a estimulação muscular facial com radiofrequência tem evidência de que funciona?
Tem evidência inicial, de certeza muito baixa. Os 15 estudos humanos localizados com o sistema EMFACE relatam melhora em escalas de rugas, elevação de sobrancelha de 2 a 3 mm e aumento de espessura de alguns músculos, mas nenhum comparou com tratamento simulado, o seguimento máximo foi de seis meses e quase todos têm vínculo com o fabricante. Esses resultados pertencem ao aparelho estudado e não valem automaticamente para outros do mesmo tipo vendidos no Brasil. A indicação depende de avaliação presencial.
- Não há ensaio facial com grupo simulado; os desfechos são de antes e depois, com seguimento máximo de seis meses e efeitos de poucos milímetros, como elevação de sobrancelha de 2 a 3 mm.
- A maior parte dos estudos tem patrocínio ou vínculo declarado com o fabricante, e há ensaios registrados e concluídos sem publicação localizada.
- A certeza da evidência é muito baixa para todos os desfechos estéticos.
- Nenhuma publicação foi localizada com o Ônix Face, aparelho de estimulação muscular facial da Fismatek apresentado pela fabricante como "OF-HEM" com radiofrequência.
- Há um corpo pequeno e coerente de estudos, quase todo ligado a um único fabricante, que descreve mudanças discretas em rugas, posição de tecidos e espessura muscular em até seis meses.
Resumo
Objetivo. Mapear o que foi publicado sobre estimulação muscular facial de alta intensidade com finalidade estética, em especial o método que combina estimulação muscular por eletrodos (HIFES) e radiofrequência sincronizada, e mapear os aparelhos desse tipo descritos em fontes abertas.
Métodos. Revisão de escopo com busca estruturada, relatada segundo o PRISMA-ScR, sem protocolo registrado. Busca em 10 de outubro de 2026 no PubMed, no Europe PMC e no ClinicalTrials.gov, com strings publicadas no texto. Seleção, extração e julgamento de risco de viés foram feitos por um agente de IA em uma passada, sem duplo revisor humano. Risco de viés por RoB 2, ROBINS-I, JBI e SYRCLE e certeza da evidência por GRADE são avaliações complementares à etapa de mapeamento, não requisito do método; síntese narrativa, sem metanálise.
Resultados. Dos 252 registros identificados (173 únicos após remoção de duplicatas), 28 foram avaliados na íntegra ou pelo resumo e 22 foram incluídos: 15 estudos em humanos e 3 em suínos com o sistema EMFACE (BTL) e 4 estudos com aparelhos de estimulação elétrica neuromuscular facial de outros fabricantes. Não há ensaio facial com grupo simulado; os desfechos são de antes e depois, com seguimento máximo de seis meses e efeitos de poucos milímetros, como elevação de sobrancelha de 2 a 3 mm. A maior parte dos estudos tem patrocínio ou vínculo declarado com o fabricante, e há ensaios registrados e concluídos sem publicação localizada. A certeza da evidência é muito baixa para todos os desfechos estéticos. Nenhuma publicação foi localizada com o Ônix Face, aparelho de estimulação muscular facial da Fismatek apresentado pela fabricante como "OF-HEM" com radiofrequência.
Conclusão. Há um corpo pequeno e coerente de estudos, quase todo ligado a um único fabricante, que descreve mudanças discretas em rugas, posição de tecidos e espessura muscular em até seis meses. Faltam comparação com simulação e com tratamentos estabelecidos. A evidência é do sistema EMFACE e não se transfere automaticamente a nenhum outro aparelho.
Palavras-chave: estimulação elétrica neuromuscular; HIFES; radiofrequência; rejuvenescimento facial; músculos faciais; revisão de escopo; risco de viés.
1. Introdução: por que o músculo facial entrou na conversa
O envelhecimento do rosto costuma ser descrito em camadas: pele, gordura superficial, sistema musculoaponeurótico, gordura profunda, ligamentos e osso. Durante muito tempo, as tecnologias de energia miraram a pele e a derme, com calor de radiofrequência, ou o plano do sistema musculoaponeurótico superficial, com ultrassom microfocado. A comparação entre essas duas abordagens está discutida em Radiofrequência vs HIFU. A novidade dos últimos anos foi propor a própria musculatura mímica como alvo terapêutico.
A ideia tem uma lógica anatômica. Os músculos elevadores do terço médio, como o zigomático maior, ancoram tecidos moles e participam do contorno. Se perdem massa ou tônus com a idade, poderiam contribuir para o deslocamento inferior desses tecidos. Daí surgiu a hipótese de que contrações repetidas e induzidas externamente aumentariam espessura e qualidade muscular, com reflexo no contorno. É uma hipótese plausível, mas plausibilidade não é demonstração.
