- HIFEM (KRATOS Force, EmSculpt, Onix Slim) reduz adipócitos em 15–19% e aumenta espessura muscular em 15–21% por MRI em estudos prospectivos2,3,9
- Único RCT sham-controlado publicado (HIFEM + RF, n=72) confirma 28% redução de gordura e 24% hipertrofia em 3 meses (PRS, 2022)7
- Protocolo padronizado: 4 sessões de 30 min em 2 semanas, ~20.000 contrações supramáximas por sessão
- Resultados mantidos por ≥12 meses em estudo de seguimento por MRI/CT (Kinney & Kent, 2020)4
- Contraindicações absolutas: marcapasso, DAI, implante metálico na área, gestação, epilepsia — sem exceção
- HIFEM NÃO é radiofrequência microagulhada (Morpheus8), NÃO é HIFU, NÃO é EMS/TENS — princípios físicos distintos
- HIFEM não emagrece e não atua em gordura visceral — efeito é estético-localizado em pacientes com IMC < 30
O que é o KRATOS (HIFEM) e quais resultados a eletroestimulação magnética de alta intensidade entrega?
O KRATOS é um equipamento de HIFEM (High-Intensity Focused Electromagnetic), tecnologia que usa campos eletromagnéticos focalizados para gerar contrações musculares supramáximas — cerca de 20.000 por sessão, impossíveis de obter com exercício voluntário. Em estudos prospectivos por ressonância magnética, reduz adipócitos na área tratada em 15–19% e aumenta a espessura muscular em 15–21%, com o único RCT sham-controlado publicado (HIFEM + radiofrequência, n=72) confirmando 28% de redução de gordura e 24% de hipertrofia em 3 meses. Os resultados se mantêm por ≥12 meses em estudos de seguimento.
O protocolo padrão é de 4 sessões de 30 minutos ao longo de 2 semanas, indicado para tonificação e modelagem muscular localizada (abdome, glúteo) em pacientes com IMC < 30. Não é um tratamento para emagrecimento nem atua sobre gordura visceral, e tem contraindicações absolutas: marcapasso, desfibrilador implantável (DAI), implante metálico na área, gestação e epilepsia.
01. O que é HIFEM — princípio físico do KRATOS
HIFEM é a sigla para High-Intensity Focused Electromagnetic (campo eletromagnético focalizado de alta intensidade). Trata-se de uma tecnologia de eletroestimulação não invasiva que se distingue radicalmente das categorias anteriores (TENS, EMS, FES) tanto em mecanismo quanto em magnitude do estímulo gerado.
O princípio físico subjacente é a lei de Faraday da indução eletromagnética: um campo magnético variável no tempo, gerado por uma bobina alimentada por correntes pulsadas de alta intensidade, induz um campo elétrico secundário no tecido biológico exposto. Esse campo elétrico induzido é capaz de despolarizar a membrana de neurônios motores até o limiar de disparo, gerando potenciais de ação que se propagam pelas fibras musculares inervadas.
Os parâmetros físicos típicos dos dispositivos HIFEM clinicamente disponíveis são:
- Intensidade do campo magnético: 1,5 a 2,5 Tesla na superfície do aplicador (comparável a um exame de ressonância magnética).
- Frequência de pulso: ~125 Hz — faixa que ultrapassa o tempo de relaxamento muscular e produz contração tetânica fundida (sem pausa entre estímulos).
- Profundidade efetiva: aproximadamente 7 cm a partir da pele — atinge musculatura profunda como reto abdominal e glúteo máximo sem dano térmico cutâneo.
- Duração da sessão: 30 minutos.
- Contrações por sessão: ~20.000 (impossível de obter por exercício voluntário no mesmo intervalo).
