Resposta Rápida

por que a axila escurece e o que realmente funciona para clarear?

O escurecimento axilar pode estar ligado à inflamação repetida da pele (depilação, atrito, irritação por produtos), mas a acantose nigricans, frequentemente associada à resistência insulínica, precisa ser considerada antes de qualquer procedimento. O tratamento depende da causa. Para a forma pós-inflamatória, há estudos pequenos com cremes despigmentantes e anti-inflamatórios, laser Q-switched de baixa fluência e luz intensa pulsada; a tretinoína foi estudada especificamente na acantose nigricans. As opções descritas têm melhora parcial e risco de recidiva. Nenhuma opção dispensa avaliação presencial, redução do atrito e da irritação local, e manutenção.

Principais Achados Científicos
  • A axila mais escura que a pele vizinha é uma queixa frequente e, em muitos casos, benigna.
  • Em um inquérito on-line com 48.000 adultos de 34 países, 17,2% relataram hiperpigmentação axilar, segundo o resumo do estudo; trata-se de prevalência autorrelatada, e três coautoras do inquérito pertencem a uma empresa de dermocosméticos.
  • A literatura específica sobre axila é pequena: uma revisão sistemática de 2025, lida em texto completo, reuniu dez estudos com 342 participantes somados, quase todos mulheres, em geral com seguimento curto e desfechos heterogêneos.
  • Há ensaios randomizados com niacinamida, desonida, tretinoína e comparações entre laser Q-switched e luz intensa pulsada, mas não há padrão de tratamento estabelecido.
  • O risco de piora paradoxal em fototipos altos, a recidiva após suspensão e a necessidade de corrigir a causa definem expectativas mais realistas do que qualquer protocolo isolado.

Resumo

A axila mais escura que a pele vizinha é uma queixa frequente e, em muitos casos, benigna. Em um inquérito on-line com 48.000 adultos de 34 países, 17,2% relataram hiperpigmentação axilar, segundo o resumo do estudo [1]; trata-se de prevalência autorrelatada, e três coautoras do inquérito pertencem a uma empresa de dermocosméticos. O escurecimento, porém, não é um diagnóstico: é um sinal que pode resultar de inflamação repetida (depilação, atrito, produtos de higiene), de acantose nigricans associada à resistência insulínica, de infecção superficial como o eritrasma, de genodermatoses raras, de medicamentos ou de dermatite de contato. Esta revisão narrativa organiza primeiro o diagnóstico diferencial e os sinais que justificam investigação metabólica, e só depois examina os tratamentos. A literatura específica sobre axila é pequena: uma revisão sistemática de 2025, lida em texto completo, reuniu dez estudos com 342 participantes somados, quase todos mulheres, em geral com seguimento curto e desfechos heterogêneos [2]. Há ensaios randomizados com niacinamida, desonida, tretinoína e comparações entre laser Q-switched e luz intensa pulsada, mas não há padrão de tratamento estabelecido. O risco de piora paradoxal em fototipos altos, a recidiva após suspensão e a necessidade de corrigir a causa definem expectativas mais realistas do que qualquer protocolo isolado.

Palavras-chave: hiperpigmentação axilar; acantose nigricans; hiperpigmentação pós-inflamatória; eritrasma; despigmentantes; laser Q-switched.

1. Por que começar pelo diagnóstico

A pergunta que costuma chegar ao consultório é "como clarear a axila". A pergunta clínica anterior é outra: por que essa axila escureceu? A diferença importa porque as causas têm prognósticos e condutas distintas. A hiperpigmentação pós-inflamatória responde a medidas que reduzem a inflamação e ao tempo. A acantose nigricans pode ser o primeiro sinal visível de resistência insulínica e, em situações raras, de doença sistêmica grave. O eritrasma é uma infecção bacteriana que melhora com antimicrobiano e não com despigmentante. A doença de Dowling-Degos é genética e tem curso progressivo. Tratar todas como "mancha" leva, no melhor caso, a gasto inútil e, no pior, a atraso diagnóstico.

A axila também é uma região biologicamente particular. É uma dobra, com oclusão, umidade, temperatura mais alta, densidade elevada de glândulas sudoríparas e microbiota própria, e é submetida a remoção de pelos e a produtos aplicados diariamente. Uma revisão sobre a biologia da pele axilar descreve que barbear e arrancar pelos produzem eritema e ressecamento de curto prazo e, em alguns casos, hiperpigmentação pós-inflamatória de longo prazo [3]. Os autores desse trabalho são de um fabricante de produtos de higiene, o que não invalida a descrição anatômica, mas recomenda leitura cuidadosa das conclusões sobre produtos.

2. Método e limites desta revisão

Foi feita busca dirigida no PubMed em 10 de outubro de 2026, com termos para hiperpigmentação axilar, acantose nigricans, eritrasma, doença de Dowling-Degos, hiperpigmentação induzida por fármacos, dermatite de contato por desodorante, ocronose exógena e tecnologias de luz e laser aplicadas à axila. Foram priorizadas revisões sistemáticas recentes, ensaios randomizados específicos da axila e revisões clínicas sobre os diagnósticos diferenciais. Todas as referências tiveram autores, título, periódico e identificadores conferidos no registro do PubMed.

Na passada final de edição, a busca foi repetida para 2023 a 2026 com termos amplos (axila ou "underarm" combinados a hiperpigmentação, escurecimento, clareamento, pigmento ou melanina; 118 registros triados por título), complementada por consulta ao registro ClinicalTrials.gov e por busca na web por ensaios com ácido tranexâmico, laser de picossegundos e microagulhamento na axila. Também foram procurados documentos de diretriz sobre rastreio metabólico diante de acantose nigricans e sobre uso de corticosteroide tópico em dobras.

