a queixa.

O histórico também pesa. Uma série retrospectiva de AH glúteo observou eventos adversos com mais frequência em participantes com tratamentos anteriores com outras substâncias na mesma área. [19] Saber o que já foi injetado, e onde, faz parte da segurança e pode exigir exame de imagem antes de nova aplicação.

9. Sétima variável: o custo de uma complicação

As séries com AH e PLLA citadas relatam poucos eventos graves, mas dor e equimose são frequentes, e amostras pequenas não permitem estimar com precisão riscos raros ou tardios. Por isso a capacidade de evitá-las, reconhecê-las e tratá-las faz parte do que se paga.

Nos estudos de AH glúteo, os eventos mais citados são equimose, dor, inflamação local e deslocamento do gel. No estudo de 24 meses, houve um caso de deslocamento do gel para a região sacral e nenhum evento adverso grave relacionado ao tratamento. [17] A revisão sistemática registrou três casos de deslocamento de gel e um de irregularidade de contorno, mas também mencionou complicações graves descritas na literatura, como hemorragia alveolar difusa e óbito. [7] Esses eventos graves não permitem calcular frequência, porque vêm de relatos isolados, mas mostram que injetar grandes volumes em região glútea não é procedimento trivial.

Para o PLLA, o ensaio prospectivo não teve eventos adversos graves; dor durante a aplicação (média de 70,97%) e equimose (28,80%) foram os mais relatados pelas participantes. [11] Nódulos são uma preocupação conhecida do PLLA em geral, e o consenso glúteo dedica recomendações à diluição e à técnica para reduzi-los. [2]

Reações tardias a preenchedores de AH também existem. Um consenso de especialistas descreve reações de início tardio, frequentemente entre 3 e 4 meses após a injeção, com hipóteses que incluem características do produto, infecção e biofilme e alterações imunológicas do hospedeiro. [9] O manejo envolve antibióticos, corticoides ou hialuronidase, conforme o caso, com consultas adicionais.

Com materiais permanentes, o custo de uma complicação pode se estender por anos. Uma série brasileira descreveu 12 mulheres com hipercalcemia ou hipercalciúria após injeção glútea de PMMA (150 a 900 mL), com início de 40 dias a oito anos após a aplicação; disfunção renal ocorreu em 83,3% e persistia em 83,3% ao fim do acompanhamento. [16] Uma revisão sistemática de hipercalcemia associada a injeções cosméticas reuniu 23 pacientes de 20 artigos, sendo silicone e PMMA os materiais mais citados. [22] Em contraste, uma coorte retrospectiva brasileira de 4.725 procedimentos com PMMA glúteo intramuscular (2.801 pacientes, média de 329 mL por paciente), realizada nas unidades de uma única rede de clínicas, relatou 101 eventos adversos em 4.725 procedimentos (2,1% por procedimento), a partir de prontuários. Esse denominador não representa a proporção de pacientes com complicação. [15] O desenho retrospectivo, sem busca ativa de eventos tardios e conduzido pela própria rede que aplicou o produto, tende a subestimar complicações que surgem anos depois. Os dois achados não são contraditórios: um mede frequência em uma rede de clínicas, outro descreve a gravidade do que pode acontecer. Para o paciente, a irreversibilidade é parte do custo. A vedação estabelecida pelo CFM, com a ressalva judicial descrita na seção 13, exige ler essas séries como dados de risco, sem apresentá-las como recomendação de uso atual. [14]

O conselho que decorre disso não é "evite qualquer risco", o que nenhum procedimento permite. É conhecer a conduta antes de contratar: quem atende uma intercorrência, em quanto tempo, com quais recursos, e se há custo adicional para retornos não programados.

10. Oitava variável: procedência e rastreabilidade

A diferença de preço mais perigosa é a que vem de um produto diferente do anunciado. Um material falsificado, sem registro ou de origem desconhecida pode custar menos porque não é o que diz ser.

Caixa lacrada sem identificação ao lado de uma etiqueta adesiva em branco e uma prancheta com folha lisa, sobre superfície marfim.
Ilustração conceitual gerada por IA, sem escala; não representa produto, marca ou documento real.

Um estudo tailandês de dez anos comparou complicações de preenchedores legais e ilegais atendidas em um hospital universitário. Entre 40 pacientes com complicações, 28 (70%) tinham recebido preenchedores ilegais, aplicados com maior frequência por pessoas sem habilitação. Os sintomas duraram mais com os produtos ilegais (mediana de 10 semanas, contra 0,75 semana com os legais). [23] Um estudo desse tipo não mede risco populacional, porque só vê quem procurou o hospital, mas mostra que a procedência muda a gravidade do problema.

