
Índice do Artigo
A colagenase injetável funciona para celulite?
Sim, com eficácia estatisticamente demonstrada, porém modesta em magnitude absoluta. Nos dois ensaios clínicos de fase 3 (RELEASE-1 e RELEASE-2), a colagenase de Clostridium histolyticum (CCH-aaes, comercializada como QWO nos EUA) obteve resposta composta de pelo menos 2 níveis de melhora em 7,6% e 5,6% das pacientes tratadas, contra 1,9% e 0,5% no grupo placebo — diferença estatisticamente significativa (p ≤ 0,006), mas que deixa claro que a maioria das pacientes obtém melhora parcial, não eliminação da celulite.[3]
A aprovação do FDA (2020) é restrita a nádegas de mulheres adultas com celulite moderada a severa. O evento adverso mais comum é a equimose no local da injeção, relatada em 84% das participantes nos ensaios clínicos do produto[3] e estimada em 89% (IC95% 71–96%) na metanálise de 2024 que agrupou cinco estudos de colagenase.[7] Não há ensaio clínico randomizado comparando CCH diretamente contra subcisão (Cellfina/Avéli) — a comparação disponível vem de uma metanálise que reúne estudos separados de cada técnica, não um head-to-head direto.
- FDA aprovou a colagenase (QWO/CCH-aaes) em julho de 2020, exclusivamente para celulite moderada-severa em nádegas de mulheres adultas
- RELEASE-1 e RELEASE-2 (fase 3, n = 843): resposta composta ≥2 níveis em 7,6% e 5,6% vs. 1,9% e 0,5% no placebo
- Mecanismo: duas colagenases bacterianas (AUX-I/AUX-II) hidrolisam especificamente colágeno tipo I e III dos septos fibrosos
- Metanálise de 2024 (14 estudos, 1.254 pacientes): equimose mais frequente na subcisão (99%) que na colagenase (89%), embora os intervalos de confiança de 95% se sobreponham (85–99% vs 71–96%), ou seja, a diferença não é necessariamente significativa; dor com necessidade de analgésico mais frequente na colagenase (74% vs 60%)
- Protocolo dos trials: até 3 sessões, ~21 dias de intervalo, 12 injeções por área tratada (até 2 áreas por sessão)
- Produto descontinuado comercialmente pela Endo em dezembro de 2022 — decisão comercial e de tolerabilidade, sem revogação do registro pelo FDA
- Não há RCT comparando CCH e subcisão diretamente — apenas metanálise de estudos independentes
1. Introdução: Uma Nova Classe de Tratamento Injetável
A celulite — mais precisamente descrita como uma alteração estrutural da junção derme-subcutâneo — afeta a grande maioria das mulheres pós-puberdade, independentemente de peso ou condicionamento físico.[1] Por décadas, o arsenal terapêutico se dividiu entre tecnologias de energia (radiofrequência, laser, ondas de choque), com resultados modestos e temporários, e a subcisão mecânica, que rompe fisicamente os septos fibrosos com uma agulha ou lâmina.
A colagenase de Clostridium histolyticum (abreviada CCH, na formulação específica para celulite chamada CCH-aaes) representa uma terceira via: em vez de energia ou corte mecânico, a enzima digere quimicamente o colágeno que compõe os septos fibrosos responsáveis pela tração da pele. É a mesma classe de enzima já usada há mais de uma década para contratura de Dupuytren e doença de Peyronie (nome comercial Xiaflex), reaproveitada para uma nova indicação estética.
Em 2020, o FDA aprovou a primeira formulação injetável específica para celulite sob o nome comercial QWO, tornando-se o primeiro medicamento injetável aprovado para essa indicação nos Estados Unidos.
2. Mecanismo de Ação: Duas Enzimas, Um Alvo Molecular


A CCH-aaes é composta por duas colagenases produzidas pela bactéria Clostridium histolyticum — a Colagenase Classe I (AUX-I) e a Colagenase Classe II (AUX-II) — combinadas em proporção de massa 1:1. As duas enzimas atuam em sítios distintos da molécula de colágeno, o que confere um efeito hidrolítico sinérgico maior do que qualquer uma isoladamente teria.
