Talita Almeida Blog Formatos de Bumbum
Estética Corporal · Classificação Científica

Formatos de Bumbum: Os 4 Tipos de Glúteo e Como Harmonizar Cada Um

Classificação científica de Mendieta, proporção cintura-quadril, proporção áurea e estratégias de harmonização personalizadas para cada morfotipo glúteo. O que a ciência diz sobre o seu formato.

Por Talita Almeida · · Enfermeira Esteta · COREN-SP 426.907 · Leitura: ~18 min
Principais Conclusões
  • Existem 4 morfotipos glúteos segundo Mendieta (2006/2018): Redondo, Quadrado, A (coração) e V
  • O formato Quadrado é o mais prevalente (~40%); o Redondo é o mais desejado esteticamente
  • A razão cintura-quadril (WHR) ideal varia entre 0,60 e 0,70 segundo estudos populacionais recentes
  • Pesquisas geométricas relacionam o contorno glúteo ideal à proporção áurea (φ = 1,618)
  • Cada morfotipo requer estratégia de harmonização específica — zonas de injeção e substâncias distintas
  • A estrutura óssea pélvica não é modificável por procedimentos estéticos — define o "teto" dos resultados
  • Nenhum RCT comparativo entre morfotipos e técnicas está disponível — evidência predominantemente nível IV
Dados da Classificação
4
Morfotipos segundo Mendieta
40%
Prevalência do Quadrado (mais comum)
0,65
WHR ideal (posterior) — Wong 2016
1,618
Proporção áurea (Phi) e contorno glúteo

1. Introdução

O interesse pela estética glútea cresceu exponencialmente nas últimas duas décadas. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que procedimentos de contorno glúteo — incluindo lipoenxertia (BBL) e harmonização com preenchedores e bioestimuladores — figuram entre os que mais cresceram em demanda global. No Brasil, a harmonização glútea tornou-se um dos procedimentos não cirúrgicos mais procurados.

Entretanto, antes de qualquer intervenção, é fundamental compreender que nem todo bumbum parte do mesmo formato. A anatomia individual — determinada pela largura da pelve, pelo volume da musculatura glútea e pelo padrão de deposição de gordura — cria morfotipos distintos. A classificação científica desses formatos é essencial para o planejamento terapêutico, pois cada tipo requer estratégias específicas para alcançar resultados naturais.

O sistema de classificação mais utilizado mundialmente é o de Mendieta (2006, revisado em 2018), que divide os glúteos em quatro formatos básicos: redondo, quadrado, A (coração/pera) e V (triângulo invertido). Estudos populacionais definiram parâmetros de proporção — como a razão cintura-quadril (WHR) e a correlação com a proporção áurea — que auxiliam na definição de metas estéticas objetivas.

Para complementar este artigo científico, criamos também um guia mais acessível no blog: Qual é o seu formato de bumbum? Descubra e saiba o que fazer.

2. Anatomia Determinante do Formato Glúteo

O formato externo do glúteo é o resultado tridimensional de três estruturas sobrepostas: o esqueleto pélvico, a musculatura glútea e o tecido adiposo subcutâneo. A compreensão dessas camadas é o primeiro passo para entender por que existem diferentes tipos de bumbum e como cada um pode ser harmonizado.

2.1 Estrutura Óssea Pélvica

A largura e a angulação do osso ilíaco determinam a "moldura" (frame) do glúteo. Pelves mais largas tendem a produzir formatos quadrados ou em A, enquanto pelves estreitas favorecem o formato em V. A altura da crista ilíaca, a inclinação sacral e a posição do trocânter maior são os marcos ósseos que definem os limites anatômicos da silhueta glútea. A estrutura óssea não pode ser modificada por nenhum procedimento estético — ela é o "chassis" sobre o qual trabalhamos.

2.2 Musculatura Glútea

Os três músculos glúteos — máximo, médio e mínimo — contribuem de maneiras distintas para o formato. O glúteo máximo é o principal responsável pela projeção posterior e pelo arredondamento. A revisão de Mendieta (2018) avalia o músculo em três tipos: tipo 1 (volume e projeção adequados), tipo 2 (volume adequado, projeção insuficiente) e tipo 3 (volume e projeção insuficientes). A tonicidade muscular é o fator mais modificável pelo exercício físico.

