Resposta Rápida

PEIM (escleroterapia) elimina vasinhos e varizes?

Sim. A PEIM (Procedimento Estético Injetável para Microvasos) e a escleroterapia com polidocanol são padrão-ouro para telangiectasias (vasinhos) e varizes reticulares dos membros inferiores. Mecanismo: agente esclerosante danifica o endotélio, levando à fibrose e oclusão do vaso. Eficácia: 70-90% de eliminação em 3-5 sessões para telangiectasias. Possíveis efeitos: hiperpigmentação transitória (90% resolve em 12 meses), matting (vasos minúsculos novos), pequenos hematomas. Contraindicado em trombofilia, gestação e alergia ao esclerosante. Compressão pós-sessão é mandatória.

Índice do Artigo
  1. Prevalência e indicações clínicas
  2. Mecanismo de ação da escleroterapia
  3. Substâncias esclerosantes
  4. Indicações por calibre vascular
  5. Técnica e protocolo de sessões
  6. Resultados clínicos documentados
  7. Complicações e efeitos adversos
  8. Comparação com laser vascular
  9. Contraindicações
  10. Conclusão prática
Resposta rápida

Escleroterapia (vasinhos) funciona? Quantas sessões?

A escleroterapia (PEIM — Procedimento Estético Intradérmico Microinvasivo) injeta uma solução esclerosante (polidocanol ou lauromacrogol) diretamente nos vasinhos dilatados das pernas, causando fibrose e desaparecimento gradual. É o tratamento padrão-ouro para telangiectasias (vasinhos < 3mm) e varizes reticulares.

Resultado: 70 a 90% de redução visível em 1 a 3 sessões. Vasos muito finos (< 0,5mm) respondem melhor. Varizes de maior calibre (> 3mm) precisam de avaliação vascular com Doppler antes do tratamento. Após cada sessão, meias compressivas por 3 a 7 dias. Contraindicações: gravidez, trombose venosa profunda ativa, alergia ao esclerosante.

Principais Achados Científicos
  • Escleroterapia é o padrão-ouro para telangiectasias e veias reticulares dos membros inferiores desde 1944
  • Clareamento de 80–90% após protocolo completo de 3–6 sessões com intervalo de 15–30 dias
  • Polidocanol 0,5–1% demonstra eficácia superior à glicose hipertônica em vasos de 1–3 mm
  • Hiperpigmentação pós-procedimento: 10–30% dos casos, geralmente transitória (3–12 meses)
  • Matting telangiectático (novos microvasos) ocorre em 15–24% — fator de risco: histórico familiar
  • Laser Nd:YAG 1064nm: eficácia comparável, mas preferível apenas para vasos faciais e <0,3 mm

1. Prevalência e Indicações Clínicas

Avaliação clínica realista de telangiectasias superficiais em membros inferiores
Telangiectasias são vasos superficiais finos. A avaliação clínica define calibre, padrão vascular e se PEIM, laser vascular ou combinação faz mais sentido.

Telangiectasias dos membros inferiores — popularmente conhecidas como "vasinhos" — afetam cerca de 80% das mulheres e 25% dos homens adultos. Constituem a queixa vascular estética mais frequente em consultórios de dermatologia e estética avançada, com impacto significativo na qualidade de vida e autoestima das pacientes.

A escleroterapia, conhecida no Brasil como PEIM (Procedimento Estético Injetável para Microvasos), é considerada o tratamento de primeira linha para telangiectasias e veias reticulares dos membros inferiores desde os trabalhos pioneiros de Orbach em 1944. A técnica evoluiu substancialmente com o desenvolvimento de novos agentes esclerosantes e técnicas de injeção guiada.

Dados Epidemiológicos
80%
Mulheres adultas com telangiectasias
80–90%
Clareamento após protocolo completo
3–6
Sessões necessárias em média
15–30 dias
Intervalo entre sessões

2. Mecanismo de Ação da Escleroterapia

Render anatômico realista mostrando fechamento de vaso superficial após escleroterapia
Conceito anatômico: o esclerosante irrita a parede do vaso superficial, levando ao colabamento e posterior reabsorção gradual.

O princípio fundamental da escleroterapia consiste na introdução intravascular de um agente químico que provoca lesão controlada do endotélio, desencadeando uma cascata de eventos que culminam na obliteração e reabsorção do vaso alvo.