Há também um contrapeso fisiológico. Os músculos da mímica são finos, muitos se inserem diretamente na pele e vários atuam como depressores, não como elevadores. Aumentar o tônus de forma indiscriminada não é, por definição, rejuvenescedor. Uma tecnologia que pretenda atuar ali precisa demonstrar seletividade de alvo e resultado estético medido, não apenas contração.
Um dado indireto costuma ser lembrado. Um estudo piloto de exercícios faciais voluntários, publicado como carta de pesquisa em periódico de dermatologia, avaliou um programa de 20 semanas em mulheres de meia-idade e descreveu associação com mudanças na aparência facial [1]. Trata-se de outro tipo de intervenção, sem aparelho, com amostra pequena e desenho não controlado; serve apenas para mostrar que a pergunta sobre músculo e aparência já era feita antes das tecnologias de energia.
Revisões narrativas anteriores sobre o método existem, mas não aplicaram critérios explícitos de seleção nem avaliação de risco de viés, e uma delas tem tom promocional [2, 3]. Esta revisão de escopo procura responder a duas perguntas com busca reproduzível: o que os estudos publicados mostram, e com que grau de confiança; e quais aparelhos desse tipo estão descritos hoje em fontes abertas.
2. Fundamentos: dois mecanismos e uma sigla instável
2.1 Corrente elétrica transcutânea
Na estimulação elétrica neuromuscular, eletrodos sobre a pele conduzem pulsos de corrente que despolarizam ramos nervosos motores e, em menor grau, fibras musculares. A contração resultante depende da intensidade, da largura e da frequência do pulso, da impedância da pele e do tecido subcutâneo e da posição dos eletrodos. Revisões de fisiologia aplicada lembram que o recrutamento de unidades motoras pela estimulação elétrica difere do recrutamento voluntário e que a força evocada, não o parâmetro programado no aparelho, é o principal determinante do efeito [4, 5]. Os mesmos autores ressaltam que a estimulação não "contorna" o sistema nervoso central: produz respostas mediadas por vias neurais que contribuem para a força [5].
Na prática, isso significa que dois aparelhos com a mesma frequência nominal podem produzir contrações muito diferentes, e que o conforto limita a intensidade tolerada. A corrente precisa atravessar a pele, onde estão os receptores de dor; por isso a sensação de formigamento ou ardência costuma acompanhar a estimulação elétrica de superfície.
2.2 Campo eletromagnético focalizado
No HIFEM, uma bobina gera um campo magnético que varia rapidamente no tempo. Pela indução eletromagnética, esse campo cria correntes no interior do tecido sem que a corrente precise passar por eletrodos na superfície. Os estudos fundadores, feitos no abdome, descreveram aumento de espessura do reto abdominal e redução da camada adiposa por ressonância magnética [6], com manutenção parcial dos achados em seguimento de cerca de um ano [7]. Um estudo em suínos investigou marcadores de apoptose em adipócitos após aplicação do campo [8]. Combinações de HIFEM com radiofrequência no flanco também foram avaliadas por ressonância [9]. No corpo existe ao menos um ensaio aleatorizado com grupo simulado: 72 pacientes divididos em grupo ativo (48) e simulado (24), com três sessões abdominais; o resumo relata, no grupo ativo, redução de 28,3% na espessura do tecido adiposo e aumento de 24,2% na espessura do reto abdominal aos três meses ao ultrassom, sem mudança significativa no grupo simulado [10]. Uma revisão narrativa com documento de posição de um painel consultivo resume a evolução do HIFEM para a combinação com radiofrequência [11].
Esses dados são corporais. A revisão específica sobre a tecnologia no corpo está em KRATOS e HIFEM: eletroestimulação magnética de alta intensidade, e não será repetida aqui. O ensaio com grupo simulado é corporal e não tem equivalente facial na literatura localizada; os resultados abdominais foram obtidos em músculos grandes, com bobinas grandes, e não podem ser extrapolados para a face, onde os músculos têm poucos milímetros de espessura e há nervos superficiais e estruturas delicadas próximas.