No caso glúteo, a literatura brasileira e internacional registra décadas de complicações por silicone industrial e outras substâncias injetadas fora de ambiente médico. Uma revisão de escopo sobre injeções cosméticas ilícitas incluiu 142 publicações de 28 países e descreveu complicações graves, inclusive óbitos. [24] Relatos de granulomas por silicone após aumento glúteo mostram que o problema pode surgir anos depois e exigir tratamento prolongado. [25] A revisão de Atiyeh e colaboradores destacou que a busca de preenchimento glúteo a custo baixo alimentou a atuação de pessoas não habilitadas, e que complicações graves se tornam praticamente inevitáveis nesse cenário. [3]

Rastreabilidade, na prática, significa: produto com registro sanitário para a finalidade, lote e validade conferíveis, etiqueta do produto anexada ao prontuário e nota fiscal de origem. O artigo bioestimuladores: procedência, falsificação e rastreabilidade descreve como verificar esses itens. Um orçamento que omite marca e quantidade não permite essa conferência.

Para AH, a disponibilidade imediata de hialuronidase é um item de segurança. A enzima degrada o AH e é a base do manejo de complicações vasculares e de nódulos com esse material. [26] Os consensos sobre perda visual por preenchedores, focados na face, mostram como o tempo até o tratamento é determinante e como a evidência para algumas condutas ainda é limitada. [27, 28] Na região glútea, o risco vascular tem outra anatomia, mas a lógica é a mesma: quem aplica AH precisa ter a enzima à disposição e um protocolo de conduta. A disponibilidade desses recursos deve ser verificada diretamente; preço, isoladamente, não demonstra qualidade ou preparo para intercorrências.

11. Comparação conceitual com prótese e enxerto de gordura

Muita gente compara o preço de uma harmonização com o de uma cirurgia. A comparação só é útil se considerar o que cada opção entrega e quais riscos traz. O artigo harmonização vs prótese vs BBL trata das indicações; aqui, olhamos para durabilidade e eventos adversos como componentes de custo.

Próteses glúteas. Uma revisão sistemática com metanálise de 32 estudos e 2.682 pacientes encontrou taxas de complicações que variaram com a técnica: implantes texturizados tiveram mais seroma (7,50% contra 2,56%) e deiscência (13,98% contra 6,63%) que os lisos, e o plano subfascial teve as maiores taxas de seroma (22,25%) e deiscência (27,07%). A taxa global de remoção do implante foi de 1,05%. [29] Uma revisão anterior registrou, em 524 procedimentos com implante, deiscência de ferida em 9,16%, palpabilidade excessiva em 5,92% e seroma em 3,82%, com taxa global de complicações de 25%. [1] A prótese oferece volume estável sem reaplicação programada, mas o custo inclui anestesia, ambiente cirúrgico, afastamento e a possibilidade de reoperação.

Enxerto de gordura glúteo (lipoenxertia, conhecido como BBL). A mesma revisão de 2023 registrou, em 1.788 procedimentos, seroma em 6,9%, infecção em 3,0% e parestesia ciática transitória em 1,0%, com taxa global de 13%. [1] Uma metanálise de 2025 com 38 estudos e 22.151 pacientes estimou complicações menores em 3,58% e embolia pulmonar em 0,04%; a injeção exclusivamente subcutânea e a guia por ultrassom se associaram a taxas mais baixas. [30] A embolia gordurosa é o evento que define a discussão de segurança. O levantamento da força-tarefa americana coletou respostas de 692 cirurgiões, que relataram 198.857 casos, 32 óbitos por embolia gordurosa pulmonar e 103 embolias não fatais ao longo da carreira; a injeção em músculo profundo associou-se a maior incidência. [31] Uma análise do México e da Colômbia identificou 13 e 9 óbitos, respectivamente, relacionados à lipoinjeção glútea, com embolia gordurosa nas autópsias colombianas. [32] Uma revisão de escopo de 2026 sobre ultrassom intraoperatório encontrou nove estudos, sem ensaio randomizado ou comparativo de alta qualidade, e considerou o ultrassom um complemento útil, mas ainda com evidência limitada. [33] Uma revisão sistemática sobre litígios em cirurgia estética corporal apontou o enxerto glúteo como o procedimento com maior risco de mortalidade e de ação judicial entre os analisados. [34]

Para o leitor que compara orçamentos, três observações. Primeiro, as populações não são as mesmas: cirurgia busca, em geral, mudança de volume maior do que a descrita com injetáveis. Segundo, as séries cirúrgicas são maiores, mas também têm viés de relato. Terceiro, não existe estudo que compare diretamente injetáveis e cirurgia em pacientes semelhantes com desfecho de custo. Qualquer afirmação de que uma opção "sai mais barata no longo prazo" é, hoje, estimativa sem dado.