2.3 Tecido Adiposo Subcutâneo

A distribuição de gordura é geneticamente programada e hormonalmente modulada. O estrogênio favorece o depósito gluteofemoral, enquanto o envelhecimento promove redistribuição inferior e lateral. Estudos anatômicos (Rojas et al., 2022) identificaram compartimentos adiposos glúteos distintos cuja espessura cria as nuances dentro de cada formato. A depressão trocantérica — o popular hip dip — resulta da escassez relativa de tecido adiposo entre o trocânter maior e a crista ilíaca.

Conceito-Chave: Os Três Determinantes O formato do bumbum é definido por: (1) estrutura óssea pélvica — não modificável; (2) musculatura glútea — modificável por exercício; e (3) distribuição adiposa — parcialmente modificável por procedimentos. A harmonização glútea atua predominantemente sobre os componentes 2 e 3.

3. Classificação de Mendieta: Os 4 Formatos de Bumbum

Constantino G. Mendieta publicou em 2006, no periódico Clinics in Plastic Surgery, o primeiro sistema de classificação para avaliação glútea que se tornou referência mundial. Em 2018, Mendieta e Stuzin revisitaram e aprimoraram o sistema. A classificação avalia três componentes: o frame (moldura pélvica), o tipo muscular e a relação entre ambos.

Formato Prevalência Características Principais Anatomia Dominante
Quadrado (Square / H) ~40% Largura similar entre polo superior e inferior; pouca definição lateral; transição cintura-quadril discreta Pelve larga com crista ilíaca proeminente; distribuição adiposa uniforme
Formato A (Coração / Pera) ~30% Mais estreito na parte superior; mais largo na inferior; volume no polo inferior; cintura definida Pelve moderada; depósito adiposo predominante inferomedial e inferolateral
V (Triângulo Invertido) ~15% Mais largo na parte superior, afinando para baixo; projeção reduzida no polo inferior; associado ao envelhecimento Pelve larga superiorizada; perda de gordura inferoglútea por envelhecimento ou perfil androgênico
Redondo (Round / O) ~15% Distribuição equilibrada; boa projeção; curvatura simétrica; transições suaves; mais desejado esteticamente Pelve proporcional; volume muscular e adiposo bem distribuídos em todos os quadrantes

Fonte: Mendieta CG. Classification system for gluteal evaluation. Clin Plast Surg. 2006;33(3):333–346. Mendieta CG, Stuzin JM. Revisited. Clin Plast Surg. 2018;45(2):159–177.

3.1 Tipo Quadrado (Square / H)

O bumbum quadrado é o mais prevalente, representando aproximadamente 40% da população feminina segundo Mendieta. Neste formato, a distância entre os pontos mais laterais do polo superior e inferior do glúteo é semelhante, criando uma silhueta retangular ou em "H". A transição entre cintura e quadril é pouco acentuada, e a projeção lateral é discreta — frequentemente descrito como "achatado" ou "sem curva". O tratamento visa criar curvatura lateral, melhorar a projeção posterior e definir a transição cintura-quadril.

3.2 Tipo A (Coração / Pera)

O formato A — também chamado de coração invertido ou pera — é o segundo mais frequente (~30%). Caracteriza-se por uma região superior mais estreita e uma inferior mais volumosa. É o formato classicamente associado à distribuição estrogênica de gordura, considerado bastante feminino. Em muitos casos, a paciente está satisfeita com o volume inferior mas deseja mais preenchimento na parte superior ou nas laterais (hip dips). A harmonização foca no polo superior e na transição lateral para equilibrar a silhueta.

3.3 Tipo V (Triângulo Invertido)

O formato V representa cerca de 15% da população e é mais frequente em pacientes com: (a) envelhecimento avançado e ptose glútea, (b) perda de peso significativa, ou (c) perfil hormonal com menor influência estrogênica. Neste morfotipo, o volume se concentra na parte superior enquanto a porção inferior é deficiente, criando a aparência de "triângulo invertido". É o formato que mais se beneficia de restauração volumétrica no polo inferior.