Os limites precisam ficar explícitos. Foram lidos em texto completo a revisão sistemática de hiperpigmentação axilar [2], a seção de diagnóstico dos padrões de cuidado da American Diabetes Association de 2026 [4], uma revisão sobre escolha e aplicação de corticosteroides tópicos [5] e a dissertação sobre laser de picossegundos discutida na seção 10. Para os demais estudos, foi lido apenas o resumo disponível no PubMed, e os números vêm desses resumos. O texto completo do ensaio com óleo de Cyperus rotundus não estava acessível; os resultados descritos aqui vêm da revisão sistemática que o extraiu, a qual apresenta versões divergentes do mesmo resultado (seção 9). Não houve protocolo registrado, seleção em duplicata, avaliação formal de risco de viés nem metanálise própria. Esta revisão não substitui avaliação médica nem dermatológica individual.

3. Hiperpigmentação pós-inflamatória: uma causa frequente

A hiperpigmentação pós-inflamatória (HPI) é o escurecimento que sucede uma agressão inflamatória da pele. É mais frequente e mais intensa em pessoas de pele mais escura, e figura entre os motivos mais comuns de consulta dermatológica nesses grupos [6]. A revisão de Davis e Callender descreve que o tratamento deve começar pelo controle da condição inflamatória inicial, com despigmentantes tópicos e fotoproteção como primeira linha, e alerta que qualquer tratamento irritante pode piorar a própria HPI [6]. Essa advertência é central para a axila: uma pele que escureceu por irritação tende a escurecer de novo se for irritada pelo tratamento.

Ilustração conceitual de camadas de pele estilizadas com pequenos grânulos de pigmento acumulados perto de uma membrana ondulada.
Ilustração conceitual gerada por IA, sem escala; representa de forma abstrata camadas da pele e grânulos de pigmento, não é corte histológico nem exame de paciente.

Na axila, as agressões mais citadas são a depilação (lâmina, pinça, cera), o atrito de roupas e da própria dobra, e reações a desodorantes e antitranspirantes. Um estudo com mulheres tailandesas comparou barbear, arrancar e depilar com cera após duas semanas sem remoção de pelos. Todas as técnicas aumentaram eritema e ressecamento; o barbear causou menos eritema e mais ressecamento que as demais; e uma única sessão de remoção não produziu hiperpigmentação detectável em 48 horas, segundo o resumo [7]. Esse resultado não contradiz a hipótese de HPI cumulativa: mostra apenas que um episódio isolado não basta para escurecer a pele em dois dias. O estudo também foi conduzido por um fabricante de produtos de higiene.

O estudo histológico de Castanedo-Cazares e colaboradores acrescenta um dado relevante. Em mulheres com axila hiperpigmentada, os autores observaram ruptura acentuada da membrana basal e infiltrado inflamatório, que melhoraram após o tratamento [8]. Isso dá suporte biológico à ideia de que, ao menos em parte dos casos, a axila escurecida é uma dermatose inflamatória crônica de baixo grau, e não apenas excesso de melanina na superfície.

Para o leitor que já fez laser, peeling ou microagulhamento em outra região e teve escurecimento depois, o mecanismo é o mesmo discutido em Hiperpigmentação pós-inflamatória após procedimentos estéticos. Aqui o foco é outro: a inflamação crônica do cotidiano, que precede qualquer procedimento.

4. Acantose nigricans: quando a mancha é um sinal metabólico

A acantose nigricans (AN) se apresenta como placas simétricas, hiperpigmentadas e de textura aveludada, com bordas mal definidas, típicas de dobras como axila e nuca [9]. A diferença clínica em relação à HPI simples costuma estar na textura: a AN espessa a pele, que fica com aspecto aveludado ou papilomatoso, enquanto a HPI tende a ser plana. A obesidade é a causa mais comum, e a AN funciona como marcador cutâneo de resistência insulínica [9, 10].

Uma revisão sistemática publicada em 2026 avaliou a associação entre AN e síndrome metabólica. Entre os critérios da síndrome, a resistência insulínica foi a que apresentou maior prevalência média de AN (72,6%); nos estudos não baseados em relato de caso em que todos os participantes tinham AN, 67,4% preenchiam todos os critérios de síndrome metabólica, segundo o resumo [11]. Os próprios autores indicam que a proporção média não foi ponderada e que muitos estudos avaliavam populações amplas; os números não são uma estimativa populacional de risco, mas reforçam que a AN não deve ser tratada apenas como questão estética.

Um grupo de especialistas indiano, ligado à sociedade de síndrome dos ovários policísticos, descreveu a AN como ferramenta simples e barata de rastreio de resistência insulínica, pré-diabetes, diabetes, síndrome dos ovários policísticos e, raramente, malignidade [12]. Em crianças e adolescentes com obesidade, a AN também é apontada como marcador útil para identificar quem tem resistência insulínica [10].

As causas menos frequentes completam o quadro. A revisão de Leung e colaboradores lista endocrinopatias, síndromes, medicamentos e, raramente, neoplasia interna [9]. A forma associada a câncer costuma ser descrita como de início súbito, extensa e às vezes acompanhada de lesões em mucosas ou palmas; essa apresentação exige investigação médica imediata e não tem relação com tratamento estético.

Quando investigar

Nesta busca dirigida, não foi identificada diretriz de sociedade dermatológica que sistematize a investigação diante de acantose nigricans. A recomendação mais direta vem da endocrinologia. Os padrões de cuidado da American Diabetes Association de 2026, lidos em texto completo, citam a AN entre as condições clínicas associadas à resistência insulínica que, somadas a sobrepeso ou obesidade, justificam considerar testes para pré-diabetes e diabetes tipo 2 em adultos assintomáticos [4]. Em crianças e adolescentes, o mesmo documento recomenda considerar o rastreio após o início da puberdade ou a partir dos 10 anos (o que ocorrer primeiro) quando há sobrepeso (IMC no percentil 85 ou acima) ou obesidade e ao menos um fator de risco adicional; a AN aparece nessa lista como sinal de resistência insulínica, ao lado de hipertensão, dislipidemia, síndrome dos ovários policísticos e peso de nascimento alto ou baixo para a idade gestacional [4]. Glicemia de jejum, glicemia de duas horas no teste oral de tolerância à glicose e hemoglobina glicada são consideradas igualmente apropriadas para esse rastreio, e, com resultados normais, o teste deve ser repetido pelo menos a cada três anos [4].