2.3 A sigla HIFES: "elétrica" ou "eletromagnética"
A literatura facial usa HIFES para designar a estimulação muscular associada à radiofrequência sincronizada, mas a expansão do acrônimo não é estável. Diversos resumos falam em estimulação facial "elétrica" de alta intensidade [12, 13, 14, 15]. Outros, do mesmo sistema, usam "eletromagnética" [16, 17, 18], e uma revisão e um estudo submentoniano empregam "estimulação elétrica focalizada" [2, 19]. Os métodos dos textos completos acessíveis descrevem o mesmo mecanismo em todos os casos, inclusive nos que usam "eletromagnética": aplicadores autoadesivos com eletrodos sobre a pele, eletrodo neutro à distância e campo elétrico que despolariza ramos nervosos motores, sem menção a bobina ou campo magnético [17, 12, 13, 15, 19, 20]. Na base de liberações 510(k) da agência norte-americana FDA, um aplicador facial da BTL (BTL-785BNF, 2023) está classificado como estimulador elétrico transcutâneo para fins estéticos (código NFO) [21]; a correspondência desse código com o nome comercial EMFACE é inferida, porque o nome não aparece na ficha. A leitura mais consistente é de estimulação elétrica por eletrodos, embora a terminologia dos artigos não seja padronizada. Os textos completos identificam o aparelho como EMFACE, da BTL Industries [16, 17, 12, 13, 15, 22, 19, 23, 20, 24, 25].
Quem lê "HIFES" em material de divulgação não sabe, só pela sigla, se o aparelho aplica corrente por eletrodos ou campo por bobina. A resposta precisa vir da documentação técnica e do registro sanitário do equipamento, não do acrônimo.
Tabela 1. Diferenças conceituais entre os princípios físicos
| Aspecto | Estimulação elétrica transcutânea (inclui sistemas descritos como HIFES) | Campo eletromagnético focalizado (HIFEM) |
|---|---|---|
| Como a energia chega ao músculo | Corrente aplicada por eletrodos em contato com a pele | Campo magnético variável induz correntes no tecido |
| Papel da pele | A corrente atravessa a pele; impedância e sensibilidade cutânea limitam intensidade | A pele não conduz a corrente aplicada; a indução ocorre no volume tecidual |
| Onde foi mais estudado em estética | Face e região submentoniana, quase sempre associado a radiofrequência sincronizada | Abdome, glúteos, flancos e coxas [6, 7, 9] |
| Evidência facial localizada nesta revisão | Estudos de antes e depois e relatos de caso, sem controle simulado (seção 4) | Nenhum estudo facial com HIFEM isolado foi localizado |
| Implicação | Resultado depende do aparelho, dos eletrodos e da combinação com calor | Resultados corporais não informam sobre a face |
Tabela editorial; não compara eficácia entre as tecnologias.

3. Método
O relato segue o PRISMA-ScR [26]. Esta é uma revisão de escopo com busca estruturada e reproduzível, e não uma revisão sistemática de eficácia: as strings, as datas e as contagens estão publicadas para que a busca possa ser refeita, mas não houve protocolo registrado (PROSPERO ou OSF), triagem em duplicata nem consulta a todas as bases habituais de uma revisão sistemática.
3.1 Pergunta (PICO)
- População: adultos tratados por motivo estético facial ou submentoniano (rugas, flacidez, perda de volume, posição de sobrancelha, gordura submentoniana, assimetria). Em estrato separado, modelos animais com o mesmo aparelho.
- Intervenção: estimulação muscular facial de alta intensidade aplicada por equipamento, elétrica ou descrita como eletromagnética, com ou sem radiofrequência sincronizada. Estrato principal: HIFES com radiofrequência sincronizada. Estrato secundário: estimulação elétrica neuromuscular facial de outros fabricantes.
- Comparador: sem tratamento, simulação, hemiface contralateral, linha de base ou outro tratamento.
- Desfechos: aparência global, rugas (escalas e imagem tridimensional), posição de sobrancelha e de tecidos moles, espessura e qualidade muscular por imagem, volume facial e submentoniano, histologia, eventos adversos, dor e satisfação.
3.2 Critérios de elegibilidade
Foram incluídos estudos primários em humanos de qualquer desenho (inclusive relatos de caso) com estimulação muscular facial ou submentoniana por equipamento, e estudos em animais com o mesmo aparelho e aplicador, em estrato separado, em qualquer idioma com resumo legível, sem limite inicial de data. Foram excluídos revisões, comentários e cartas sem dados primários (lidos só para contexto); estimulação para paralisia facial, disfagia, dor, depressão ou reabilitação; HIFEM com radiofrequência aplicado apenas no corpo; microcorrente subliminar e aparelhos domiciliares multienergia sem contração muscular como mecanismo declarado; e registros sem relação com o tema.
3.3 Fontes de informação e estratégia de busca
Todas as buscas foram executadas em 10 de outubro de 2026.