- Especificidade molecular: as colagenases hidrolisam preferencialmente colágeno tipo I e tipo III sob condições fisiológicas — os principais componentes estruturais dos septos fibrosos
- Alvo anatômico: quando injetada na depressão da celulite, a enzima atua sobre o septo fibroso tracionado à derme, rompendo-o enzimaticamente e aliviando a tensão local que produz a depressão visível na superfície da pele
- Sem energia térmica ou corte: ao contrário de RF/laser (dano térmico controlado) ou subcisão (corte mecânico com agulha/cânula), o mecanismo é puramente enzimático

3. Trial de Fase 2: Prova de Conceito
Evidência Moderada — Antes dos trials pivotais de fase 3, um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo avaliou a CCH para o tratamento da paniculopatia edemato-fibroesclerótica (nome técnico da celulite) em mulheres adultas. O estudo comparou diferentes protocolos de dose e confirmou o sinal de eficácia que justificou avançar para fase 3, além de estabelecer o regime de até 3 sessões com aproximadamente 21 dias de intervalo entre elas.[2]
No ensaio de fase 2, 375 mulheres (idade média 46,5 anos) foram randomizadas para CCH (n = 189) ou placebo (n = 186). No dia 71, as taxas de resposta composta de 2 níveis e de 1 nível foram de 10,6% e 44,6% com CCH, contra 1,6% e 17,9% com placebo (p < 0,001 para ambos os desfechos), resultado que justificou o avanço para a fase 3 e consolidou a dose de 0,84 mg por área tratada.[2]
4. RELEASE-1 e RELEASE-2: Os Trials Pivotais de Fase 3
Evidência Forte — Dois ensaios clínicos de fase 3, randomizados, duplo-cegos, controlados por placebo e de desenho idêntico (RELEASE-1, NCT03428750; RELEASE-2, NCT03446781) constituem a base regulatória da aprovação FDA. Mulheres adultas com celulite moderada a severa nas nádegas (grau 3–4 nas escalas PR-PCSS e CR-PCSS) receberam até 3 sessões de CCH 0,84 mg por área tratada ou placebo, injetadas subcutaneamente nas depressões marcadas.[3]
| Estudo | N (CCH vs. placebo) | Resposta composta ≥2 níveis | Significância |
|---|---|---|---|
| RELEASE-1 | 210 vs. 213 | 7,6% vs. 1,9% | p = 0,006 |
| RELEASE-2 | 214 vs. 206 | 5,6% vs. 0,5% | p = 0,002 |
Ao todo, 843 mulheres receberam pelo menos uma injeção nos dois estudos combinados.[3] O desfecho primário — resposta composta de pelo menos 2 níveis simultâneos de melhora tanto na avaliação da paciente quanto do investigador — favoreceu consistentemente o grupo CCH em ambos os estudos, com significância estatística mantida.
O desfecho menos restritivo, de resposta composta de pelo menos 1 nível, mostra magnitude bem maior e ajuda a dimensionar o efeito real: 37,1% vs 17,8% no RELEASE-1 e 41,6% vs 11,2% no RELEASE-2 (p < 0,001 em ambos).[3] A leitura honesta é que cerca de 4 em cada 10 pacientes tratadas obtiveram melhora perceptível de 1 nível, enquanto menos de 1 em 10 atingiu o desfecho rigoroso de 2 níveis simultâneos. Poucas participantes descontinuaram por evento adverso (≤4,3%).
Uma análise por imagem tridimensional em 58 mulheres e 403 depressões documentou redução do volume negativo total das depressões de 27% no dia 90 e 26% no dia 180 (p < 0,001 e p = 0,002), com contorno glúteo global classificado como melhorado em 27% das participantes no dia 90 — um desfecho objetivo que complementa as escalas subjetivas dos trials pivotais, embora provenha de um estudo aberto, subanálise patrocinada pela fabricante — limitação que recomenda a mesma cautela interpretativa aplicada ao estudo pivotal da subcisão.[6]
5. Aprovação FDA e o Produto QWO
Em julho de 2020, o FDA aprovou a colagenase clostridium histolyticum-aaes sob o nome comercial QWO (Endo International) para o tratamento de celulite moderada a severa nas nádegas de mulheres adultas — tornando-se o primeiro tratamento injetável aprovado pela agência especificamente para essa indicação.[3] O produto chegou ao mercado americano em 2021, mas teve vida comercial curta: em 6 de dezembro de 2022 a Endo anunciou a cessação da produção e da venda do QWO, alegando a extensão e a variabilidade das equimoses após a primeira aplicação e o potencial de descoloração cutânea prolongada. A empresa havia conduzido um estudo aberto dedicado (APHRODITE) para testar intervenções mitigadoras da equimose; nenhuma das coortes obteve redução consistente o bastante para reverter a percepção de mercado. É importante distinguir: não houve retirada por sinal de segurança novo nem revogação do registro pelo FDA — a aprovação permanece formalmente válida e a decisão foi comercial e de tolerabilidade. Na prática, porém, a colagenase para celulite não está comercialmente disponível desde então, o que converte este artigo em uma revisão de uma classe terapêutica descontinuada, cujo maior valor hoje é a lição sobre a distância entre significância estatística e aceitabilidade clínica.