Cascata Fisiopatológica

  • Fase 1 — Dano endotelial: o esclerosante destrói ou desidrata as células endoteliais que revestem internamente o vaso, expondo a membrana basal e o colágeno subendotelial
  • Fase 2 — Agregação plaquetária: plaquetas aderem ao colágeno exposto e liberam mediadores inflamatórios (tromboxano A2, serotonina, fator de crescimento derivado de plaquetas)
  • Fase 3 — Trombose intravascular: formação de trombo local que obstrui o lúmen do vaso, interrompendo o fluxo sanguíneo
  • Fase 4 — Fibrose: o trombo é gradualmente substituído por tecido fibroso, transformando o vaso em um cordão cicatricial avascular
  • Fase 5 — Reabsorção: o corpo reabsorve progressivamente o tecido fibrosado ao longo de semanas a meses, resultando no desaparecimento visual do vaso
"A escleroterapia não remove o vaso — ela induz sua transformação em tecido fibrótico que é naturalmente reabsorvido pelo organismo. O sucesso depende de concentração adequada do esclerosante para o calibre do vaso, garantindo destruição endotelial completa sem extravazamento perivascular excessivo."

3. Substâncias Esclerosantes: Comparativo Científico

Os agentes esclerosantes dividem-se em três categorias farmacológicas, cada uma com mecanismo de ação, potência e perfil de segurança distintos.

Glicose Hipertônica 75%

Agente osmótico que atua por desidratação do endotélio. A diferença de osmolaridade entre a solução (~4.170 mOsm/L) e o plasma (~290 mOsm/L) extrai água das células endoteliais, causando plasmólise celular. Evidência Moderada

  • Concentração padrão: 50–75%
  • Vantagem: excelente perfil de segurança, baixo risco de necrose tecidual
  • Limitação: menor potência em vasos >1 mm; requer mais sessões
  • Dor à injeção: moderada (ardência osmótica) — atenuada com lidocaína tópica

Polidocanol 0,5–1%

Detergente não iônico (éter de polioxietileno laurilálcool) que destrói a membrana celular por ação surfactante. Dissolve os lipídios da bicamada fosfolipídica endotelial. Evidência Forte

  • Concentração: 0,25–0,5% para telangiectasias; 0,5–1% para reticulares
  • Vantagem: potência superior, propriedade anestésica intrínseca (menos dor)
  • Limitação: maior risco de hiperpigmentação e matting telangiectático
  • FDA-approved: sim (Asclera) para veias de até 3 mm

Tetradecil Sulfato de Sódio (STS) 0,1–0,3%

Detergente aniônico que atua por saponificação das membranas endoteliais. Mais potente que polidocanol, reservado para vasos reticulares maiores. Evidência Forte

  • Concentração: 0,1–0,2% para telangiectasias; 0,2–0,3% para reticulares; até 1% para tronculares
  • Vantagem: eficácia máxima em vasos reticulares e feeding veins
  • Limitação: maior risco de necrose cutânea se extravasamento; hiperpigmentação mais frequente
ParâmetroGlicose 75%PolidocanolSTS
MecanismoOsmóticoSurfactanteSurfactante
Potência relativaBaixa-moderadaModerada-altaAlta
Dor à injeçãoModeradaLeve (anestésico)Moderada
Hiperpigmentação5–15%10–30%15–35%
Risco de necroseMuito baixoBaixoModerado
Calibre ideal<1 mm0,5–3 mm1–4 mm
Sessões médias4–63–53–4

4. Indicações por Calibre Vascular

A classificação dos vasos dos membros inferiores segue a nomenclatura internacional, e cada calibre exige abordagem e concentração distintas de esclerosante.

Tipo de VasoDiâmetroCor ClínicaTratamento de Escolha
Telangiectasia<1 mmVermelho/púrpuraGlicose 75% ou polidocanol 0,25–0,5%
Vênula1–2 mmAzul/púrpuraPolidocanol 0,5–1% ou STS 0,1–0,2%
Veia reticular2–4 mmAzul/verdePolidocanol 1% ou STS 0,2–0,5%
Veia varicosa>4 mmAzul/protrusaEncaminhamento angiológico
Nota clínica: Antes de tratar telangiectasias isoladas, é essencial avaliar a presença de veias reticulares "alimentadoras" (feeding veins). Tratar apenas as telangiectasias sem obliterar o vaso-fonte resulta em recorrência rápida e maior incidência de matting telangiectático.