02. KRATOS Force, Onix Slim e EmSculpt: a mesma classe HIFEM
O dispositivo original que estabeleceu a categoria foi o EmSculpt (BTL Industries), lançado nos EUA em 2018 e responsável por praticamente toda a base de evidência publicada em PubMed. Posteriormente, fabricantes nacionais e internacionais lançaram equipamentos baseados no mesmo princípio físico, formando a classe terapêutica HIFEM. No Brasil, os mais relevantes são:
| Equipamento | Fabricante | Tecnologia | Áreas tratadas | Status regulatório BR |
|---|---|---|---|---|
| EmSculpt / EmSculpt NEO | BTL Industries (EUA) | HIFEM (NEO acrescenta RF) | Abdome, glúteo, coxas, braços, panturrilha | Importado; ANVISA |
| KRATOS Force | Adoxy (Brasil) | HIFEM | Abdome, glúteo, coxas, braços | Registro ANVISA |
| Onix Slim | Tonederm (Brasil) | HIFEM | Abdome, glúteo, coxas, braços | Registro ANVISA |
| EM-Body / similares | Diversos | HIFEM | Variável | Verificar registro caso a caso |
Importante: a totalidade dos estudos clínicos indexados em PubMed sobre HIFEM foi conduzida com o EmSculpt. As plataformas nacionais (KRATOS Force, Onix Slim) baseiam-se no mesmo princípio eletromagnético e atendem aos mesmos parâmetros de intensidade e frequência, mas a transferência de evidência é por analogia tecnológica, não por ensaios clínicos diretos com cada dispositivo.
Na clínica Talita Almeida (Moema), a plataforma utilizada é o KRATOS, com aplicadores específicos para abdome, glúteo, coxa anterior, coxa posterior e braços.
03. KRATOS NÃO é radiofrequência microagulhada — tecnologias diferentes
Uma confusão recorrente em consultórios e em material de marketing é tratar HIFEM como sinônimo ou variante de outras tecnologias de body contouring. São tecnologias completamente distintas, com princípio físico, alvo biológico e indicação diferentes. A tabela comparativa abaixo esclarece:
| Tecnologia | Princípio físico | Alvo | Profundidade | Indicação principal |
|---|---|---|---|---|
| HIFEM (KRATOS) | Campo eletromagnético — indução de Faraday | Neurônio motor → músculo | ~7 cm | Hipertrofia + redução adipócito |
| RF microagulhada (Morpheus8) | Radiofrequência via agulhas que perfuram a derme | Derme reticular | 0,5–4 mm | Flacidez cutânea + textura |
| HIFU (Ultraformer) | Ultrassom focalizado térmico | SMAS, derme profunda | 1,5 / 3 / 4,5 mm | Lifting facial / corporal |
| Criolipólise | Resfriamento controlado a -11°C | Adipócito (apoptose por frio) | 1–3 cm | Gordura localizada |
| Endolaser | Laser 1470nm intradérmico | Adipócito + colágeno dérmico | 3–10 mm | Gordura + flacidez |
| EMS / TENS tradicional | Corrente elétrica via eletrodos cutâneos | Nervo periférico | <1 cm | Recuperação / analgesia |
04. Mecanismo de ação biológico — hipertrofia + apoptose adipócito
O efeito biológico do HIFEM decorre da contração muscular supramáxima — definida como uma contração de intensidade superior àquela que o paciente consegue produzir voluntariamente, mesmo em esforço máximo. Essa diferença de magnitude desencadeia respostas teciduais que não ocorrem (ou ocorrem em menor grau) durante exercício convencional.
Resposta muscular: hipertrofia e hiperplasia parcial
Cada sessão de 30 minutos induz aproximadamente 20.000 contrações tetânicas fundidas. Essa demanda metabólica extrema esgota reservas de ATP e fosfocreatina, gera estresse mecânico nas fibras musculares e ativa cascatas de sinalização anabólica (mTOR, IGF-1 local). Os achados histológicos e por imagem documentam:
- Hipertrofia das fibras existentes (síntese proteica aumentada).
- Hiperplasia parcial via ativação de células-satélite, mais documentada em modelos animais e sugerida em estudos de pequena amostra em humanos.