Tabela 2. Bases, strings e registros recuperados
| Base | String | Registros |
|---|---|---|
| PubMed (P1) | (Emface OR HIFES OR "high-intensity facial electrical stimulation" OR "synchronized radiofrequency" OR "facial muscle stimulation") AND (radiofrequency OR radiofrequencies) | 34 |
| PubMed (P2) | (HIFES OR "facial muscle stimulation" OR "facial electrical stimulation" OR "high intensity facial") NOT 2003[dp] | 47 |
| PubMed (P3) | (microcurrent[Title/Abstract] OR "neuromuscular electrical stimulation"[Title/Abstract] OR "electrical muscle stimulation"[Title/Abstract]) AND (face[Title/Abstract] OR facial[Title/Abstract]) AND (aging OR rejuvenation OR wrinkle OR cosmetic OR aesthetic OR toning) | 13 |
| PubMed (P4) | microcurrent[Title/Abstract] AND (skin OR face OR facial OR wrinkle) | 65 |
| PubMed (P5) | (Onix OR "Ônix") AND (face OR facial) AND stimulation | 0 |
| Europe PMC (E1 a E4) | HIFES; EMFACE; "facial muscle stimulation" AND radiofrequency; "Onix Face" OR "Ônix Face" OR Fismatek | 51; 19; 10; 1 |
| ClinicalTrials.gov | Intervenção: HIFES OR Emface OR "facial muscle stimulation" OR "neuromuscular electrical stimulation" AND face; patrocinador BTL Industries, triado à parte | 12; 75 |
Não foram consultadas Cochrane CENTRAL, Scopus, Web of Science, Embase, LILACS, SciELO nem Google Scholar, por falta de acesso programático na sessão de busca. Literatura cinzenta (resumos de congresso, documentos técnicos de fabricantes) não foi incluída na síntese. Estudos indexados só nessas fontes podem ter ficado de fora.
3.4 Seleção e extração
A triagem por título e resumo, a leitura na íntegra (ou do resumo, quando o texto completo era fechado), a extração de dados e os julgamentos de risco de viés foram feitos por um agente de IA, em uma única passada, e conferidos depois por revisão editorial também apoiada por IA. Não houve seleção nem extração independentes em duplicata por dois revisores humanos. Foram extraídos desenho, tamanho amostral, região, protocolo, comparador, desfechos, seguimento, resultado principal como relatado no resumo e declarações de financiamento e conflito de interesse. Todo número citado foi conferido no resumo do PubMed; quando a informação veio do texto completo, isso é dito.
3.5 Risco de viés
Foram usadas as ferramentas RoB 2 para estudos aleatorizados [27], ROBINS-I para estudos não aleatorizados de intervenção, inclusive desenhos de antes e depois e de hemiface [28], a ferramenta do JBI para relatos e séries de caso [29] e SYRCLE para estudos em animais [30].
3.6 Síntese
A síntese é narrativa, por desfecho e por tecnologia. Não houve metanálise porque os estudos não têm comparador comum (a maioria compara com a própria linha de base), usam instrumentos diferentes (escalas de rugas, escala global de melhora estética, análise tridimensional com algoritmos próprios, ultrassom, ressonância, histologia), provavelmente compartilham participantes e dependem quase todos do mesmo patrocinador. Um efeito agregado seria numericamente enganoso.
3.7 Certeza da evidência
A certeza por desfecho foi graduada pelo sistema GRADE [31], partindo de "baixa" para estudos observacionais e "alta" para ensaios aleatorizados, com rebaixamento por risco de viés, imprecisão, evidência indireta e suspeita de viés de publicação.
3.8 Mapa de aparelhos
Para a seção de aparelhos disponíveis, foram consultados, na mesma data, o arquivo de dados abertos de produtos para saúde da Anvisa [32], a base de liberações 510(k) da FDA [21, 33], páginas de fabricantes e, como apoio rotulado, um agregador privado de dados da Anvisa [34]. A consulta direta ao portal de consultas da Anvisa foi bloqueada pelo servidor. Cada aparelho é descrito apenas pelo que a fonte declara; a lista não é exaustiva e não representa levantamento de mercado.
4. Resultados
4.1 Seleção dos estudos
Foram identificados 252 registros: 240 em bases bibliográficas e 12 no ClinicalTrials.gov. Após a remoção de 79 duplicatas, 173 registros únicos foram triados por título e resumo, e 145 foram excluídos, a maioria por estarem fora do tema (sensores, física, homônimos), por tratarem de microcorrente em feridas ou dor, de estimulação em indicação não estética ou de HIFEM corporal. O total de exclusões é exato; a distribuição por motivo foi estimada na triagem e está registrada no material de trabalho da revisão. Vinte e oito relatos foram avaliados na íntegra ou pelo resumo, e seis foram excluídos nessa etapa (duas revisões de aparelhos domiciliares, um estudo de microcorrente associada a energia ablativa, um ensaio domiciliar multienergia, uma carta sem resumo e uma errata). Foram incluídos 22 relatos: 15 estudos em humanos com o sistema EMFACE, 3 estudos em suínos com o mesmo sistema e 4 estudos em humanos com aparelhos de estimulação elétrica neuromuscular facial de outros fabricantes. Nenhum estudo com o Ônix Face foi localizado (busca P5 do PubMed e E4 do Europe PMC sem registro pertinente).