3.4 Tipo Redondo (Round / O)

O formato redondo — também chamado de "bolha" — é observado em aproximadamente 15% da população e é consistentemente apontado como o mais desejado em pesquisas de preferência estética. Apresenta distribuição equilibrada de volume em todos os quadrantes, com boa projeção posterior e curvatura harmoniosa. Quando uma paciente com outro formato busca harmonização, o objetivo geralmente é aproximar-se do formato redondo, respeitando as limitações da anatomia individual.

4. Ilustrações dos Morfotipos Glúteos

As ilustrações abaixo representam de forma esquemática a visão posterior dos quatro formatos glúteos segundo a classificação de Mendieta. As linhas pontilhadas indicam os marcos anatômicos de referência (crista ilíaca, trocânter maior e prega infraglútea).

Crista ilíaca Trocânter Prega infragl. Largura ≈ igual sup/inf
Quadrado (Square / H)
Prevalência: ~40%
Largura similar entre polo superior e inferior. Transição cintura-quadril pouco definida. Projeção posterior discreta.
Crista ilíaca Trocânter Prega infragl. estreito largo Estreito sup → Largo inf
Formato A (Coração / Pera)
Prevalência: ~30%
Polo superior mais estreito, inferior mais volumoso. Distribuição estrogênica clássica. Cintura geralmente bem definida.
Crista ilíaca Trocânter Prega infragl. largo estreito Largo sup → Estreito inf
Formato V (Triângulo Invertido)
Prevalência: ~15%
Volume concentrado na parte superior, afinando para baixo. Associado ao envelhecimento, perda de peso ou perfil androgênico.
Crista ilíaca Trocânter Prega infragl. Equilibrado — Formato Ideal
Redondo (Round / O / Bolha)
Prevalência: ~15%
Distribuição equilibrada em todos os quadrantes. Projeção harmoniosa, curvatura simétrica. Formato mais desejado esteticamente.

Figura 1 — Representação esquemática (visão posterior) dos quatro morfotipos glúteos segundo Mendieta (2006, 2018). As linhas pontilhadas horizontais indicam os marcos anatômicos de referência. Ilustrações didáticas — formas reais apresentam variabilidade individual.

5. Proporções Ideais e a Razão Cintura-Quadril (WHR)

A razão cintura-quadril (waist-to-hip ratio — WHR) é o parâmetro antropométrico mais estudado na estética glútea. Definida como a razão entre a circunferência da cintura no ponto mais estreito e a circunferência do quadril no ponto de maior proeminência glútea, a WHR tem sido consistentemente associada à percepção de atratividade em estudos transculturais.

Por décadas, o valor de referência foi o WHR de 0,70, estabelecido por Singh (1993). Entretanto, um importante estudo de Wong e Motakef et al. (2016), publicado no Plastic and Reconstructive Surgery, com 989 respondentes, demonstrou uma mudança de paradigma: o WHR mais atrativo foi 0,65 na visão posterior (escolhido por 44,2% dos respondentes) e 0,70 na visão lateral (29,8%).

Estudo n WHR Ideal (Posterior) WHR Ideal (Lateral) Observação
Singh, 1993 Múltiplos 0,70 Referência clássica; valor considerado "universal"
Wong & Motakef, 2016 989 0,65 0,70 Mudança de paradigma; preferência por curvas mais acentuadas
Eur J Plast Surg, 2024 Survey 0,75 (posterior) 0,70 Correlação com proporção áurea; imagem com Phi = 1,618 mais escolhida

Os dados apontam uma tendência clara: nas duas últimas décadas, a preferência popular migrou para WHRs mais baixos (curvas mais dramáticas). Mendieta enfatiza que o ponto de máxima projeção deve localizar-se na transição do terço médio para o terço inferior do glúteo, criando a impressão de um bumbum "empinado" e volumoso.