- Aumento de espessura muscular por MRI entre 15% e 26% em 3 meses, conforme área tratada e protocolo (isolado vs combinado com RF).2,3,9,7
Resposta adipocítica: apoptose por estresse metabólico local
O segundo achado — inicialmente inesperado — é a redução documentada de tecido adiposo subcutâneo nas áreas tratadas, na ausência de qualquer estímulo térmico ou mecânico direto sobre o adipócito. A hipótese fisiopatológica predominante é o estresse metabólico local gerado pela demanda energética muscular extrema, que aciona lipólise nos adipócitos adjacentes e, em parte deles, apoptose. Resultados consistentes:
- Redução de espessura de gordura subcutânea de 15% a 19% em monoterapia HIFEM2,3.
- Redução de até 28–30% quando HIFEM é combinado com radiofrequência sincronizada (NEO/RF)7,9.
- Redução de gordura visceral abdominal de 14,3% em estudo de CT retrospectivo (efeito secundário, não objetivo primário do tratamento).12
05. Evidências clínicas — RCTs e estudos prospectivos
A literatura sobre HIFEM é volumosa em número de publicações, porém concentrada em desenhos prospectivos não controlados. Apenas um RCT sham-controlado foi publicado até o momento. A revisão sistemática mais recente (Kohan et al., Aesthetic Plastic Surgery, 2024)1 incluiu 15 estudos clínicos. Os principais marcos são apresentados a seguir.
Jacob & Paskova (2018) — abdome, primeiro estudo HIFEM
Estudo prospectivo aberto com 22 pacientes (19 completaram), 4 sessões de 30 min em 2 semanas. Resultado: redução média de circunferência abdominal de 4,37 ± 2,63 cm aos 3 meses; 91% relataram melhora de aparência abdominal; sem eventos adversos.3
Kinney & Lozanova (2019) — MRI abdome
Estudo prospectivo com 22 pacientes, EmSculpt sobre abdome, MRI ao 2º e 6º mês. Resultados: redução de espessura de gordura subcutânea de 18,6%; aumento de espessura do reto abdominal de 15,4%; redução de diástase de 10,4%; resultados mantidos no seguimento.2
Kinney & Kent (2020) — seguimento de 1 ano
Mesma coorte do estudo anterior, reavaliada por MRI/CT aos 12 meses. Manutenção de: 14,63% redução de gordura, 19,05% hipertrofia, 10,46% de melhora da diástase. Demonstra durabilidade ≥1 ano sem manutenção formal — achado crítico para informar expectativa do paciente.4
Kent & Jacob (2019) — CT abdome
22 participantes, EmSculpt, avaliação por tomografia computadorizada. Redução de gordura subcutânea de 17,5% e hipertrofia do reto abdominal de 14,8%; circunferência -3,9 cm.5
Jacob et al. (2018) — glúteo, multicêntrico
75 pacientes, 4 sessões em glúteo. 85% de melhora reportada por pacientes inicialmente insatisfeitos com a aparência glútea; satisfação aumentou de 13,1 para 18,4 pontos. Sem eventos adversos.6
Palm (2021) — MRI volumetria glúteo
7 pacientes, MRI volumétrica. Aumento de volume do glúteo máximo de 10,8% em 1 mês e 13,2% em 3 meses; gordura inalterada na região (efeito tonificante puro).11
Katz & Duncan (2021) — braços e panturrilha por ultrassom
20 pacientes; aumento de massa muscular significativo, com bíceps mostrando +16,13% aos 3 meses e redução de gordura de −15,12%; resultados estáveis aos 6 meses.13
Duncan (2022) — coxa interna combinado com RF
16 mulheres, HIFEM + RF sincronizada. Resultados aos 3 meses: redução de gordura de 27,4%, hipertrofia de 23,2%, circunferência -1,52 cm.14
Samuels, Katz & Weiss (2022) — RCT sham-controlado, abdome
Único ensaio clínico randomizado sham-controlado publicado: 72 pacientes (48 ativo, 24 sham), HIFEM + RF sincronizada (EmSculpt NEO). Aos 3 meses, grupo ativo: 28,3% redução de gordura e 24,2% hipertrofia muscular; grupo sham: alterações desprezíveis. Satisfação 93,9% vs 40%. Resultados mantidos aos 6 meses.7