Um ensaio chinês com dispositivo vestível de estimulação mioelétrica facial, localizado em busca dirigida anterior à busca estruturada [35], não apareceu nas strings acima; é descrito na seção 4.5 como achado complementar, fora da contagem.

4.2 Características dos estudos incluídos
Todos os 15 estudos humanos com EMFACE usaram, quando informado, quatro sessões de cerca de 20 minutos com intervalo semanal ou próximo disso, exceto um relato de caso com oito sessões [18]. O seguimento variou de dias (desfecho histológico) a 24 semanas. Os participantes não podem ser somados: os dois estudos de Frank e colaboradores têm o mesmo número de participantes, autores em grande parte comuns e o mesmo calendário, e a análise retrospectiva de volume declara reunir dados de estudos anteriores [14, 15, 22].
Tabela 3. Estudos incluídos (compacta)
| Ref. | Desenho (conforme resumo) | n | Região | Desfecho principal relatado | Seguimento | Vínculo com o fabricante |
|---|---|---|---|---|---|---|
| [36] | Multicêntrico, braço único | 24 | Face | Escala de rugas: melhora de 2,3 pontos; rugas por 3D: -36,6% | 3 meses | Registro com patrocínio BTL |
| [25] | Multicêntrico, braço único | 33 | Face | Rugas por 3D: -35,36%; escala de rugas 5,6 para 3,8 | 3 meses | Honorários sem empresa nomeada |
| [37] | Prospectivo, braço único | 21 | Testa e bochechas | Elevação média de 23% em medidas lineares | 3 meses | Não verificável |
| [14] | Prospectivo, não aleatorizado | 37 | Terço médio | Zigomático maior: 2,06 para 2,80 mm | 24 semanas | Não verificável |
| [15] | Prospectivo, não aleatorizado | 37 | Terço superior | Sobrancelha: até 3,18 mm; frontal sem mudança de espessura | 24 semanas | Financiado pela BTL |
| [12] | Prospectivo, avaliador cego | 15 | Testa e bochechas | Sobrancelha: 1,31 mm; R0 (firmeza, segundo os autores): 81,24% | 6 meses | Sem conflito declarado |
| [38] | Ativo versus controle sem tratamento | 10 + 2 | Face, após toxina | Gravidade de rugas por 3D: -37,4% | 3 meses | Não verificável |
| [22] | Retrospectivo | 43 | Zigomático e mandíbula | Volume: +3,3 mL e -2,3 mL | 3 meses | Patrocínio BTL |
| [17] | Piloto | 10 | Músculos elevadores | Escala global: 87,5% com melhora | 3 meses | Patrocínio BTL |
| [13] | Prospectivo, braço único | 8 | Terço médio | Modíolo-trago: -0,56 cm (direita) | 3 meses | Sem financiamento declarado |
| [19] | Prospectivo, ressonância | 33 | Submento | Volume submentoniano: -36,20% | 3 meses | BTL financiou e desenhou |
| [23] | Aleatorizado 6:2, controle sem tratamento, aberto | 8 | Submento (histologia) | Caspase-7: +511% em 24 h | 7 dias | Registro com patrocínio BTL |
| [39] | Histologia, 6 tratados e 1 controle | 7 | Face (biópsia) | Colágeno: +30,00%; elastina: +102,80% | 3 meses | Não verificável |
| [40] | Relato de caso | 1 | Sorriso assimétrico | Descrição qualitativa | NI | Não declarado |
| [18] | Relato de caso | 1 | Sorriso após cirurgia | Melhora da simetria ao escâner 3D | NI | Sem financiamento |
| [16] | Suínos, 6 + 2 | 8 | Testa (animal) | Densidade de massa muscular: +19,2% | 2 meses | Patrocínio BTL |
| [24] | Suínos, 6 + 2 | 8 | Abdome (animal) | Colágeno: +26,3%; elastina: +110,8% | 2 meses | Sem interesse significativo declarado |
| [20] | Suínos, 5 + 1 | 6 | Abdome (animal) | Gordura: -31,40% | 2 meses | Autores consultores da BTL |
| [41] | Aleatorizado, sem intervenção no controle | 108 | Zigomático maior | Espessura: +18,6% versus linha de base | 12 semanas | Não determinado |
| [42] | Hemiface, não aleatorizado | 24 | Face | Elasticidade, rugas e ângulo mandibular melhores | 8 semanas | Coautores do fabricante (YA-MAN) |
| [43] | Hemiface, não aleatorizado | 14 analisadas | Periorbital e têmpora | Espessura do orbicular e do temporal aumentada | 8 semanas | Empresa da primeira autora |
| [44] | Série de casos | 7 | Perioral e periocular | Mudanças qualitativas sutis | ~1 mês | Não determinado |
Fontes: resumos PubMed e, para o vínculo com o fabricante, textos completos e registros de ensaio quando disponíveis. As 18 primeiras linhas são do sistema EMFACE; as 4 últimas, de outros aparelhos. NI: não informado. Os números não são comparáveis entre linhas, porque os métodos de medida diferem. As linhas de Frank e colaboradores podem descrever a mesma coorte.