Tabela 3. Comparação conceitual de componentes de custo

ComponenteAH corporalPLLAPróteseEnxerto de gordura
AmbienteConsultórioConsultórioCentro cirúrgicoCentro cirúrgico
Sessões1 a 2Em geral 2 a 31 procedimento1 procedimento (às vezes complemento)
Duração descritaPercepção em queda ao longo de 24 meses [17]Seguimento até 2 anos [10]Volume estável; removido em 1,05% [29]Variável com integração do enxerto
Risco ou intercorrência em destaqueDeslocamento; raros eventos sistêmicos [7]Nódulos [2]Deiscência, seroma, reoperação [1, 29]Embolia gordurosa [30, 31]
ReversibilidadeGel degradável; dano tecidual pode persistirNãoRemoção cirúrgicaNão

12. Perguntas para fazer antes de contratar

O quadro abaixo não serve para escolher clínica nem produto. Ele organiza a informação mínima que permite comparar duas propostas de forma justa.

Mesa de consulta vista de cima com duas xícaras, um caderno aberto em branco e um modelo anatômico abstrato de pelve em tom marfim.
Ilustração conceitual gerada por IA; não representa consulta, profissional ou paciente reais.

Quadro. Perguntas antes de contratar

  1. Qual produto será usado, com nome comercial e registro sanitário para essa indicação?
  2. Qual a quantidade prevista (mililitros ou frascos) e por que essa quantidade?
  3. Quantas sessões, com qual intervalo, e quando o resultado poderá ser avaliado?
  4. O que os estudos dizem sobre a duração desse material na região glútea, e qual é o seguimento mais longo publicado?
  5. Haverá reavaliação programada? O que leva a sugerir complemento?
  6. Posso ver a embalagem lacrada, o lote e a validade, e receber a etiqueta no meu prontuário?
  7. Para ácido hialurônico, há hialuronidase disponível no local?
  8. Quem atende uma intercorrência fora do horário, e há custo para retornos não programados?
  9. Minha queixa é de volume, de flacidez, de celulite ou de formato ósseo? Um injetável resolve essa queixa?
  10. Já recebi outra substância nessa região. Isso muda a indicação? Preciso de exame de imagem antes?
  11. Quais são as contraindicações no meu caso?

13. Contraindicações e segurança: o que vem de bula, de consenso e de ensaio

Contraindicação é o item em que mais se confunde nível de evidência. Para não misturar, separamos três fontes. Os ensaios glúteos citados nesta revisão quase não ajudam aqui: seus resumos não detalham critérios de exclusão, e nenhum foi desenhado para testar se um grupo de pacientes tem mais complicações. O que existe de mais firme são as instruções de uso aprovadas por agências reguladoras, seguidas por consensos de especialistas, que são opinião estruturada e não dado comparativo.

Instruções de uso (bula de dispositivo). Não conseguimos abrir as instruções de uso registradas na Anvisa para os produtos citados; usamos os documentos públicos da agência americana (FDA), que valem para as versões aprovadas nos Estados Unidos e para as indicações ali registradas, todas faciais, de mãos ou de colo. Para o PLLA, a instrução de uso contraindica o produto em pessoas com hipersensibilidade aos componentes, com alergias graves manifestadas por anafilaxia ou com múltiplas alergias graves, e com histórico ou tendência a queloide ou cicatriz hipertrófica; quando reconstituído com lidocaína, também em alergia a anestésicos do tipo amida. [35] O mesmo documento informa que segurança e eficácia não foram avaliadas na gestação, na lactação, em menores de 18 anos, em doença do tecido conjuntivo, em distúrbios de coagulação e em uso de imunossupressores, proíbe a injeção intramuscular ou intravascular e alerta para mais equimose e hematoma em quem usa anticoagulantes ou antiagregantes. [35] Para a CaHA, o resumo de segurança e eficácia da FDA lista como contraindicações alergias graves com histórico de anafilaxia, hipersensibilidade aos componentes e distúrbios de coagulação. [36] Em "segurança não avaliada", a bula não está dizendo que há risco demonstrado: está dizendo que não há dado. Isso é diferente de contraindicação formal, e a diferença importa ao decidir.