DiBernardo et al. (2023) — HIFEM + RF vs HIFEM isolado, glúteo
67 pacientes randomizados em 2 grupos (HIFEM + RF vs HIFEM isolado). HIFEM + RF foi superior para hipertrofia glútea — ganho adicional documentado por MRI.10
Jacob & Rank (2020) — pós-parto
10 mulheres pós-parto, HIFEM em abdome. Redução de gordura de ~20%, hipertrofia de ~21%, e redução de diástase abdominal de ~23% aos 3 meses por MRI — uma das aplicações com efeito mais robusto.15
| Área | n total estudos relevantes | ↓ Gordura (MRI/CT) | ↑ Músculo | Follow-up máx. |
|---|---|---|---|---|
| Abdome | ~120 (≥6 estudos) | 14–30% | 15–26% | 12 meses |
| Glúteo | ~149 (≥4 estudos) | 0–8% (não primário) | 10–16% | 6 meses |
| Coxa interna | ~16 (1 estudo) | 27% | 23% | 3 meses |
| Braços/panturrilha | ~20 (1 estudo) | 15% | 16% | 6 meses |
| Pós-parto / diástase | ~10 (1 estudo) | 20% | 21% (+ ↓23% diástase) | 6 meses |
06. Áreas tratadas e protocolos
O protocolo padronizado em todos os estudos clínicos com HIFEM é virtualmente idêntico, o que reflete a homogeneidade do dispositivo original (EmSculpt) sobre a evidência e simplifica a aplicação clínica:
| Parâmetro | Valor padrão |
|---|---|
| Sessões | 4 |
| Duração / sessão | 30 minutos |
| Intervalo entre sessões | 48–72 horas (2–3 sessões/semana) |
| Duração total do tratamento | 2 semanas |
| Avaliação de resultado | 1 mês (inicial) e 3 meses (pico) |
| Manutenção sugerida | 1 sessão / 6 meses |
| Anestesia | Nenhuma |
| Downtime | 0 (DOMS leve possível 24–48h) |
Áreas com aplicação documentada
Abdome: aplicador único centralizado sobre reto abdominal — área com maior base de evidência. Especialmente útil em pós-parto com diástase leve a moderada.15
Glúteo: dois aplicadores simétricos, posicionados sobre o ventre do glúteo máximo. Efeito de tonificação e elevação do contorno glúteo (não modifica volume gorduroso significativamente).6,11
Coxa anterior: aplicador sobre quadríceps; melhora de definição em pacientes ativos.
Coxa interna (adutores): evidência mais robusta com HIFEM + RF sincronizada14.
Coxa posterior (isquiotibiais) e panturrilha: evidência menor, mas mecanismo replicável.
Bíceps e tríceps: aplicador menor, posicionado sobre ventre muscular; bons resultados documentados.13
07. KRATOS vs outras tecnologias de body contouring — comparativo quantitativo
| Parâmetro | HIFEM (KRATOS) | Criolipólise | Endolaser | Lipoaspiração | Exercício isolado |
|---|---|---|---|---|---|
| Redução de gordura local | 15–19% (mono); 28% (+RF) | 20–25%/sessão | ~3 cm circunferência | Máxima (volume) | Variável; sistêmico |
| Hipertrofia muscular | 15–26% | Não | Não | Não | Sim (lento) |
| Tensionamento de pele | Não | Não | Sim (neocolagênese) | Não | Não |
| Downtime | 0 dia | 0–2 dias | <1 dia (puro) | 7–14 dias | — |
| Sessões | 4 em 2 sem | 1–3 / área | 1 | 1 (cirúrgico) | Contínuo |
| Tempo até resultado pico | 3 meses | 3 meses | 3–6 meses | 1–3 meses | 3–6 meses |
| Custo relativo BR | Alto | Médio-alto | Alto | Muito alto | Baixo |
| Nível de evidência (Oxford) | II–III (1 RCT sham + prospectivos) | I (RCTs e meta-análise) | III–IV (séries) | I–II | I |
08. Combinações sinérgicas com HIFEM
A literatura mais recente desloca-se progressivamente da monoterapia HIFEM para combinações estratégicas. As combinações com maior racional e evidência:
HIFEM + radiofrequência sincronizada
A combinação HIFEM + RF (EmSculpt NEO) acrescenta aquecimento controlado do tecido durante a contração — potencializando lipólise. RCT sham-controlado7 documenta resultados superiores à monoterapia: 28% redução de gordura vs 18%. Disponível na plataforma KRATOS NEO ou aparelhos equivalentes que integram as duas modalidades.