O grupo de especialistas indiano, ligado à sociedade de síndrome dos ovários policísticos, vai além e propõe a própria AN como gatilho de rastreio para resistência insulínica, pré-diabetes, diabetes, síndrome dos ovários policísticos e, raramente, malignidade [12]. É uma recomendação de consenso regional, sem a gradação de evidência do documento norte-americano. A partir dessas duas fontes e das revisões citadas [9, 10, 11], os sinais que costumam motivar investigação médica são:

  • espessamento aveludado da pele da axila, da nuca ou de outras dobras;
  • sobrepeso, obesidade ou ganho de peso recente;
  • diabetes em parente de primeiro grau ou, em adolescentes, diabetes materno na gestação [4];
  • irregularidade menstrual, acne ou excesso de pelos sugerindo síndrome dos ovários policísticos;
  • início rápido, lesões extensas, perda de peso sem explicação ou lesões em mucosas e palmas, que pedem investigação de doença sistêmica sem demora [9].

Quais exames pedir, em que ordem e com que frequência é decisão do médico assistente; este texto descreve o que as fontes dizem e não define protocolo. Na AN, o clareamento estético não substitui a avaliação metabólica, e a correção da causa (perda de peso, tratamento da endocrinopatia, revisão de medicamento) é descrita como a base do tratamento [9].

Tabela 1. Diagnóstico diferencial da axila escurecida

CondiçãoPistas clínicasComo se confirmaConduta principal
Hiperpigmentação pós-inflamatóriaMancha plana, história de depilação, atrito ou irritaçãoClínica; às vezes biópsiaRetirar o agente irritante, anti-inflamatório e despigmentante [6, 8]
Acantose nigricansPlaca aveludada e espessa, simétrica, também na nuca; obesidadeClínica; investigação metabólicaTratar a causa; tópicos queratolíticos e retinoides [9, 13]
EritrasmaMancha acastanhada com descamação fina, às vezes na virilha; confunde com micoseLâmpada de Wood (fluorescência vermelho-coral)Antimicrobiano tópico ou oral [14, 15]
Doença de Dowling-DegosPigmentação reticulada que surge após a puberdade e progride; história familiarBiópsia; teste genéticoSem tratamento causal; laser com cautela [16]
Dermatite de contatoCoceira, vermelhidão e piora ligada a desodorante ou perfumeTeste de contatoSuspender o alérgeno [17, 18]
Hiperpigmentação por fármacosUso de minociclina, hidroxicloroquina, quimioterápicos, entre outrosRelação temporal; às vezes biópsiaRevisão do medicamento pelo médico prescritor [19, 20]
Líquen plano pigmentoso inversoPlacas acinzentadas bem delimitadas em várias dobras; pode imitar ANBiópsia; dermatoscopiaAnti-inflamatório tópico sob prescrição [21, 22]

5. Eritrasma: a mancha que é infecção

O eritrasma é uma infecção bacteriana superficial causada por Corynebacterium minutissimum, que afeta predominantemente as dobras [14]. Uma revisão sistemática de 2025 chama atenção para um detalhe que importa em pele brasileira: em pessoas de pele mais escura, o eritema pode não aparecer como vermelhidão clássica, mas como escurecimento sutil ou cor violácea [14]. Ou seja, o eritrasma pode se apresentar justamente como "axila escura".

O diagnóstico é apoiado pela fluorescência vermelho-coral sob a lâmpada de Wood, em todos os tipos de pele [14]. Uma série de cinco casos descreveu adultos com lesões axilares ou inguinais secas, acastanhadas e com descamação fina, tratados inicialmente como micose sem sucesso; o exame com lâmpada de Wood mostrou fluorescência rosada e as lesões melhoraram com clindamicina tópica, isolada ou associada a azitromicina oral [15]. A revisão sistemática encontrou que clotrimazol e ácido fusídico tópicos são eficazes, mas registra a falta de ensaios grandes com desfechos padronizados [14]. Antes de qualquer clareador, portanto, uma axila acastanhada com descamação fina merece exame com lâmpada de Wood.

6. Doença de Dowling-Degos e outras causas raras

A doença de Dowling-Degos é uma genodermatose rara, de herança autossômica dominante, cuja marca é a hiperpigmentação reticulada (em rede) que surge depois da puberdade e piora progressivamente [16]. Pode haver coceira, ardor e alterações inflamatórias. Cinco genes causais já foram identificados, e variantes em KRT5 afetam principalmente as dobras [16]. Variantes em PSENEN aumentam a suscetibilidade a hidradenite supurativa, outra doença que acomete a axila [16]. Não há tratamento causal. Lasers ablativos mostraram redução de pigmento em relatos, mas a mesma revisão registra o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória [16]. Um padrão em rede, história familiar ou progressão constante desde a adolescência devem levar a avaliação dermatológica com biópsia antes de qualquer procedimento.

O líquen plano pigmentoso inverso merece menção à parte, porque imita justamente as duas causas mais comuns. Uma revisão sistemática com relato de caso descreve placas acinzentadas ou acastanhadas bem delimitadas, às vezes pouco pruriginosas, nas dobras (axilas, região inframamária, inguinal), com menos de 100 casos publicados; corticosteroides tópicos e tacrolimo foram os tratamentos mais usados, segundo o resumo [21]. Um relato de 2024 descreveu manchas axilares simétricas que pareciam acantose nigricans; a biópsia não mostrou a hiperqueratose e a papilomatose da AN, e a dermatoscopia sugeriu incontinência pigmentar dérmica, compatível com o líquen [22]. O caso mostra por que a inspeção sozinha nem sempre basta: pigmento na derme responde mal a despigmentantes que agem na epiderme.

A lista de raridades inclui ainda a incontinência pigmentar, cuja fase tardia pode cursar com hiperpigmentação axilar [23], e relatos isolados de hiperpigmentação axilar progressiva que motivaram investigação diagnóstica [24]. A presença dessas entidades não muda a conduta da maioria, mas justifica que uma pigmentação atípica seja examinada por profissional habilitado a fazer diagnóstico.