4.3 Risco de viés
Tabela 4. Risco de viés por grupo de estudos
| Estudos | Ferramenta | Domínios críticos | Julgamento global |
|---|---|---|---|
| Ensaio de estimulação facial domiciliar [41] | RoB 2 | Randomização não detalhada no resumo; participantes não cegados (controle sem intervenção); ultrassom com avaliador cego; desfechos subjetivos sem cegamento | Algumas preocupações (ultrassom); alto (autoavaliação) |
| Ensaio histológico submentoniano [23] | RoB 2 | Aberto; n=8; controle sem tratamento; registro com patrocínio do fabricante | Alto |
| Coortes de antes e depois com EMFACE (11) | ROBINS-I | Sem grupo comparador (regressão à média, variação de fotografia); seleção de voluntários; avaliação nem sempre cega; muitos desfechos por estudo; patrocínio | Grave a crítico |
| Análise retrospectiva de volume [22] | ROBINS-I | Reaproveita coortes; seleção de casos não descrita no resumo | Crítico |
| Estudos de hemiface [42, 43] | ROBINS-I | Lado tratado não aleatorizado; sem simulação; participação de empresas | Grave |
| Relatos e série de casos [40, 18, 44] | JBI | Sem controle; desfechos qualitativos ou de um paciente | Alto; não servem para inferir efeito |
| Estudos em suínos [16, 24, 20] | SYRCLE | Randomização e cegamento do avaliador histológico não descritos nos resumos; controles de 1 a 2 animais; patrocínio | Alto ou incerto |
Julgamentos feitos por IA, em uma passada, sem duplicata humana.
4.4 Síntese por desfecho: EMFACE
Rugas e aparência global. Um estudo multicêntrico com 24 pacientes relatou, no resumo, melhora média de 2,3 pontos na escala de Fitzpatrick de rugas e elastose aos três meses, com redução média de rugas de 20,4% em um mês e 36,6% em três meses pela análise fotográfica tridimensional [36]. Em 21 pacientes tratados na testa e nas bochechas, outro grupo relatou elevação média de 23% em sobrancelhas e bochechas por medidas lineares em fotografias e melhora na escala global de aparência em todos os pacientes aos três meses [37]. Um estudo multicêntrico posterior, com 33 pacientes, relatou redução de rugas por análise tridimensional de 35,36% aos três meses, melhora de pelo menos um ponto na escala global em 88% dos participantes e queda da escala de Fitzpatrick de 5,6 para 3,8 [25]. Essas porcentagens são relativas a medidas fotográficas definidas pelos próprios autores e não podem ser comparadas diretamente com outros estudos.
Sobrancelha e posição de tecidos. Num estudo prospectivo não aleatorizado com 37 pacientes, a aplicação na região frontal foi associada a melhora significativa na gravidade das linhas da testa e dos cantos laterais dos olhos e a elevação da sobrancelha de 3,18, 3,02 e 2,27 mm nos pontos medial, central e lateral na semana 24 [15]. O mesmo resumo informa que não houve mudança estatisticamente significativa na espessura do músculo frontal nem da gordura sobrejacente; o efeito sobre linhas e sobrancelha não foi acompanhado de mudança muscular mensurável naquela região, o que enfraquece a explicação puramente muscular. Em 15 pacientes asiáticos com flacidez leve a moderada, num estudo prospectivo com avaliador cego, o resumo relata elevação da sobrancelha de 1,39 mm aos três meses e 1,31 mm aos seis meses, melhora de 81,24% aos seis meses no parâmetro R0 do Cutometer, que os autores rotulam como firmeza da pele, e melhora de textura na região dos pés de galinha [12]. O artigo não informa no texto os valores basal e final de R0, e a direção numérica da mudança (R0 mede deformação máxima, e valor menor costuma indicar pele mais firme) fica como interpretação dos autores, não como cálculo conferido aqui. No terço médio, o estudo mais recente, com oito participantes, mediu por ultrassom a posição do modíolo e relatou redução da distância até o trago de 0,56 cm à direita e 0,31 cm à esquerda aos três meses, sem mudança significativa da distância até o canto do olho; os autores classificam o achado como preliminar [13].