HIFEM + criolipólise (sequencial)
Em pacientes com gordura abdominal volumosa e baixa definição muscular, sequência prática: criolipólise primeiro (ataque ao adipócito por frio, redução volumétrica), aguardar 8–12 semanas para resolução do edema e apoptose, e então HIFEM para tonificação muscular. Não há ensaio clínico publicado com essa sequência específica, mas o racional fisiopatológico é sólido. Ver revisão de criolipólise.
HIFEM + endolaser (abdome com flacidez)
Indicação: paciente pós-emagrecimento ou pós-parto com flacidez cutânea + gordura residual + perda de tônus muscular. Endolaser ataca gordura + retrai pele; HIFEM, em sessões sequenciais (intervalo mínimo de 4–6 semanas), reconstrói parede muscular. Combinação não trivial — exige planejamento individualizado.
HIFEM + dieta hipocalórica em obesidade leve (IMC 28–32)
O efeito de HIFEM é potencializado quando o paciente está em balanço calórico negativo discreto (déficit ~300–500 kcal/dia). Sem isso, a hipertrofia muscular pode ser visualmente "mascarada" pelo tecido adiposo sobreposto. Tratamento como adjuvante a programa nutricional, nunca como substituto.
09. Contraindicações absolutas e relativas
- Marcapasso cardíaco ou desfibrilador implantável (DAI) — risco de interferência eletromagnética.
- Bomba implantada de insulina ou de medicação.
- Implante metálico na área tratada (próteses ortopédicas, parafusos, placas, DIU de cobre se aplicador for próximo à pelve).
- Próteses mamárias com expansor metálico.
- Gestação confirmada ou suspeita.
- Epilepsia ou histórico de crises convulsivas.
- Neoplasia maligna ativa, especialmente na área tratada.
- Febre, infecção ativa ou processo inflamatório agudo.
- Doença vascular periférica grave / trombose recente.
- Hérnia abdominal não tratada (risco de agravamento por contração intensa).
Contraindicações relativas — discussão caso a caso
- Marcapasso ou DAI distante da área tratada: ainda assim, contraindicação por princípio de precaução — campo eletromagnético tem alcance.
- Diástase abdominal grave (>3 cm): avaliação prévia; pode ser indicação ou contraindicação dependendo do caso clínico.
- Pós-parto recente: aguardar 6 semanas pós-parto natural ou 12 semanas pós-cesárea; liberação obstétrica obrigatória.
- Lactação: sem dados de segurança; recomendado aguardar fim do período.
- Tatuagem extensa na área: sem contraindicação formal, mas alguns pigmentos podem aquecer (raramente).
A avaliação clínica prévia presencial é obrigatória para descarte de contraindicações — não é responsavelmente possível liberar HIFEM apenas com base em formulário online.
10. Eventos adversos e segurança
O perfil de segurança do HIFEM é dos mais favoráveis entre as tecnologias de body contouring. A revisão sistemática de Kohan et al. (2024)1, com 15 estudos, registrou: "No complications were reported" ao longo de toda a literatura analisada.
| Evento | Frequência | Manejo |
|---|---|---|
| Dor muscular tardia (DOMS) | Comum, 24–48h | Autolimitada; analgésico simples se necessário |
| Eritema transitório local | Raro, <24h | Resolve espontaneamente |
| Contração muscular involuntária pós-sessão | Raro | Resolve em minutos |
| Cãibras durante sessão | Raro | Reduzir intensidade do aplicador |
| Queimadura cutânea | Não relatado em literatura indexada | — |
| Eventos cardíacos / neurológicos | 0% nos estudos publicados | — |
| Eventos graves | 0% nos estudos publicados | — |
A ausência de eventos graves nos ~600 pacientes documentados em literatura indexada é notável. Contudo, a vigilância pós-marketing depende da cooperação dos centros de tratamento; eventos isolados podem não ter sido reportados. A regra prática é: respeitar contraindicações absolutas elimina virtualmente todo o risco significativo.