Posição regulatória sobre o uso glúteo. A página da FDA sobre preenchedores afirma que a agência não aprovou nenhum preenchedor injetável para aumentar o volume dos glúteos, desaconselha o uso para contorno corporal e lembra que silicone injetável não é aprovado para nenhum uso estético. [37] No Brasil, a Resolução CFM nº 2.461/2026, publicada em 2 de junho de 2026, vedou ao médico o uso de PMMA como substância injetável para preenchimento cutâneo ou volumização de partes moles, com finalidade estética ou reparadora, com exceção restrita à lipodistrofia de pessoas vivendo com HIV/aids em unidades de alta complexidade do SUS. [14] A validade da norma foi contestada pela Sociedade Brasileira de Harmonização em ação civil coletiva na Justiça Federal. Em comunicado institucional de 31 de julho de 2026, o CFM informou que a 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal negou o pedido de tutela provisória para suspendê-la, em exame preliminar. Em consulta a fontes abertas em 10 de outubro de 2026, não localizamos notícia de suspensão, revogação ou decisão de mérito posterior; com essa ressalva, a resolução está vigente. Trata-se de decisão provisória, informada por uma das partes, cujo inteiro teor e número de processo não foram publicados no comunicado; o quadro pode mudar com recurso ou com a sentença. A norma regula o ato médico, não outras profissões. A própria Anvisa, em página institucional sobre PMMA (consultada em 10 de outubro de 2026), afirma que o produto não é indicado em procedimentos com fins estéticos e é aprovado para fins corretivos; segundo reportagem da Agência Brasil, a agência manteve o registro do produto após a resolução. [38] Para o leitor, a consequência prática é que o PMMA glúteo das séries descritas na seção 9 não é, segundo a norma, uma opção médica no país, e o registro de um produto não equivale a aprovação para uso glúteo de grande volume.

Consensos de especialistas. O consenso global sobre complicações do AH separa reações precoces (comprometimento vascular, reações inflamatórias, eventos de injeção, posicionamento inadequado) de tardias (nódulos, granulomas, alteração de cor) e descreve fatores ligados ao paciente, ao produto e à técnica; recomenda que quem injeta esteja preparado e equipado para tratar a complicação. [39] O consenso sobre reações tardias ao AH lista doença autoimune ativa, tratamento dentário recente e o estado clínico do momento entre os fatores de risco ligados à paciente. [9] Para a CaHA, uma revisão de 21 estudos (2.779 pacientes, 5.081 tratamentos) encontrou eventos adversos em 3% dos tratamentos, 96% deles nódulos, segundo o resumo, em estudos de indicação facial; [40] um consenso internacional dedicado ao manejo de injeção intra-arterial de CaHA, também centrado na face, insiste no conhecimento anatômico, na história do paciente e em um protocolo de tratamento pronto antes da aplicação. [41] Como a CaHA e o PLLA não são degradados pela hialuronidase, a via de correção que existe para o AH não existe para eles. Para o PLLA, as recomendações de consenso tratam seleção de paciente, preparo e técnica, e o consenso glúteo dedica orientações à diluição para reduzir nódulos. [2, 42] Nenhum desses consensos é específico de grandes volumes glúteos com AH, e a extrapolação da face para o glúteo é decisão clínica, não dado.

Tabela 4. Contraindicações e alertas por tipo de fonte

ItemFonteTipo de evidência
Alergia grave/anafilaxia; hipersensibilidade aos componentesBulas FDA de PLLA e CaHA [35, 36]Regulatória
Queloide ou cicatriz hipertróficaBula FDA de PLLA [35]Regulatória
Distúrbio de coagulaçãoContraindicação na CaHA [36]; "não avaliado" no PLLA [35]Regulatória
Gestação, lactação, menores de 18 anos"Não avaliado" na bula de PLLA [35]Ausência de dado
Doença autoimune ativa, procedimento dentário recenteConsenso de reações tardias ao AH [9]Opinião de especialistas
Nenhum preenchedor aprovado para aumento glúteo (EUA)FDA [37]Regulatória
Vedação ao PMMA para volumização pelo CFM; vigente em 10/10/2026 (suspensão negada em decisão provisória)Resolução CFM 2.461/2026 [14]Norma profissional
Material prévio ou desconhecido na regiãoSérie retrospectiva [19]; revisão de ultrassonografia [21]Observacional e descritiva

A tabela organiza fontes; não substitui a bula do produto registrado no Brasil nem a avaliação individual.

Histórico de injeção de material permanente ou desconhecido na região pede exame de imagem antes de qualquer nova aplicação. [19, 21] Expectativa de mudança maior do que o método pode entregar também é motivo para não indicar, embora isso não conste em nenhuma bula.