"Os novos WHRs ideais de 0,60 e 0,65 atualizam os padrões anteriores e indicam uma preferência mais dramática e 'curvilínea' — sinalizando uma mudança de paradigma importante na percepção de atratividade glútea." — Wong WW, Motakef S et al. Plast Reconstr Surg. 2016;137(6):1739–1749.
Resultado de harmonização glútea — visão lateral antes e depois
Visão lateral — resultado real de harmonização glútea
Resultado de harmonização glútea — visão posterior antes e depois
Visão posterior — contorno e projeção após harmonização
Ressalva Importante Valores de WHR são referências populacionais, não metas absolutas. O resultado "ideal" deve sempre ser individualizado, considerando a estrutura óssea, proporções corporais globais, expectativas da paciente e limitações anatômicas de cada caso.

6. O Glúteo e a Proporção Áurea

A proporção áurea (Phi = 1,618) é uma constante matemática historicamente associada à beleza em arte, arquitetura e natureza. Estudos recentes investigaram se essa mesma relação se aplica à estética glútea — e os resultados são intrigantes.

Um estudo publicado no European Journal of Plastic Surgery (2024, PMC11410313) demonstrou que o perímetro de uma espiral áurea se sobrepõe de forma notável ao contorno do que é considerado um glúteo esteticamente agradável, tanto na posição em pé quanto sentada. Os autores propuseram que o formato "ideal" do bumbum pode ser geometricamente descrito pela curvatura de uma espiral áurea inscrita no contorno glúteo.

6.1 Dois Pontos de Referência Importantes

A análise revelou dois pontos particularmente relevantes: o Ponto A — ponto de maior projeção lateral — localiza-se mais inferiormente do que convencionalmente se assume; e o Ponto B — ponto de maior projeção inferior — posiciona-se no sulco infraglúteo, deslocado medialmente. Esses achados convergem com orientações clínicas previamente publicadas por Mendieta e Abboud.

Ponto A Max. projeção lateral Ponto B Max. projeção inferior φ = 1,618 Espiral áurea Contorno glúteo
Figura 2 — Representação esquemática da sobreposição entre a espiral áurea (Fibonacci) e o contorno glúteo ideal na visão lateral. O Ponto A (máxima projeção lateral) localiza-se mais inferiormente do que o convencionalmente assumido. Adaptado de Eur J Plast Surg, 2024 (PMC11410313).
Nota Sobre a Proporção Áurea Os autores enfatizam que suas análises são formuladas exclusivamente de um ponto de vista estético-geométrico, sem validação clínica. A proporção áurea é um modelo teórico interessante, mas não deve ser utilizada como regra absoluta no planejamento terapêutico. O julgamento clínico individualizado permanece superior a qualquer fórmula matemática.

7. Variações Étnicas nas Preferências Estéticas

As preferências estéticas para o formato e volume glúteo variam significativamente entre diferentes grupos étnicos. Roberts, Toledo e Badin (2010) sistematizaram essas diferenças em estudo publicado no Clinics in Plastic Surgery:

Grupo Étnico Tamanho Desejado Lateralidade Coxa Lateral Volume Médio
Caucasiano Cheio, não excessivo Arredondado ou c/ concavidade lateral Sem preenchimento lateral 400–780 cc/lado
Hispânico Muito cheio Laterais muito preenchidas Leve preenchimento ~700 cc/lado
Afrodescendente O mais cheio possível Alta plenitude lateral Preenchimento de coxa ~825 cc/lado (até 2.000)
Asiático Pequeno a moderado, torneado Sem plenitude lateral excessiva Sem preenchimento lateral 550–800 cc/lado

Fonte: Roberts TL, Toledo LS, Badin AZ. Ethnic Considerations in Buttock Aesthetics. Clin Plast Surg. 2010;37(2):281–296. PMC2884922. Nota: os volumes são referências de lipoenxertia (BBL), aplicados como referência comparativa para dimensionamento de outros procedimentos.

É fundamental ressaltar que essas são tendências populacionais, não regras individuais. A globalização cultural, a influência das redes sociais e as preferências pessoais criam ampla variação dentro de cada grupo. O profissional deve sempre realizar anamnese estética individualizada, sem assumir preferências baseadas em etnia.

No contexto brasileiro, a miscigenação de preferências torna a generalização étnica particularmente limitada. A busca por um "bumbum brasileiro" — associado a volume moderado a grande, boa projeção e formato arredondado — transcende grupos étnicos e é culturalmente pervasiva.