11. KRATOS NÃO substitui dieta e exercício
Esta seção é deliberadamente honesta — a comunicação realista das limitações é tão importante quanto a apresentação dos benefícios.
HIFEM não promove perda de peso global. O peso corporal medido em balança não muda significativamente após o tratamento, mesmo em pacientes que apresentam redução visível de medidas locais. O que muda é a composição corporal localizada: mais músculo + menos gordura subcutânea na área tratada.
HIFEM não atua em gordura visceral de forma terapêutica. O achado de redução de 14% em VAT (gordura visceral abdominal) em estudo retrospectivo12 é um efeito secundário interessante, não uma indicação. Pacientes com obesidade de risco metabólico precisam de estratégia ponderal e nutricional — não de HIFEM.
O resultado é máximo em pacientes com IMC 23–28 e gordura localizada residual. Pacientes com IMC >30 obtêm resultados clinicamente menos visíveis porque o tecido adiposo sobreposto "esconde" a hipertrofia muscular subjacente.
HIFEM não substitui exercício regular para saúde cardiovascular, metabólica ou óssea. Os ~20.000 contrações por sessão produzem efeito anabólico local, mas não geram condicionamento aeróbico, não treinam coordenação, não promovem adaptação tendínea/articular, e não substituem treinamento de força progressivo orientado.
12. Custo-efetividade e expectativas realistas
No mercado brasileiro, o protocolo padrão de 4 sessões de HIFEM (área única) custa entre R$ 2.500 e R$ 6.000, com variação significativa por região, plataforma e estrutura clínica. Áreas combinadas (abdome + glúteo, por exemplo) elevam o investimento.
Comparado ao custo de outras intervenções:
- É mais caro por sessão que criolipólise individual, mas o protocolo total (4 sessões) tem custo similar ou superior a 1–2 sessões de criolipólise.
- É significativamente mais barato que lipoaspiração cirúrgica (R$ 8.000–25.000 com hospital).
- É mais caro que endolaser em sessão única, mas oferece efeito sobre músculo que endolaser não tem.
A persistência dos resultados, com base no estudo de seguimento de 1 ano de Kinney & Kent4, é razoável: a maior parte do ganho muscular e da redução adipocítica é mantida por pelo menos 12 meses sem manutenção formal. Sessões de manutenção a cada 6 meses são recomendadas para preservação prolongada — adicionando ~R$ 500–1.500/área/ano.
Expectativa realista: pacientes selecionados (IMC 23–28, ativos, dieta equilibrada) percebem visualmente o resultado a partir do 2º mês, com pico aos 3 meses; pacientes fora desse perfil podem perceber ganho objetivo (medidas, foto comparativa) sem mudança estética dramática.
13. Casos clínicos comentados
Os três cenários a seguir são hipotéticos compostos baseados na literatura e na prática clínica corrente em estética avançada — não pacientes reais. Servem para ilustrar raciocínio clínico.
Caso 1 — Pós-parto com diástase moderada
Mulher, 34 anos, 8 meses pós-parto natural (segundo filho), liberação obstétrica obtida, IMC 26, diástase reto-abdominal de 2,5 cm verificada à manobra de elevação cervical. Queixa: "barriga mole, sem firmeza, mesmo voltando ao peso antes da gravidez". Conduta clínica racional: HIFEM em abdome, 4 sessões, com base no estudo de Jacob & Rank (2020)15 que documentou redução de diástase de ~23% e hipertrofia de 21%. Adjuvante: pilates e fortalecimento de transverso abdominal orientado por fisioterapeuta. Avaliar resultado em 3 meses.