Músculo. No terço médio, o grupo do estudo frontal relatou, também em 37 participantes, aumento da espessura do zigomático maior de 2,06 mm para 2,80 mm ao ultrassom, aumento de 39,3% no sinal eletromiográfico, deslocamento da pele de 0,90 mm no plano horizontal e 1,01 mm no vertical e aumento de volume do terço médio de 1,43 cm³ na semana 24 [14]. Os dois estudos de Frank e colaboradores não devem ser somados como 74 pacientes nem contados como duas confirmações independentes. Um piloto com dez pacientes avaliou a intensidade de eco ao ultrassom, interpretada pelos autores como marcador de qualidade muscular, e relatou queda significativa aos três meses e melhora de pelo menos um ponto na escala global de melhora estética em 87,5% dos pacientes avaliados [17]; com dez incluídos, a porcentagem sugere que nem todos foram avaliados nesse desfecho, detalhe que o resumo não explica.
Volume facial e submento. Um estudo retrospectivo com 43 pacientes descreveu, por imagem tridimensional, aumento de 3,3 mL na região zigomática e redução de 2,3 mL na região mandibular aos três meses [22]. Na região abaixo do queixo, uma versão do sistema com radiofrequência de maior intensidade foi estudada em 33 pacientes, e a ressonância magnética mostrou, segundo o resumo, redução do volume submentoniano de 25,12% em um mês e 36,20% em três meses, e redução da gordura de 20,54% e 30,37% nos mesmos tempos [19]. Num ensaio histológico com seis pacientes tratados e dois controles sem tratamento, alocados de forma aleatória segundo o registro, uma única sessão foi seguida de aumento de caspase-7 de 511% em 24 horas e de 101% em sete dias, e queda de Bcl-2, marcadores de apoptose de adipócitos [23]. Aqui o alvo é sobretudo a gordura, e a contribuição da estimulação do músculo digástrico não é separável da contribuição térmica. Opções para a região cervical estão revisadas em Flacidez cervical: tratamentos não cirúrgicos.
Histologia e estudos em animais. Em humanos, seis pacientes tratados e um controle tiveram, no resumo, aumento da área ocupada por colágeno de 25,32% em um mês e 30,00% em três meses, e por elastina de 67,23% e 102,80%, após quatro sessões [39]. Em oito porcas (seis tratadas na testa), quatro sessões de 20 minutos foram associadas a aumento de 19,2% na densidade de massa muscular e a maior número de mionúcleos e de fibras musculares, sem mudança no grupo controle de dois animais [16]; um comentário publicado no mesmo número discutiu o estudo [45]. Outro trabalho suíno, no abdome ventrolateral, relatou aumento da área de colágeno de 26,3% e de elastina de 110,8% em dois meses [24]. Com o aplicador submentoniano aplicado ao abdome de cinco suínos tratados e um controle, a espessura de gordura caiu 17,35% em um mês e 31,40% em dois meses ao ultrassom [20]. Esses resultados sustentam plausibilidade biológica, não benefício clínico: a pele e o músculo do abdome suíno não reproduzem a face humana, os controles eram mínimos e, como o sistema aplica calor e estimulação ao mesmo tempo, o aumento de colágeno é compatível com o efeito térmico conhecido da radiofrequência, sem que se possa creditá-lo à contração.
Relatos de caso. Dois relatos coreanos descrevem o uso do sistema em sorriso assimétrico [40] e em sorriso pouco natural após cirurgia ortognática, este com oito sessões e melhora da simetria do lábio inferior ao escâner tridimensional [18]. Não permitem inferência de efeito.
Segurança, dor e conforto. Os estudos faciais relatam, nos resumos, tratamentos bem tolerados e ausência de eventos adversos graves [17, 12, 13, 36, 37, 14, 15, 38, 22]. Em um deles, a dor média caiu de 3,5 para 1,6 numa escala de dez pontos entre a primeira e a quarta sessão [12]. Com amostras de 7 a 43 pessoas e seguimento de até seis meses, eventos raros não podem ser excluídos, e nenhum estudo avaliou como subgrupo portadores de marcapasso, implantes metálicos na face, gestantes ou pessoas com preenchedores recentes.
Durabilidade. O seguimento máximo encontrado foi de seis meses [12]. Não foi localizado estudo com seguimento de um ano ou mais, nem sobre sessões de reforço.