6. Colagenase vs. Subcisão (Cellfina/Avéli)
A subcisão mecânica — popularizada pelos dispositivos Cellfina e, mais recentemente, Avéli — rompe fisicamente os septos fibrosos com uma cânula ou lâmina guiada. É a abordagem historicamente mais estudada para tratar a causa estrutural da celulite, com o estudo pivotal do Cellfina relatando manutenção do benefício por até 3 anos após sessão única — ressalvando que se trata de um estudo aberto, de braço único e com 45 participantes, sem grupo controle e, portanto, com nível de evidência inferior ao dos ensaios de fase 3 da colagenase.[5]
Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2024 reuniu 14 estudos (5 de CCH, 9 de subcisão), totalizando 1.254 pacientes (465 com CCH, 789 com subcisão), e comparou os perfis de eficácia e segurança das duas abordagens.[7] É importante destacar que não existe até o momento um ensaio clínico randomizado head-to-head comparando as duas técnicas diretamente na mesma coorte de pacientes — a comparação é indireta, entre estudos separados.
| Desfecho | Colagenase (CCH) | Subcisão (TS) |
|---|---|---|
| Equimose | ~89% | ~99% |
| Dor com necessidade de analgésico | ~74% | ~60% |
| Induração | 7% (IC95% 5–11%) | 7% (IC95% 2–25%) |
| Descoloração da pele | ~16% | ~7% |
| Invasividade | Injeção (agulha fina) | Cânula/lâmina subcutânea |
Em síntese: a subcisão tende a gerar mais equimose (praticamente universal), enquanto a colagenase tende a gerar mais dor que exige analgesia e mais descoloração da pele. Ambas são consideradas eficazes e minimamente invasivas frente às alternativas cirúrgicas, mas o perfil de efeitos colaterais — não a eficácia comparativa direta, que carece de estudo head-to-head — é o principal diferenciador documentado até hoje. A induração foi equivalente entre as técnicas (7% em ambas), com intervalo de confiança bem mais amplo na subcisão pela maior heterogeneidade entre os estudos incluídos.[7] Vale registrar ainda que a metanálise agregou estudos de região glútea e de coxas, o que introduz heterogeneidade anatômica na comparação.
7. Comparação com Radiofrequência e Laser
Tecnologias de energia (radiofrequência monopolar/bipolar, laser subdérmico) atuam predominantemente sobre a microcirculação, o edema e, em menor grau, sobre estímulo de colágeno novo — mas não rompem diretamente os septos fibrosos tracionados. Por isso, seu efeito sobre a depressão estrutural profunda tende a ser mais modesto e, em geral, a demandar sessões de manutenção periódicas, cujo intervalo ideal não está padronizado na literatura — diferentemente do racional mecanístico direto da colagenase e da subcisão.
Evidência Moderada — Não há ensaios comparando diretamente CCH contra RF ou laser em desenho randomizado. A escolha entre essas classes de tratamento costuma ser guiada pelo mecanismo dominante identificado na avaliação clínica: depressão fixa e bem delimitada (favorece abordagem estrutural — CCH ou subcisão) versus componente difuso de flacidez/edema (favorece energia).
8. Perfil de Segurança e Eventos Adversos
O evento adverso mais frequente e virtualmente esperado da colagenase injetável é a equimose no local de aplicação, relatada em 84% das pacientes tratadas nos trials de fase 3.[3] Outros eventos comuns incluem:
- Dor no local da injeção, por vezes exigindo analgesia
- Endurecimento (induração) transitório da área tratada
- Prurido, eritema e edema local
- Sensação de calor na região tratada
A grande maioria dos eventos é leve a moderada, autolimitada, e resolve dentro de dias a poucas semanas. Reações de hipersensibilidade mais graves são raras — motivo pelo qual o histórico de alergia deve ser rastreado na triagem, assim como uso de anticoagulantes (que podem intensificar a equimose).