7. Dermatite de contato e hiperpigmentação por fármacos

Desodorantes e antitranspirantes são aplicados diariamente sobre pele ocluída e, às vezes, recém-depilada. Uma revisão sobre dermatite alérgica de contato por produtos masculinos incluiu desodorante entre os produtos implicados e identificou mais de 90 alérgenos; entre os cinco mais frequentes estavam uma fragrância (musk ambrette) e um conservante (metilisotiazolinona), ao lado de parafenilenodiamina, minoxidil e cocamidopropil betaína, segundo o resumo [17]. Um relato de caso documentou dermatite de contato por linalol oxidado, componente de fragrância, presente em desodorante, confirmado por teste de contato [18]. Na prática, coceira, ardor ou vermelhidão que acompanham a mancha sugerem que o problema começa no produto; o teste de contato é o exame que identifica o alérgeno. Trocar de produto sem esse dado pode resolver o caso ou apenas substituir um alérgeno por outro.

A hiperpigmentação induzida por fármacos é outro diferencial pouco lembrado. Uma revisão sistemática com metanálise de 2026 reuniu 22 estudos e estimou incidência agregada de 36,7% nas populações expostas estudadas, com maior frequência para inibidores de tirosina quinase, agonistas de MC4R, antibióticos, antineoplásicos e antimaláricos; minociclina, hidroxicloroquina e hidroxiureia aparecem entre os agentes mais citados, segundo o resumo [19]. Essa incidência se refere a pacientes expostos a esses medicamentos nos estudos incluídos, não à população geral. Uma série de casos espanhola encontrou incidência de 1,31% entre primeiras consultas dermatológicas e recomenda diferenciar a forma medicamentosa de causas endócrinas, metabólicas e idiopáticas [20]. Nenhum medicamento deve ser suspenso por conta própria; a revisão cabe ao médico que o prescreveu.

Fluxograma com quatro perguntas em sequência que separam acantose nigricans, eritrasma, dermatite de contato e causas genéticas ou medicamentosas da hiperpigmentação pós-inflamatória.
Figura 1. Fluxo de raciocínio diagnóstico antes do tratamento da axila escurecida. Esquema elaborado para esta revisão a partir das referências [6, 9, 14, 16, 17, 19]; não é algoritmo validado.

8. Melasma e hiperpigmentação axilar "idiopática"

O melasma é uma hiperpigmentação crônica ligada a radiação, hormônios e predisposição, que acomete sobretudo a face. Há relatos de melasma extrafacial, em geral em áreas expostas ao sol, como antebraços; a axila, pouco exposta, não é sede típica, e a revisão sistemática sobre hiperpigmentação axilar [2] não trata melasma axilar como entidade estabelecida. Uma parcela dos casos de axila escura não tem causa identificada após exame e investigação, e é descrita na literatura simplesmente como hiperpigmentação axilar, tratada em geral como variante de HPI [8]. Para quem chega a este texto a partir de uma busca sobre melasma, a revisão específica está em Melasma: tratamentos com evidência científica. O que se transporta do melasma para a axila é a lógica de cronicidade e recidiva, não a eficácia de protocolos faciais.

9. Tratamentos tópicos: o que foi testado na axila

A revisão sistemática de Vahabi e colaboradores, publicada em 2025 e lida em texto completo, buscou estudos em quatro bases até junho de 2025 e incluiu dez trabalhos [2]. Seis avaliaram tópicos (niacinamida e desonida, n=24; óleo de Cyperus rotundus e hidroquinona, n=153; dois séruns comparados entre si, n=33; extrato vegetal em sérum, n=30; creme de casca de laranja-doce, n=32; ácido glicólico em creme e peeling, relato de dois casos). Três avaliaram luz e laser, todos com Q-switched Nd:YAG 1064 nm (n=17, n=9 e n=22, este comparado com luz intensa pulsada). Um comparou alfa-hidroxiácido 40% com luz intensa pulsada 530 nm em 20 mulheres. Não foram incluídos estudos de picossegundos, microagulhamento ou ácido tranexâmico. O estudo comparativo de alfa-hidroxiácido e luz intensa pulsada incluiu um braço de peeling, mas a revisão não descreve ensaio de peeling contra placebo. Só dois dos dez são ensaios randomizados com placebo; a amostra é quase toda feminina, de fototipos III a V e de países asiáticos e latino-americanos.

Dois detalhes do método mudam a leitura. A revisão excluiu de propósito a acantose nigricans e outras condições que sinalizam doença, de modo que os ensaios de tretinoína na AN discutidos adiante não estão nela. E a heterogeneidade impediu metanálise: os autores concluem que tópicos, luz e laser são "úteis", mas a frase repousa em estudos pequenos, de seguimento curto e com instrumentos de medida diferentes [2]. Os dados não permitem ordenar as opções com segurança.

Niacinamida e desonida

No ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de Castanedo-Cazares e colaboradores, 24 mulheres de 19 a 27 anos, fototipos III a V, usaram niacinamida 4%, desonida 0,05% ou placebo na axila por nove semanas [8]. Ambos os ativos produziram melhora colorimétrica em relação ao placebo, com efeito despigmentante maior para a desonida. Resposta boa a excelente ocorreu em 24% com niacinamida, 30% com desonida e 6% com placebo, segundo o resumo [8]. Segundo a tabela da revisão sistemática, nenhum evento adverso foi registrado no período [2]. Dois cuidados de leitura, porém. A amostra é pequena e o seguimento termina com o tratamento. E a desonida é um corticosteroide tópico de baixa potência: revisões sobre o tema descrevem atrofia, estrias, telangiectasias, púrpura, acne, alterações de pigmento e piora de infecções cutâneas como efeitos do uso prolongado, dependentes da potência, do veículo e do local de aplicação [25]. Uma revisão de prática clínica, lida em texto completo, aponta a pele fina e as áreas intertriginosas como mais suscetíveis a esses efeitos, desaconselha corticosteroides de potência muito alta em dobras e sob oclusão, sugere ciclos de uma a duas semanas em dobras e desaconselha pomadas (veículo oclusivo) na axila [5]. A axila reúne oclusão natural, umidade e pele fina. O resultado do ensaio reforça o papel da inflamação, mas não autoriza uso contínuo sem prescrição e acompanhamento.