8. Outras Escalas de Avaliação Glútea

Além da classificação de Mendieta, outras escalas complementam a avaliação da região glútea:

8.1 Cuenca-Guerra e Quezada (2004)

O estudo "What makes buttocks beautiful?" identificou quatro depressões anatômicas como determinantes da beleza glútea: (1) a depressão lateral (formada pelo trocânter maior); (2) a prega infraglútea curta; (3) a fossa glútea superior; e (4) o sulco em V do triângulo sacral. A presença e definição adequada dessas depressões criam o jogo de "luz e sombra" que define um glúteo esteticamente atrativo.

8.2 Cuenca-Guerra e Lugo-Beltrán: Classificação por Projeção

Propõem uma classificação em 5 tipos baseada na razão de projeção — a distância do trocânter maior até a máxima projeção púbica dividida pela distância até a máxima projeção glútea. Cada tipo (I a V) tem indicação terapêutica específica, desde lipoaspiração isolada (Tipo I) até combinação de implantes e excisão cutânea (Tipo V, ptose significativa).

8.3 OBAS — Objective Buttocks Assessment Scale

Publicada em 2022, a OBAS busca uma avaliação objetiva e reprodutível, incluindo critérios como projeção, simetria, definição de sulcos, qualidade de pele e contorno lateral. Ainda em fase de validação em estudos multicêntricos.

Escala Autor / Ano Foco Principal Parâmetros
Classificação Morfotípica Mendieta, 2006/2018 Formato do frame + tipo muscular 4 tipos: Redondo, Quadrado, A, V
Determinantes de Beleza Cuenca-Guerra & Quezada, 2004 Depressões anatômicas e sulcos 4 depressões-chave
Classificação por Projeção Cuenca-Guerra & Lugo-Beltrán Razão de projeção (WX:WY) 5 tipos (I–V) com indicações terapêuticas
OBAS 2022 Avaliação objetiva multidimensional Projeção, simetria, sulcos, pele, contorno
Escala Visual de Preferência Wong & Motakef, 2016 Comunicação paciente-médico Imagens com WHR e proporções variáveis

9. Estratégias de Harmonização por Morfotipo

A harmonização glútea — que inclui preenchimento com ácido hialurônico (HA), bioestimuladores de colágeno (PLLA, CaHA) e tratamentos para melhora da qualidade da pele — deve ser personalizada de acordo com o formato glúteo de base. A tabela abaixo sintetiza as estratégias recomendadas pela literatura:

Morfotipo Objetivos Principais Zonas Prioritárias Substâncias Observações
Quadrado Criar curvatura lateral; aumentar projeção; definir transição cintura-quadril Quadrante superolateral; laterais (hip dip); polo posterior central PLLA (contorno + bioestímulo); HA volumizador; CaHA hiperdilúída Pode requerer maior volume total; resultados mais dramáticos
Formato A Equilibrar polo superior; preencher hip dips laterais; harmonizar transição Quadrante superolateral; fossa trocantérica PLLA (polo superior); HA (hip dips); CaHA (qualidade cutânea) Cuidado para não aumentar excessivamente o volume inferior já presente
Formato V Restaurar volume inferolateral; melhorar projeção posterior; corrigir ptose leve Polo inferior; quadrante inferolateral; prega infraglútea HA volumizador (restauração); PLLA (sustentação); exercícios direcionados Ptose significativa pode necessitar de procedimentos cirúrgicos associados
Redondo Manutenção; melhora de qualidade de pele; tratamento de celulite; refinamento Tratamento difuso; bioestímulo global; zonas de celulite CaHA hiperdilúída (bioestímulo); PLLA (manutenção); HA pontual Formato já favorável; tratamentos mais sutis e de manutenção

Nota: as indicações são diretrizes gerais baseadas na literatura e prática clínica. O planejamento final deve sempre ser individualizado após avaliação presencial completa.

9.1 O Papel do Exercício Físico

É fundamental destacar que a harmonização com injetáveis e o exercício físico são complementares, não excludentes. O treino resistido de glúteos — especialmente agachamento profundo, hip thrust e abdução de quadril — pode hipertrofiar o glúteo máximo e médio, melhorando projeção e contorno. Para o formato quadrado, o foco deve ser em exercícios que desenvolvam a porção lateral do glúteo médio. A combinação de hipertrofia muscular com bioestímulo/preenchimento produz resultados superiores à abordagem isolada.