Caso 2 — Glúteo fugidio jovem atleta
Mulher, 27 anos, corredora amadora, IMC 22, glúteo de morfotipo "fugidio" (formato A) com baixo volume e linha glútea pouco definida. Cirurgia plástica recusada. Conduta: HIFEM em glúteo, 4 sessões, com expectativa de ganho volumétrico documentado por Palm (2021)11 de ~13% — efeito puramente tonificante (sem mudança de gordura). Combinação opcional com bioestimulador de colágeno em sessão separada para volumização adicional. Discutir opções comparativas para harmonização glútea antes de decidir.
Caso 3 — Coxa interna pós-emagrecimento de 12 kg
Mulher, 41 anos, 12 kg perdidos em 14 meses (dieta + endocrinologista), IMC atual 24. Queixa: "pele da coxa interna ficou flácida e sem definição". Conduta: avaliação cuidadosa do grau de flacidez cutânea — se pele apresenta retração tecidual significativa, considerar HIFU corporal (ver revisão) primeiro, e em segundo momento HIFEM + RF em coxa interna (Duncan, 202214: 27% redução gordura, 23% hipertrofia). Resultados em 3 meses.
14. Perguntas frequentes
O KRATOS / HIFEM emagrece?
Não. HIFEM atua em composição corporal localizada — músculo e gordura subcutânea da área tratada. Não promove perda de peso global mensurável e não atua em gordura visceral de forma terapêutica. Não substitui dieta nem exercício para emagrecimento.
Quantas sessões são necessárias?
4 sessões de 30 minutos, distribuídas em 2 semanas (2 sessões/semana, intervalo de 48–72h). Manutenção sugerida: 1 sessão a cada 6 meses.
Dói?
Não. As contrações musculares são intensas — o paciente as percebe e não consegue inibi-las voluntariamente — mas não são dolorosas. Pode haver dor muscular tardia (DOMS) nas 24–48h seguintes, autolimitada, semelhante a um treino pesado.
Posso fazer com marcapasso?
Não. Marcapasso, DAI ou qualquer dispositivo eletrônico implantado é contraindicação absoluta. Sem exceção, mesmo com o aplicador distante do dispositivo.
É igual ao EmSculpt?
São tecnologias da mesma classe (HIFEM). EmSculpt (BTL) é o equipamento original com a base de evidência publicada. KRATOS Force, Onix Slim e outras plataformas operam pelo mesmo princípio físico, com diferenças de fabricante e regulação.
É igual ao Morpheus8?
Não. Tecnologias completamente diferentes. KRATOS é eletromagnético (sem agulha, sem corte). Morpheus8 é radiofrequência microagulhada (perfura a derme com agulhas finas para estímulo de colágeno). Indicação, mecanismo e profundidade são distintos.
15. Conclusões da Enf. Talita Almeida
O HIFEM é a tecnologia não invasiva mais robusta atualmente disponível para aumentar massa muscular e reduzir gordura subcutânea simultaneamente. A literatura indexada — embora ainda concentrada em estudos prospectivos não controlados — apresenta consistência notável: redução de 15–19% de gordura e hipertrofia de 15–21% por imagem (MRI/CT), confirmadas pelo único RCT sham-controlado publicado. O perfil de segurança é favorável quando as contraindicações absolutas são respeitadas sem exceção, e a durabilidade dos resultados foi documentada por pelo menos 12 meses.
Na clínica em Moema, a indicação ideal de KRATOS é a paciente ativa, com IMC entre 23 e 28, gordura localizada residual em abdome ou glúteo, ou pós-parto com diástase leve a moderada — sempre como complemento a estilo de vida saudável, nunca como substituto. Pacientes que esperam emagrecimento ou tratamento de obesidade precisam de outro caminho clínico. A conversa franca sobre o que a tecnologia faz e o que não faz é parte essencial do protocolo — e é uma das razões pelas quais a avaliação presencial é insubstituível.
— Enf. Talita Almeida, COREN-SP 426.907 · Talita Almeida Estética Avançada · Moema, São Paulo.
Talita Almeida · Moema, São Paulo
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