Hidroquinona e o óleo de Cyperus rotundus

Um ensaio randomizado, duplo-cego, com 153 mulheres de fototipos III a V comparou óleo essencial de Cyperus rotundus, hidroquinona 4% e placebo (cold cream) na axila por 12 semanas [26]. O resumo publicado contém duas frases incompatíveis: uma diz que o óleo teve efeito despigmentante significativamente melhor que a hidroquinona (P<0,001), a seguinte diz que os dois não diferiram (P>0,05). A revisão sistemática de 2025 [2] não elimina a dúvida, porque também é inconsistente entre suas partes. Na seção de resultados, descreve queda do índice colorimétrico de 12,8 para 7,4 com o óleo e de 10,9 para 7,8 com a hidroquinona (P<0,001 de cada um, apresentado como comparação com o placebo), sem mudança com placebo (de 12,6 para 12,8; P=0,9), e nenhuma diferença significativa de despigmentação entre óleo e hidroquinona (P>0,05). Na tabela, a mesma eficácia aparece com P<0,05; na discussão, a revisão repete a frase dos autores de que o óleo teria despigmentado mais que a hidroquinona. Segundo a revisão, o óleo foi superior no efeito anti-inflamatório e na redução de pelos (P<0,05), e 82% do grupo da hidroquinona relatou eritema e irritação e 48% coceira, contra nenhum caso de eritema ou coceira no grupo do óleo, em que uma participante (2%) se queixou do cheiro [2].

O texto completo original não pôde ser acessado para esta revisão (acesso pago no periódico, sem cópia em PubMed Central ou Europe PMC), e a contradição sobre a comparação entre os dois ativos continua sem solução verificável. O que se pode afirmar é limitado: num único ensaio, cujo registro lista um único autor, os dois ativos parecem ter clareado mais que o placebo e a irritação relatada foi menor com o óleo. Não detectar diferença não comprova equivalência, e um resultado não replicado, com relato interno inconsistente, não basta para apresentar o óleo de Cyperus rotundus como opção clínica para a axila. Não foi verificado registro de produto com essa composição no Brasil.

A hidroquinona é o despigmentante clássico, mas tem um risco que pesa mais em fototipos altos e em uso prolongado: a ocronose exógena. Uma revisão sistemática de 126 casos encontrou relatos mais frequentes em mulheres de meia-idade, fototipos V e VI e concentrações acima de 4%, com mediana de uso de cinco anos; os autores concluem que concentrações acima de 4% e cursos acima de três meses podem se associar a ocronose [27]. A ocronose é de difícil tratamento. Todos os casos reunidos na revisão tinham lesões faciais, e não há dados equivalentes para a axila, mas o princípio de usar por tempo limitado e sob prescrição se aplica.

Tretinoína na acantose nigricans axilar

Para a AN, há evidência randomizada mais consistente. Em um ensaio duplo-cego intraindividual, 20 participantes aplicaram tretinoína 0,025% em uma axila e creme-base na outra por oito semanas, seguidas de quatro semanas sem tratamento [28]. Na oitava semana, a redução média do índice de melanina foi de 28,05% com tretinoína e 6,55% com o controle; a pigmentação reapareceu parcialmente após a suspensão; os efeitos adversos foram leves (eritema, descamação e coceira), segundo o resumo [28]. A recidiva parcial em apenas quatro semanas é a informação mais útil para o leitor: sem tratar a causa e sem manutenção, o ganho se perde.

Outro ensaio randomizado, simples-cego, comparou tretinoína 0,05% em noites alternadas com peeling de ácido glicólico 70% a cada duas semanas em lesões de AN no pescoço e na axila. Com 30 pacientes (16 com lesões axilares), a tretinoína foi significativamente mais eficaz nas lesões axilares em resposta e satisfação; nenhum dos métodos foi significativamente eficaz no pescoço, e lesões mais graves responderam menos ao glicólico, segundo o resumo [29].

Uma revisão sistemática de 2025 sobre tratamentos tópicos de AN, com sete ensaios randomizados e 268 participantes, concluiu que ureia e tretinoína são eficazes, com a tretinoína mais útil quando predomina o escurecimento e a ureia quando predomina o eritema ou há baixa tolerância à irritação; o peeling de TCA 15% superou o glicólico 35%, e os efeitos adversos foram leves e transitórios, segundo o resumo [13]. Um estudo piloto retrospectivo com 17 pacientes de fototipos IV e V usou peeling combinado de ácidos salicílico e mandélico seguido de manutenção com creme de glicólico e ureia por nove meses e relatou melhora em todos, sem recidiva em mais nove meses de seguimento [30]. Por ser retrospectivo e sem grupo controle, esse dado é apenas sinal preliminar.

Ácido kójico, ácido tranexâmico e outros despigmentantes

A revisão de Davis e Callender inclui hidroquinona, ácido azelaico, ácido kójico, arbutina, extratos de alcaçuz, retinoides, ácido ascórbico e niacinamida entre os agentes tópicos usados na HPI em geral [6]. Na busca feita para esta revisão, incluindo a atualização de 2023 a 2026 e o registro de ensaios clínicos, não foram encontrados estudos com ácido kójico ou ácido tranexâmico com desfecho de pigmentação especificamente axilar. O uso desses ativos na axila é extrapolação de outras regiões e de outras condições, e deve ser apresentado assim ao paciente. A axila, por ser ocluída e úmida, tende a tolerar menos ativos irritantes do que a face, o que torna a escolha de concentração e veículo parte do tratamento.