5. Técnica e Protocolo de Sessões

Técnica realista de PEIM com microinjeção superficial em telangiectasia
A técnica utiliza microinjeções superficiais, baixo volume por ponto e seleção criteriosa do vaso para reduzir manchas, necrose e falhas de resposta.

A técnica de microescleroterapia requer agulhas 30G ou 32G (calibre ultrafino), seringa de 3 mL e posicionamento adequado da paciente para maximizar o preenchimento venoso e facilitar a visualização dos vasos.

Protocolo Padrão

  • Posição: decúbito dorsal com elevação de 30° para telangiectasias anteriores; decúbito ventral para posteriores
  • Volume por ponto: 0,1–0,3 mL por injeção, com volume máximo total de 10 mL por sessão
  • Ângulo de punção: 15–30° em relação à pele, com bisel voltado para cima
  • Velocidade de injeção: lenta e contínua — injeção rápida aumenta risco de extravasamento
  • Compressão pós-procedimento: meia elástica 20–30 mmHg por 48–72 horas (evidência classe B)

Número de Sessões e Intervalos

O protocolo completo geralmente requer 3 a 6 sessões, com intervalo mínimo de 15 a 30 dias entre sessões para permitir avaliação da resposta e resolução completa da inflamação.

As diretrizes europeias de escleroterapia (Rabe et al., 2014) e a literatura clínica indicam que a maioria das pacientes atinge resultado satisfatório entre a 3ª e 5ª sessão, com taxa de satisfação acumulativa crescente. Sessões adicionais seguem a lei dos retornos decrescentes — cada sessão subsequente contribui progressivamente menos para o resultado final.

6. Resultados Clínicos Documentados

Evidência Forte — A escleroterapia é a modalidade com maior volume de evidência publicada para tratamento de telangiectasias e veias reticulares, com mais de 6 décadas de uso clínico documentado.

ParâmetroResultadoFonte
Clareamento geral80–90%Rabe 2014; literatura clínica
Satisfação do paciente85–95%Kern 2007
Resposta completa (telangiectasias)70–80%Munia 2012
Resposta completa (reticulares)60–75%Rabe 2014
Recorrência a 5 anos20–35%Literatura clínica
Eficácia por Tipo de Esclerosante
75–85%
Clareamento com glicose 75%
85–93%
Clareamento com polidocanol
88–95%
Clareamento com STS
15–30 min
Duração média da sessão

7. Complicações e Efeitos Adversos

A escleroterapia apresenta perfil de segurança favorável quando executada com técnica adequada, mas complicações são possíveis e devem ser conhecidas pela paciente.

Hiperpigmentação Pós-Inflamatória

Evidência Moderada — Complicação mais frequente, ocorrendo em 10–30% dos casos. Resulta da deposição de hemossiderina no tecido perivascular após lise eritrocitária. Geralmente transitória, resolvendo em 3–12 meses. Fatores de risco: fototipos III–V, uso de STS, ausência de drenagem do trombo residual.

Matting Telangiectático

Surgimento de novos microvasos (matting) na área tratada, afetando 15–24% das pacientes. Mecanismo: angiogênese reativa mediada por VEGF em resposta à inflamação. Geralmente resolve espontaneamente em 3–6 meses. Fatores de risco: histórico familiar forte, uso de estrogênios, tratamento de telangiectasias sem abordar feeding veins.

Outras Complicações

  • Equimose local: 30–50% — resolve em 7–14 dias
  • Dor/ardência à injeção: transitória, menor com polidocanol (efeito anestésico)
  • Tromboflebite superficial: 1–3%, especialmente em veias reticulares maiores
  • Ulceração/necrose cutânea: <1% — geralmente por extravasamento de STS em alta concentração
  • Reações alérgicas: raras (<0,3%) com detergentes; virtualmente inexistentes com glicose
Prevenção da hiperpigmentação: drenagem do microtrombo com agulha 18G entre 2–4 semanas pós-sessão reduz a incidência de hiperpigmentação em até 50%. Fotoproteção rigorosa (FPS 50+) durante todo o tratamento é obrigatória.