10. Zonas de Injeção e Técnica "7-Shaped Frame"

Um estudo importante de 2023, publicado no Aesthetic Surgery Journal Open Forum (PMC10286883), descreveu a técnica "Firm and Up" para injeção direcionada de PLLA na região glútea, dividindo a área em duas zonas estratégicas:

10.1 O "7-Shaped Frame" (Moldura em 7)

A primeira zona é o "frame em 7" — uma estrutura constante tratada em todas as pacientes, independente do morfotipo. Localiza-se ao longo da borda superior e inferolateral do glúteo, correspondendo à inserção superior do glúteo máximo (2–3 cm abaixo da crista ilíaca) e à zona de concentração de celulite na porção inferolateral. É sempre tratada porque concentra os sinais mais comuns de envelhecimento e flacidez glútea.

10.2 A Zona-Alvo (Target Area)

A segunda zona é variável conforme o objetivo estético e o morfotipo:

Objetivo Localização da Zona-Alvo Distribuição Produto Morfotipos Principais
Qualidade de Pele Difusa (toda a região com flacidez/celulite) 50% frame / 50% alvo Redondo (manutenção); todos com celulite
Contorno e Lifting Quadrante superolateral 60% frame / 40% alvo Quadrado; Formato A (equilibrar)
Volume e Projeção Quadrante superomedial 40% frame / 60% alvo V; Quadrado (projeção insuficiente)
Parâmetros Técnicos (PLLA) — Referência Bibliográfica Reconstituição: 16–20 mL de água estéril por frasco. Dispositivos: cânulas 18–22G (frame e alvo), agulhas 25G (pontos de celulite). Técnica: threading linear retrógrado com fanning. Dosagem: 1–2 frascos/lado por sessão, em 2–4 sessões espaçadas por 6–8 semanas. Fonte: PMC10286883.

11. Limitações e Considerações Éticas

11.1 Limitações da Classificação de Mendieta

A classificação em quatro tipos é uma simplificação didática. Na prática clínica, muitas pacientes apresentam formatos intermediários ou assimétricos que não se encaixam perfeitamente em nenhuma categoria. A avaliação deve considerar o formato como um espectro, não como categorias discretas. Além disso, a maioria dos estudos foi realizada em populações predominantemente norte-americanas e europeias, e a aplicabilidade universal necessita de validação adicional.

11.2 Proporções Ideais: Contexto Cultural

Os valores de WHR "ideal" são médias populacionais que variam com cultura, época e influência midiática. Utilizá-los como metas absolutas pode levar a resultados artificiais ou desproporcionais. O profissional deve contextualizar os parâmetros dentro das proporções corporais globais de cada paciente.

11.3 Expectativas Realistas

A estrutura óssea pélvica é imutável. Uma paciente com pelve tipicamente quadrada poderá ter sua silhueta significativamente melhorada, mas transformar um formato quadrado em perfeitamente redondo pode exceder as possibilidades dos procedimentos não cirúrgicos. A comunicação transparente sobre limites e possibilidades é ética e clinicamente indispensável.

Atenção: Substâncias Proibidas O uso de silicone industrial, biopolímeros e substâncias não regulamentadas para aumento de volume glúteo é ilegal e potencialmente letal. Complicações incluem migração, granulomas, embolia e óbito. Apenas substâncias aprovadas pela ANVISA, aplicadas por profissionais habilitados em ambientes adequados, devem ser utilizadas.

12. Conclusão

O formato do bumbum é determinado pela tríade de estrutura óssea pélvica, musculatura glútea e padrão de deposição adiposa. A classificação de Mendieta (2006, revisada em 2018) permanece como o sistema mais aceito internacionalmente, categorizando os glúteos em quatro formatos: redondo, quadrado, A (coração/pera) e V (triângulo invertido), com prevalências de aproximadamente 15%, 40%, 30% e 15%, respectivamente.