10. Peelings, lasers e luz intensa pulsada

Peelings químicos

Os peelings aparecem principalmente nos estudos de AN, com resultados mistos: o glicólico 70% foi inferior à tretinoína tópica na axila [29], e o TCA 15% superou o glicólico 35% na síntese de ensaios [13]. Na HPI axilar sem acantose, a evidência é ainda menor. A revisão sistemática de hiperpigmentação axilar registra um estudo comparativo em que a luz intensa pulsada foi superior a um alfa-hidroxiácido em clareamento e textura [2]. Detalhes de profundidade, ativos e preparo de pele para peelings em geral estão em Peeling químico por profundidade e ativos; aqui basta registrar que, em dobra e em fototipo alto, peelings médios e profundos acrescentam risco de HPI sem evidência específica que o compense.

Laser Q-switched Nd:YAG 1064 nm de baixa fluência

É a tecnologia mais estudada na axila. Um estudo observacional com 17 mulheres de fototipos IV e V tratadas a cada duas semanas (de 3 a 12 sessões) relatou melhora boa a excelente após no mínimo três sessões, mantida por pelo menos seis meses após a última sessão, segundo o resumo [31]; mais sessões não melhoraram necessariamente o resultado, e uma participante teve hipopigmentação, segundo a revisão sistemática [2]. Um estudo prospectivo com nove mulheres filipinas de fototipos IV e V (18 axilas) relatou redução de pigmento em 85% a 100% da área da lesão, manutenção em três meses e ausência de eventos adversos registrados [32]. Ambos são pequenos e sem grupo controle.

O ensaio comparativo mais informativo é o de Amornpetkul e colaboradores: 22 participantes, tratamento randomizado por lado, cinco sessões a cada duas semanas com laser Q-switched Nd:YAG 1064 nm em uma axila e luz intensa pulsada na outra [33]. Não houve diferença significativa entre os métodos em índice de melanina, escala de cor, grau de melhora ou satisfação; ambos melhoraram a hiperpigmentação após três sessões; a dor foi menor com a luz intensa pulsada. Os efeitos adversos foram transitórios e ocorreram com a luz intensa pulsada: um participante teve hiperpigmentação e outro, eritema [33]. Os números absolutos, extraídos do texto completo pela revisão sistemática, ajudam a calibrar a expectativa: a escala de melhora ficou em torno de 25% nos dois lados, e o índice de melanina caiu de 533,6 para 528,4 com luz pulsada e de 533,6 para 529,1 com o laser [2]. É melhora mensurável, mas modesta. O caso de hiperpigmentação após tratamento de hiperpigmentação ilustra o risco paradoxal.

Tabela 2. Estudos clínicos selecionados em hiperpigmentação axilar e acantose nigricans axilar

EstudoDesenho e nIntervençãoAchado principal (no resumo)Limitação
Castanedo-Cazares 2013 [8]ECR duplo-cego, 24 mulheresNiacinamida 4%, desonida 0,05%, placebo, 9 semanasResposta boa a excelente: 24%, 30% e 6%Amostra pequena; desonida é corticosteroide
Mohammed 2022 [26]ECR duplo-cego, 153 mulheresÓleo de C. rotundus, hidroquinona 4%, placebo, 12 semanasAmbos melhores que placebo; comparação entre os dois com relato contraditório; irritação em 82% com hidroquinonaAutor único; original não acessado; dados via revisão sistemática [2], também inconsistente
Chunekamrai 2025 [28]ECR intraindividual, 20 com ANTretinoína 0,025% vs creme-base, 8 semanasÍndice de melanina: 28,05% vs 6,55% de reduçãoRecidiva parcial em 4 semanas
Ghiasi 2024 [29]ECR simples-cego, 30 com AN (16 axilares)Tretinoína 0,05% vs glicólico 70%Tretinoína superior na axilaSeguimento de 8 semanas
Amornpetkul 2021 [33]Randomizado por lado, 22Q-switched Nd:YAG 1064 nm vs luz intensa pulsadaSem diferença de eficácia; menos dor com luz pulsadaUm participante com hiperpigmentação e um com eritema após luz pulsada
Robredo 2020 [32]Prospectivo, 9 mulheres (18 axilas), fototipos IV e VQ-switched Nd:YAG 1064 nm baixa fluênciaRedução em 85% a 100% da áreaSem controle; amostra muito pequena
Ghannam 2017 [31]Observacional, 17 mulheresQ-switched Nd:YAG 1064 nm baixa fluênciaMelhora boa a excelente após ≥3 sessõesSem controle; avaliação subjetiva

ECR: ensaio clínico randomizado. AN: acantose nigricans.

Lasers fracionados e alexandrita na acantose

Uma revisão sistemática que comparou lasers e tratamentos tópicos na AN incluiu seis ensaios com 133 pacientes. Laser de CO2 fracionado, laser de érbio fibra 1550 nm e laser alexandrita de pulso longo foram comparados a peelings e tretinoína; o alexandrita de pulso longo mostrou efeito na AN axilar em comparação com tretinoína associada a lactato de amônio, e em dois estudos o peeling de glicólico foi favorável frente ao CO2 fracionado, segundo o resumo [34]. Os autores concluem que o laser se associou a resultados superiores no conjunto, mas a heterogeneidade de aparelhos e o número pequeno de pacientes impedem generalizar para qualquer equipamento.