9. Quem é Candidata ao Tratamento
Com base no desenho dos trials pivotais, o perfil de candidata mais respaldado pela evidência é:
- Mulher adulta com celulite moderada a severa (grau 3–4 nas escalas PR-PCSS/CR-PCSS) na região glútea
- Depressões bem delimitadas e localizáveis, passíveis de marcação individual para injeção
- Sem histórico de alergia a colagenase ou aos excipientes da formulação
- Ciente do downtime esperado (equimose) e das expectativas realistas de melhora parcial, não eliminação total
Não é indicado para gestantes, e a segurança em amamentação não está estabelecida nos trials publicados. A avaliação individual é indispensável para confirmar elegibilidade, mapear as depressões-alvo e alinhar expectativas antes de qualquer decisão terapêutica.
10. Protocolo e Expectativas de Resultado
O regime avaliado nos trials de fase 3 seguiu o padrão:
| Parâmetro | Protocolo dos trials |
|---|---|
| Número de sessões | Até 3 |
| Intervalo entre sessões | ~21 dias |
| Injeções por sessão | 12 por área tratada, em até 2 áreas por sessão (até 24) |
| Dose | 0,84 mg por área tratada (até 1,68 mg por sessão em 2 áreas) |
A melhora reportada nos estudos é progressiva ao longo das semanas seguintes a cada sessão, à medida que a enzima atua e o tecido remodela. Dados de seguimento de longo prazo (além do período dos trials pivotais) e de durabilidade multi-anual comparável ao Cellfina ainda são mais limitados na literatura publicada — um ponto de atenção ao definir expectativa de manutenção.
11. Limitações da Evidência Disponível
- Comparação direta (head-to-head) randomizada entre CCH e subcisão — a diferença de eficácia entre as duas é inferida indiretamente, não comprovada em ensaio comparativo direto
- Durabilidade multi-anual do resultado, com dados de seguimento mais longos que os dos trials pivotais
- Eficácia e segurança em áreas fora das nádegas, que carecem da mesma robustez regulatória
- Efeito em graus mais leves de celulite (os trials incluíram apenas grau 3–4)
O próprio comentário editorial que acompanhou a publicação dos trials pivotais na Dermatologic Surgery destacou a tensão entre a significância estatística do desfecho composto e a percepção prática de benefício pela paciente, apontando a necessidade de expectativas calibradas na comunicação clínica.[4]
12. Perguntas Frequentes
O que é a colagenase de Clostridium histolyticum usada na celulite?
É uma enzima injetável (CCH-aaes, nome comercial QWO nos EUA) composta por duas colagenases bacterianas (AUX-I e AUX-II) que hidrolisam especificamente colágeno tipo I e III. Injetada nas depressões da celulite, ela quebra enzimaticamente os septos fibrosos que tracionam a derme para baixo, sem incisão. É aprovada pelo FDA desde 2020 exclusivamente para celulite moderada a severa nas nádegas de mulheres adultas.
A colagenase para celulite funciona em qualquer parte do corpo?
Não. A aprovação FDA e os trials pivotais RELEASE-1 e RELEASE-2 avaliaram exclusivamente a região glútea (nádegas) de mulheres adultas. Uso em coxas ou outras áreas é off-label, com dados de segurança e eficácia mais limitados — a literatura mais robusta é específica para o glúteo.
Colagenase ou subcisão (Cellfina/Avéli): qual tem mais evidência?
As duas técnicas não têm o mesmo nível de evidência. A colagenase tem dois ensaios de fase 3 randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo (RELEASE-1 e RELEASE-2). A subcisão guiada tem base menos robusta: o estudo pivotal do Cellfina foi aberto, de braço único, com 45 participantes e seguimento de 3 anos. Uma revisão sistemática com metanálise de 2024 comparou os dois métodos indiretamente e encontrou perfis de eventos adversos distintos: mais equimose na subcisão (99% vs 89%), mais dor exigindo analgésico na colagenase (74% vs 60%) e mais descoloração da pele na colagenase (16% vs 7%), com induração equivalente (7% em ambas). Não existe ensaio comparativo direto head-to-head.
Quais os principais efeitos colaterais da colagenase para celulite?
O evento adverso mais comum é a equimose no local da injeção, relatada em 84% das participantes nos ensaios clínicos do produto e estimada em 89% (IC95% 71–96%) na metanálise de 2024 que agrupou cinco estudos de colagenase. Também são frequentes dor, endurecimento (induração), prurido, vermelhidão e edema. A maioria dos eventos é leve a moderada e resolve em semanas. Reação alérgica grave é rara mas descrita.
Quantas sessões de colagenase são necessárias para celulite?