O formato redondo, com distribuição equilibrada de volume e boa projeção, é consistentemente apontado como o mais desejado esteticamente. A proporção cintura-quadril (WHR) ideal varia entre 0,60 e 0,70, com evidências recentes de uma preferência por curvas mais acentuadas do que os padrões clássicos. Estudos geométricos sugerem uma correlação teórica entre o contorno glúteo ideal e a proporção áurea (Phi = 1,618).

Para a prática clínica, o reconhecimento do morfotipo de base é o primeiro passo no planejamento da harmonização glútea. Cada formato requer estratégia distinta de tratamento, com zonas de injeção, substâncias e objetivos específicos. Por fim, é essencial manter expectativas realistas e comunicar claramente as limitações anatômicas — a classificação é uma ferramenta de planejamento, não um padrão de beleza universal.

Avaliação Personalizada

Qual é o seu formato de bumbum?

Cada morfotipo requer uma estratégia específica. Agende uma avaliação presencial para identificar o seu formato e planejar a harmonização personalizada.

TA
Talita Almeida
Enfermeira Esteta · COREN-SP 426.907
Conteúdo baseado em revisão da literatura científica indexada. Material educacional — não substitui avaliação presencial.
13. Referências
  1. Mendieta CG. Classification system for gluteal evaluation. Clin Plast Surg. 2006;33(3):333–346. doi:10.1016/j.cps.2006.04.001
  2. Mendieta CG, Stuzin JM. Classification System for Gluteal Evaluation: Revisited. Clin Plast Surg. 2018;45(2):159–177. doi:10.1016/j.cps.2017.12.013
  3. Cuenca-Guerra R, Quezada J. What makes buttocks beautiful? A review and classification of the determinants of gluteal beauty and the surgical techniques to achieve them. Aesthetic Plast Surg. 2004;28(5):340–347.
  4. Wong WW, Motakef S, Lin Y, Sprague S. Redefining the Ideal Buttocks: A Population Analysis. Plast Reconstr Surg. 2016;137(6):1739–1749. doi:10.1097/PRS.0000000000002192
  5. Relationship between the Ideal Female Buttock and the Golden Ratio. Eur J Plast Surg. 2024. PMC11410313.
  6. Roberts TL, Toledo LS, Badin AZ. Ethnic Considerations in Buttock Aesthetics. Clin Plast Surg. 2010;37(2):281–296. PMC2884922.
  7. Singh D. Adaptive significance of female physical attractiveness: role of waist-to-hip ratio. J Pers Soc Psychol. 1993;65(2):293–307.
  8. Oranges CM et al. The ideal buttock: some aesthetic and morphometric considerations. Eur J Plast Surg. 2023;46:1053–1060.
  9. Targeted and Individualized Gluteal Poly-L-Lactic Acid Injection for Optimal Aesthetic Results. Aesthet Surg J Open Forum. 2023;5:ojad048. PMC10286883.
  10. The Objective Buttocks Assessment Scale (OBAS): a new and complete method to assess the gluteal region. 2022.
  11. Rojas YA et al. Gross anatomical study of the subcutaneous structures that create the three-dimensional shape of the buttocks. Plast Reconstr Surg. 2023;151(1):132–142.
  12. Gluteal Shape Framework for Augmentation Surgery: A Systematic Review. Aesthet Surg J. 2023;43(3):NP148–NP159.
  13. Cuenca-Guerra R, Lugo-Beltran I. Beautiful Buttocks: Characteristics and Surgical Techniques. Clin Plast Surg. 2006;33(3):321–332.
  14. Broer PN, Heidekrueger PI. The Ideal Buttock Size: A Sociodemographic Morphometric Evaluation. Plast Reconstr Surg. 2020.
  15. Cosmetic Surgery and the Diversity of Cultural and Ethnic Perceptions of Gluteal Aesthetics in Women. Cureus. 2023;15(6):e39976. PMC10258039.
Aviso Legal: Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. As informações são baseadas em publicações científicas indexadas e não constituem aconselhamento médico individualizado. Procedimentos estéticos devem ser realizados por profissionais habilitados após avaliação presencial completa. Consulte sempre um profissional qualificado antes de qualquer procedimento. COREN-SP 426.907.