Laser de picossegundos

O laser de picossegundos tem papel estudado em melasma e lesões pigmentadas faciais, discutido em Laser para melasma e manchas resistentes. Na busca desta revisão (PubMed até outubro de 2026 e ClinicalTrials.gov), não foi encontrado ensaio publicado em periódico com laser de picossegundos na axila. Existe uma dissertação de mestrado tailandesa de 2021, disponível em repositório universitário e não publicada em periódico revisado por pares, lida em texto integral [35]. Vinte e duas mulheres de fototipos III a V foram incluídas e 20 completaram o seguimento; cada uma recebeu três sessões de laser de picossegundos (aparelho PicoWay) com 1064 nm de baixa fluência seguido de 532 nm, sem grupo controle. O índice de melanina, medido por Mexameter, caiu em média cerca de 9% entre o basal e a 16ª semana; nas semanas 4 e 8 a diferença em relação ao basal não foi significativa. Três dermatologistas independentes, descritos como cegos, avaliaram fotografias padronizadas e registraram melhora na escala global às 16 semanas. O dado mais relevante para a segurança está no capítulo de efeitos adversos: 15 das 20 participantes que completaram o estudo tiveram hiperpigmentação transitória nas semanas 4 e 8, que melhorou até a visita da 16ª semana; não houve evento grave nem abandono por evento adverso [35]. É literatura cinzenta, com amostra pequena, sem comparação com outro método e com seguimento de 16 semanas, insuficiente para dizer se a melhora se mantém. Qualquer indicação de picossegundos na axila continua sendo extrapolação, e não tratamento com evidência axilar estabelecida. O mesmo vale para outros aparelhos de baixa fluência estudados na face, como os discutidos em Lavieen (BB Laser): melasma e poros: resultado em melasma facial não se transfere para a axila.

Remoção de pelos a laser: papel indireto

Se a depilação repetida é uma das fontes de inflamação, a redução de pelos poderia, em tese, reduzir o estímulo para HPI. A hipótese é plausível, mas não foi encontrada evidência controlada de que a depilação a laser clareie a axila. O mais próximo é um estudo prospectivo sudanês de 2025 com dez mulheres de fototipos IV a VI (seis tratadas na axila) e laser de diodo 808 nm: o resumo relata pele "mais lisa e mais clara" nas áreas tratadas e nenhuma alteração pigmentar, mas o clareamento não foi medido nem era desfecho do estudo [36]. É uma observação, não um resultado. O que existe é dado de segurança: em uma série retrospectiva de 150 pessoas de fototipos IV a VI tratadas com Nd:YAG de pulso longo para remoção de pelos (face, axilas e pernas), 86% não tiveram complicações, todas as complicações foram transitórias e a mais frequente foi justamente a hiperpigmentação, segundo o resumo [37]. Um estudo prospectivo relatou aumento de suor axilar após remoção de pelos com Nd:YAG 1064 nm, persistente em um ano [38]. Um ensaio com dispositivo doméstico de luz intensa pulsada para depilação axilar, comparado com cera quente em 63 pessoas, relatou boa tolerância e maior eficácia na remoção de pelos [39]; o estudo avaliou pelos, não pigmentação, e tem autoria ligada ao fabricante.

Microagulhamento

Não foram encontrados ensaios de microagulhamento para hiperpigmentação axilar, nem no PubMed nem no ClinicalTrials.gov, nem combinações de microagulhamento com ácido tranexâmico nessa região; os estudos com essa associação são de melasma facial. O microagulhamento com radiofrequência aparece na literatura da axila, mas para hiperidrose, não para pigmento. A pele da dobra, ocluída e com maior carga bacteriana, acrescenta risco infeccioso e inflamatório. Para manchas em outras regiões, o tema é discutido no blog em microagulhamento para manchas; para a axila, a ausência de dados recomenda não apresentar o método como opção estabelecida.

Gráfico de barras horizontais comparando o tipo de evidência disponível para tópicos, tretinoína, peelings, laser Q-switched, luz intensa pulsada e picossegundos ou microagulhamento na axila.
Figura 2. Mapa de evidência por modalidade na hiperpigmentação axilar. O comprimento das barras representa o tipo de evidência encontrada, não tamanho de efeito nem comparação de risco entre métodos. O marcador indica apenas que algum estudo citado relatou escurecimento após o tratamento; a ausência de marcador não indica segurança. Esquema elaborado para esta revisão.

11. Riscos: quando o tratamento escurece

O risco mais relevante dos tratamentos de axila é piorar o que se pretende clarear. A HPI é mais intensa em pele mais pigmentada [6]; a axila é uma dobra sujeita a atrito e suor; e boa parte dos estudos foi feita justamente em fototipos III a VI. Os dados resumidos acima mostram HPI após luz intensa pulsada no próprio ensaio de axila [33], hiperpigmentação transitória na maioria das participantes da dissertação com picossegundos [35], HPI como complicação mais frequente da remoção de pelos a laser em pele escura [37] e risco de HPI após laser ablativo na doença de Dowling-Degos [16]. Peelings e retinoides causam eritema, descamação e ardor, descritos como leves nos ensaios [28, 29, 30], mas suficientes para reativar o ciclo inflamatório se o tratamento for agressivo.

Outros riscos dependem do agente: ocronose exógena com hidroquinona em concentração alta e uso prolongado [27]; atrofia e outros efeitos de corticosteroide tópico em dobra [5, 25]; aumento do suor após depilação a laser [38]. Gravidez e amamentação, infecção ativa na axila, dermatite em atividade, hidradenite supurativa e história de queloide são situações que pedem avaliação individual antes de qualquer procedimento; nesses cenários, a decisão não deve ser tomada a partir de texto informativo.

12. Fotoproteção, atrito e manutenção

A necessidade de fotoproteção depende da exposição ao sol; a axila coberta costuma receber pouca radiação. Reduzir atrito e irritação é uma medida distinta da fotoproteção e tem papel central na prevenção de novos estímulos inflamatórios. As medidas descritas na literatura de HPI e de pele axilar são: reduzir o trauma da depilação, evitar produtos que causem ardor, hidratar a pele irritada e tratar a inflamação de base [3, 6]. Nos dias em que a axila for exposta ao sol, como na praia, o filtro solar pode ser útil durante tratamentos com retinoides e ácidos. Roupas muito justas e sintéticas aumentam atrito e umidade; trocá-las é uma medida de baixo custo, ainda que sem ensaio específico.

A manutenção é parte do tratamento, não um adicional. A recidiva parcial quatro semanas após a suspensão da tretinoína na AN [28] e a durabilidade relatada de três a seis meses nos estudos com laser [31, 32] indicam que a melhora não é definitiva enquanto o fator causal persistir. Na AN, a evolução depende da correção metabólica [9, 11]. Na HPI, depende de interromper a agressão. A expectativa honesta é de clareamento parcial e progressivo, medido em semanas a meses, com retorno do escurecimento se os gatilhos voltarem.