8. Escleroterapia vs. Laser Vascular: Comparativo

O laser vascular (Nd:YAG 1064nm, PDL 595nm) atua por fototermólise seletiva — a hemoglobina absorve a energia luminosa, gerando calor intravascular que coagula o vaso-alvo. É uma alternativa não invasiva à escleroterapia, com indicações complementares.

ParâmetroEscleroterapia (PEIM)Laser Nd:YAG 1064nm
Eficácia geral80–90%75–85%
Calibre ideal0,5–3 mm<1 mm
Área preferencialMembros inferioresFace, telangiectasias finas
DorLeve-moderadaModerada (snapping)
Sessões médias3–62–4
Hiperpigmentação10–30%5–15%
Custo por sessãoMenorMaior
Veias reticulares (>1mm)ExcelenteLimitado

Estudos comparativos (Munia et al., 2012) indicam que a escleroterapia é superior ou comparável ao laser para veias reticulares (1–3 mm) e telangiectasias finas. A combinação de ambas as técnicas oferece os melhores resultados em casos com múltiplos calibres vasculares.

9. Contraindicações

Absolutas

  • Trombose venosa profunda (TVP) ativa ou recente (<3 meses)
  • Trombofilia conhecida não controlada
  • Alergia documentada ao agente esclerosante
  • Gestação e lactação
  • Infecção cutânea ativa na área a ser tratada
  • Imobilidade prolongada (acamamento, viagem >4h nas 48h seguintes)

Relativas

  • Insuficiência venosa crônica avançada (CEAP C4–C6) — requer avaliação angiológica prévia
  • Uso de anticoagulantes (avaliar risco-benefício com equipe médica)
  • Histórico de matting extenso em tratamentos anteriores
  • Fototipos V–VI (risco aumentado de hiperpigmentação persistente)
  • Bronzeamento recente ou exposição solar intensa prevista
Avaliação pré-procedimento: Doppler venoso dos membros inferiores é recomendado antes do início do protocolo para descartar insuficiência de safena e refluxo em veias perfurantes, que exigem tratamento cirúrgico ou endovascular prévio.

10. Conclusão: Síntese Prática

Quadro ClínicoAbordagem RecomendadaExpectativa
Telangiectasias finas (<1 mm) isoladasGlicose 75% ou polidocanol 0,25% — 3–5 sessões80–90% clareamento
Telangiectasias + reticulares (1–3 mm)Polidocanol 0,5–1% — tratar feeding veins primeiro75–85% clareamento
Telangiectasias faciais ou <0,3 mmLaser Nd:YAG 1064nm (escleroterapia inviável)70–80% clareamento
Casos complexos (múltiplos calibres)Protocolo combinado: escleroterapia + laser85–95% clareamento
"A escleroterapia permanece como o tratamento de primeira linha para telangiectasias e veias reticulares dos membros inferiores. A escolha do agente esclerosante deve ser individualizada conforme calibre vascular, fototipo e histórico da paciente — não existe 'melhor substância', existe a substância mais adequada para cada caso."
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Cada tipo de vaso requer uma abordagem e concentração específica. Agende sua avaliação e descubra o protocolo ideal para o seu caso.

Perguntas Adicionais

Tratamentos íntimos podem ser feitos durante a menstruação?

Preferencialmente, agendar fora do período menstrual para conforto e melhor avaliação clínica.

Referências Científicas

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  3. Kern P, Ramelet AA, Wütschert R, Hayoz D. Compression after sclerotherapy for telangiectasias and reticular leg veins: a randomized controlled trial. J Vasc Surg. 2007;45(6):1212-1216. PMID 17467226
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Aviso importante: Este artigo tem finalidade informativa e educacional, não substitui consulta com profissional de saúde. Os resultados apresentados são baseados em médias de estudos clínicos e podem variar entre indivíduos. Consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer procedimento.
TA
Talita Almeida
Enfermeira Estética — COREN-SP 426.907 · ORCID 0009-0003-6199-1872
Revisão técnica: Dr. Alessandro Borges Alla — Médico · CRM-SP 118.136 · ORCID 0009-0003-0621-4755
Especialista em procedimentos estéticos minimamente invasivos, com foco em tratamentos vasculares e harmonização corporal baseada em evidências. Clínica em Moema, São Paulo.