Os trials de fase 3 utilizaram até 3 sessões de tratamento, com aproximadamente 21 dias de intervalo entre elas, e 12 injeções por área tratada, em até 2 áreas por sessão (até 24 injeções). O protocolo é definido pela gravidade e número de depressões na avaliação individual.
O QWO está disponível no Brasil?
Não. O QWO nunca teve registro na Anvisa para a indicação de celulite e, desde dezembro de 2022, não está disponível em nenhum mercado — a fabricante (Endo) cessou a produção e a venda mundialmente por causa do perfil de equimose e descoloração cutânea. A aprovação do FDA citada neste artigo é histórica. Não há, portanto, oferta legal ou comercial deste produto no Brasil.
13. Conclusão: Onde a Colagenase se Encaixa no Arsenal Terapêutico
A colagenase de Clostridium histolyticum adicionou, em 2020, uma alternativa farmacológica de mecanismo direto ao tratamento da celulite glútea — rompendo enzimaticamente os septos fibrosos sem cortes. A evidência de fase 3 (RELEASE-1/RELEASE-2) confirma superioridade estatística sobre placebo, com efeito absoluto modesto e perfil de segurança dominado pela equimose quase universal.
Frente à subcisão, a colagenase representava uma opção sem instrumento cortante, mas sem vantagem de eficácia comprovada em comparação direta. A questão tornou-se largamente histórica com a descontinuação comercial do QWO em dezembro de 2022: na prática clínica atual, a abordagem estrutural da celulite permanece ancorada na subcisão, e a experiência da colagenase serve sobretudo como estudo de caso sobre a diferença entre superioridade estatística sobre placebo e aceitabilidade real do downtime pela paciente.
Subcisão, bioestimuladores ou radiofrequência — cada tecnologia tem um mecanismo e uma evidência diferentes. Agende sua avaliação para um plano baseado no seu grau de celulite. (A colagenase injetável discutida neste artigo não está disponível comercialmente e não é ofertada pela clínica.)
Referências Científicas
- Khan MH, Victor F, Rao B, Sadick NS. Treatment of cellulite: Part I. Pathophysiology. J Am Acad Dermatol. 2010;62(3):361-70; quiz 371-2. DOI 10.1016/j.jaad.2009.10.042. PMID 20159304
- Sadick NS, Goldman MP, Liu G, Shusterman NH, McLane MP, Hurley D, et al. Collagenase Clostridium Histolyticum for the Treatment of Edematous Fibrosclerotic Panniculopathy (Cellulite): A Randomized Trial. Dermatol Surg. 2019;45(8):1047-1056. DOI 10.1097/DSS.0000000000001803. PMID 30829779
- Kaufman-Janette J, Joseph JH, Kaminer MS, Clark J, Fabi SG, Gold MH, et al. Collagenase Clostridium Histolyticum-aaes for the Treatment of Cellulite in Women: Results From Two Phase 3 Randomized, Placebo-Controlled Trials. Dermatol Surg. 2021;47(5):649-656. DOI 10.1097/DSS.0000000000002952. PMID 33840781
- Draelos ZD. Commentary on Collagenase Clostridium Histolyticum-Aaes for the Treatment of Cellulite in Women: Results From 2 Phase 3 Randomized, Placebo-Controlled Trials. Dermatol Surg. 2021;47(5):657. DOI 10.1097/DSS.0000000000002968. PMID 33625138
- Kaminer MS, Coleman WP 3rd, Weiss RA, Robinson DM, Grossman J. A Multicenter Pivotal Study to Evaluate Tissue Stabilized-Guided Subcision Using the Cellfina Device for the Treatment of Cellulite With 3-Year Follow-Up. Dermatol Surg. 2017;43(10):1240-1248. DOI 10.1097/DSS.0000000000001218. PMID 28661995
- Hartman NN, Almukhtar RM, Wood ES, Fabi SG. Collagenase Clostridium Histolyticum-aaes Injections for Volumetric Change of Cellulite Dimples and Gluteal Contouring. Dermatol Surg. 2023;49(4):383-386. DOI 10.1097/DSS.0000000000003727. PMID 36826346
- Foppiani JA, Raska O, Galinaud C, Stearns S, Hernandez Alvarez A, Taritsa IC, et al. Comparing Collagenase and Tissue Subcision for Cellulite Treatment of the Buttock and Thigh Regions: A Systematic Review and Meta-analysis. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2024;12(6):e5857. DOI 10.1097/GOX.0000000000005857. PMID 38911581