A revisão sistemática de 2025 relata "eficácia" de vários métodos, mas os desfechos variam (índice de melanina, escalas subjetivas, fotografias) e quase nenhum estudo mede o que importa para o paciente a longo prazo. Por isso esta revisão evita expressões como "clareamento total" ou "resultado definitivo".

13. Síntese: a sequência que a literatura sugere

Reunidas, as fontes desta revisão apontam uma ordem de raciocínio mais do que um protocolo:

Natureza-morta com lâmpada de exame portátil sem marca, prancheta em branco e frasco âmbar sem rótulo sobre superfície marfim.
Ilustração conceitual gerada por IA; natureza-morta sobre avaliação clínica antes do tratamento, não representa serviço, equipamento ou produto específico.
  1. Examinar textura, simetria, extensão a outras dobras, descamação, coceira e padrão reticulado.
  2. Considerar acantose nigricans e, havendo sinais, priorizar a investigação metabólica com médico antes de qualquer intervenção estética [4, 12].
  3. Usar lâmpada de Wood quando houver descamação fina ou falha de antifúngico [14].
  4. Revisar produtos de higiene, método de depilação e medicamentos em uso [17, 19].
  5. Na HPI, começar pela retirada dos gatilhos e por tópicos de baixa irritação; ativos como corticosteroide e hidroquinona exigem prescrição e prazo definido [5, 27].
  6. Os estudos com laser Q-switched de baixa fluência e luz intensa pulsada são pequenos e incluem casos de piora e de clareamento excessivo; foram feitos em fototipos III a V, com sessões a cada duas semanas e seguimento de no máximo seis meses [2, 31, 32, 33].
  7. Em qualquer opção, a literatura descreve melhora parcial, necessidade de manutenção e recidiva quando o gatilho persiste [28, 31].

Esta lista resume a literatura; não descreve nem recomenda um serviço específico, de nenhuma clínica. A conduta em cada caso cabe a médico, de preferência dermatologista, e a suspeita de doença sistêmica exige avaliação médica. Quem também se incomoda com suor axilar encontra outra discussão em como tratar o suor excessivo nas axilas.

14. Transparência

Revisão narrativa preparada para o periódico Cadernos de Estética Avançada. A autoria não declara conflito de interesse financeiro com fabricantes de produtos, medicamentos ou equipamentos citados. A revisão médica humana foi realizada por Alessandro Borges Alla (CRM-SP 118.136) em 10 de outubro de 2026 e está registrada no registro editorial do Fascículo 12. O revisor médico é sócio da Clínica Talita Almeida Estética Avançada, vínculo que se declara como possível interesse. Os resultados citados vêm, em sua maioria, apenas dos resumos disponíveis no PubMed. O texto tem finalidade informativa, não constitui indicação de tratamento e não afirma a disponibilidade de qualquer procedimento em serviço específico. Avaliação individual presencial é necessária, e sinais de doença sistêmica exigem avaliação médica.

15. Perguntas Frequentes

Axila escura é sinal de diabetes?

Nem sempre. Inflamação repetida por depilação, atrito ou produtos é uma causa possível. Quando a pele está espessa e aveludada, sobretudo com excesso de peso ou escurecimento também na nuca, a acantose nigricans deve ser considerada, e ela se associa a resistência insulínica. Nesse cenário, sobretudo com excesso de peso, a American Diabetes Association considera a AN um motivo para avaliar pré-diabetes e diabetes; a investigação é feita por médico.

Desodorante escurece a axila?

Desodorantes podem causar dermatite de contato, e a inflamação pode deixar hiperpigmentação. Não há evidência de que todo desodorante escureça a pele. Se houver coceira ou ardor, o teste de contato ajuda a identificar o componente responsável.

Qual é o melhor tratamento para clarear a axila?

Não existe um tratamento padrão. Para acantose nigricans, a tretinoína tópica tem os ensaios mais consistentes. Para a forma pós-inflamatória, há ensaios pequenos com niacinamida, desonida, laser Q-switched e luz intensa pulsada. A escolha depende da causa, do fototipo e da tolerância da pele.

Laser clareia a axila de vez?

Os estudos relatam melhora mantida por três a seis meses, não clareamento permanente. Se a causa persistir, a pigmentação tende a voltar. Em pele mais escura, há risco de escurecimento após o próprio tratamento.

Depilação a laser ajuda a clarear a axila?

Reduzir a depilação repetida pode diminuir a irritação, mas não foi encontrada evidência controlada de que a depilação a laser clareie a axila. Na série citada de remoção de pelos com Nd:YAG em fototipos IV a VI, a hiperpigmentação foi a complicação mais frequente; o achado não se transfere a todo aparelho ou protocolo.

Ácido tranexâmico, microagulhamento ou laser de picossegundos clareiam a axila?

Na busca dirigida desta revisão, não foi identificado ensaio publicado em periódico que tenha testado essas opções para pigmentação axilar. Para picossegundos existe apenas uma dissertação disponível em repositório universitário, sem publicação em periódico nem grupo controle, na qual a maioria das participantes teve escurecimento transitório após as sessões. O uso nessa região é extrapolação de estudos em melasma e manchas faciais.

Posso usar hidroquinona por conta própria?

Não é recomendável. A hidroquinona exige prescrição, e o uso prolongado em concentração alta se associa a ocronose exógena, de difícil tratamento.

Avaliação personalizada na Clínica Talita Almeida

Av. Jandira, 295, Moema, São Paulo. Dra. Talita Almeida (Enfermeira Esteta, COREN-SP 427.906).

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Aviso importante: Este artigo tem finalidade informativa e educacional. Os resultados apresentados são baseados em médias de estudos clínicos e podem variar. Consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer procedimento.
TA
Talita Almeida
Enfermeira Estética, COREN-SP 427.906
Especialista em procedimentos estéticos minimamente invasivos baseados em evidência. Clínica em Moema, São Paulo.