Nenhuma dessas condições é avaliada por telefone ou mensagem. A decisão sobre material, quantidade e número de sessões depende de exame presencial, que é um ato clínico com tempo dedicado, exame físico e planejamento. Um resumo das intercorrências mais discutidas, em linguagem para pacientes, está em riscos e complicações da harmonização glútea.

14. O que falta na evidência

Faltam, na região glútea: ensaios randomizados comparando materiais entre si; estudos de manutenção com protocolo de retoque; desfechos objetivos de volume (imagem tridimensional ou ultrassom) com seguimento além de dois anos para PLLA e CaHA; dados de custo direto e indireto com pacientes brasileiros; e qualquer estudo clínico glúteo sobre enzimas lipolíticas (os ensaios com colagenase existem, mas medem celulite [4]). Também faltam estudos comparando injetáveis e cirurgia em populações semelhantes.

Os estudos disponíveis com AH e PLLA são, em sua maioria, abertos e de centro único ou poucos centros, alguns com participação ou financiamento da indústria. Isso não invalida os resultados, mas limita a generalização. O leitor deve tratar porcentagens de satisfação como descrição daquele grupo, e não como previsão para o seu caso.

15. Transparência

Revisão narrativa preparada para os Cadernos de Estética Avançada a partir de registros PubMed consultados até 10 de outubro de 2026, com leitura majoritariamente restrita a resumos, e de documentos regulatórios abertos na mesma data. A autoria não declara conflito de interesse financeiro com fabricantes dos produtos citados. A revisão médica humana foi realizada por Alessandro Borges Alla (CRM-SP 118.136) em 10 de outubro de 2026 e está registrada no registro editorial do Fascículo 12. O revisor médico é sócio da Clínica Talita Almeida Estética Avançada, vínculo que se declara como possível interesse. As faixas de valores da clínica não são reproduzidas aqui e constam apenas em /precos. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação clínica individual presencial.

16. Perguntas Frequentes

O que os estudos mostram que explica a diferença entre duas propostas?

Diferenças de produto, quantidade, número de sessões, durabilidade descrita e estrutura para tratar complicações. Os volumes de ácido hialurônico publicados variam de cerca de 40 mL a 340 mL em média. A fonte de valores é /precos; os posts indicados na seção 1 complementam a discussão de orçamento; o plano individual depende de avaliação presencial.

A opção mais cara dura mais?

Não necessariamente. A duração depende do mecanismo do material e da quantidade aplicada, não do preço. Os estudos glúteos mostram queda progressiva do efeito percebido com ácido hialurônico ao longo de 24 meses e seguimento de até dois anos com PLLA.

Usar menos produto para economizar dá o mesmo resultado em menor escala?

Não há garantia disso. Em uma série retrospectiva com PLLA, o aumento visível de volume foi associado a pelo menos 20 frascos no total. Esse achado não define limiar universal nem prova que doses menores sejam ineficazes.

Por que a procedência do produto afeta o custo?

Uma série de pacientes já atendidos por complicações encontrou sintomas mais prolongados após preenchedores ilegais do que após legais. O estudo não isolou falsificação como causa nem permite quantificar o risco para todos os usuários. O manejo de complicações também tem custo. Conferir lote, validade e registro faz parte do procedimento.

Harmonização é mais barata que cirurgia no longo prazo?

Não há estudo que responda. Injetáveis podem exigir reaplicação; cirurgias envolvem estrutura hospitalar, afastamento e riscos próprios, incluindo embolia gordurosa no enxerto de gordura.

A colagenase para celulite é uma forma de harmonização glútea?

Não no sentido de volume. Os dois ensaios de fase 3 avaliaram depressões de celulite, não projeção nem contorno. Melhorar relevo de pele e aumentar volume são objetivos diferentes, com evidências separadas.

Enzimas para gordura entram na harmonização glútea?

Não encontramos ensaios clínicos na região glútea que permitam estimar eficácia, duração ou segurança dessas substâncias. A colagenase testada em ensaios para celulite glútea é outra substância, com outro objetivo. A decisão sobre qualquer uso deve considerar essa ausência de dados.

Avaliação personalizada na Clínica Talita Almeida

Av. Jandira, 295, Moema, São Paulo. Dra. Talita Almeida (Enfermeira Esteta, COREN-SP 427.906).

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Aviso importante: Este artigo tem finalidade informativa e educacional. Os resultados apresentados são baseados em médias de estudos clínicos e podem variar. Consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer procedimento.
TA
Talita Almeida
Enfermeira Estética, COREN-SP 427.906
Especialista em procedimentos estéticos minimamente invasivos baseados em evidência. Clínica em Moema, São Paulo.