4.5 Estimulação elétrica facial de outros fabricantes
Quatro estudos incluídos usaram aparelhos diferentes do EMFACE, sem radiofrequência sincronizada. O de melhor desenho é um ensaio aleatorizado de 2012 com 108 mulheres, que usaram um aparelho de estimulação elétrica neuromuscular facial 20 minutos por dia, cinco dias por semana, durante 12 semanas, contra um grupo sem intervenção; o resumo relata aumento médio de 18,6% na espessura do zigomático maior em relação à linha de base no grupo tratado, com diferença entre grupos significativa em 6 e 12 semanas, medida por ultrassom com avaliador cego [41]. Não houve grupo simulado, e o uso diário domiciliar não equivale a sessões de consultório. Um estudo japonês de hemiface com 24 mulheres, com aparelho de alta frequência (40 a 190 kHz) e coautores do setor de pesquisa do fabricante, relatou melhora de elasticidade, rugas e ângulo mandibular no lado tratado em oito semanas [42]. Outro estudo japonês de hemiface, com 14 participantes analisadas e eletrodo flexível periorbital, relatou aumento de espessura do orbicular do olho e do temporal à tomografia [43]. Uma série de sete casos com outro aparelho comercial descreveu mudanças fotográficas qualitativas e sutis, sem eventos adversos [44].
Como achado complementar, fora do fluxo da busca, um ensaio chinês descrito no resumo como aleatorizado, simples-cego e autocontrolado avaliou 31 voluntárias com um dispositivo vestível doméstico de estimulação mioelétrica com campo elétrico focalizado por 14 e 28 dias, relatando aumento de elasticidade e da altura de elevação da pálpebra superior; os autores estão vinculados a um instituto de pesquisa de empresa do setor [35]. Um ensaio russo de 2010 combinou mesoterapia e eletroestimulação contra ausência de tratamento, o que impede atribuir o resultado à estimulação [46]. Esses aparelhos diferem entre si e do EMFACE em forma de onda, frequência, intensidade, eletrodo e regime de uso; nenhum resultado deles se transfere a outro.
4.6 Ensaios registrados e possível viés de publicação
No ClinicalTrials.gov, a BTL aparece como patrocinadora de vários estudos do aparelho BTL-785F com aplicadores faciais [47]. Alguns têm publicação vinculada pelo número de registro: o estudo de rugas com 24 pacientes cita o registro NCT05519124, que informa 20 participantes [36, 47], e o ensaio histológico submentoniano cita o NCT06282172 [23]. Outros, concluídos, não tiveram publicação localizada nesta busca, como NCT05831332 (gordura submentoniana, 56 participantes) e NCT06645366 (qualidade e textura da pele de face e pescoço, 39 participantes); o NCT06274177 (submento e pescoço, 37 participantes) não corresponde em número ao estudo submentoniano publicado com 33 [47, 19]. Os registros conferidos descrevem braço único sem mascaramento, exceto o histológico, aleatorizado e aberto. Estudos concluídos sem publicação são compatíveis com viés de publicação, mas não o provam.
4.7 Certeza da evidência
Tabela 5. Certeza da evidência (GRADE resumido)
| Desfecho | Estudos | Certeza | Principais motivos de rebaixamento |
|---|---|---|---|
| EMFACE: rugas e aparência global | 6 coortes | Muito baixa | Sem comparador; patrocínio; avaliação nem sempre cega |
| EMFACE: posição de sobrancelha e tecidos | 4 coortes | Muito baixa | Milímetros sem controle; relevância clínica incerta |
| EMFACE: espessura e qualidade muscular | 3 humanos + 1 animal | Muito baixa | Resultados mistos (frontal sem mudança); amostras pequenas |
| EMFACE: volume submentoniano | 1 coorte + 1 histologia | Muito baixa | Estudo único com ressonância, financiado e desenhado pelo fabricante |
| EMFACE: histologia (colágeno, apoptose) | 2 humanos + 2 animais | Muito baixa | Desfecho substituto; n mínimo |
| EMFACE: segurança de curto prazo | Todos | Baixa a muito baixa | Sem eventos graves relatados; poder insuficiente para eventos raros |
| Outros aparelhos: espessura muscular facial | 1 aleatorizado + 1 hemiface | Baixa | Controle sem simulação; aparelhos diferentes |
| Outros aparelhos: aparência e rugas | 1 hemiface + 1 série de casos | Muito baixa | Participação de empresas; desfechos qualitativos |
Julgamento editorial pelo método GRADE [31]; não substitui painel formal.
5. Aparelhos disponíveis hoje: exemplos do tipo
O tipo de aparelho discutido aqui, a estimulação muscular facial associada ou não à radiofrequência, tem mais de um representante no mercado. A Tabela 6 reúne exemplos localizados em fonte aberta em 10 de outubro de 2026. A lista não é exaustiva, não é recomendação e não indica que algum desses aparelhos esteja disponível em determinado serviço; cada linha informa de onde vem a descrição.
Tabela 6. Exemplos de aparelhos de estimulação muscular facial
| Aparelho | Fabricante ou detentora | Sigla ou tecnologia declarada | Base da informação | Estudos próprios publicados |
|---|---|---|---|---|
| EMFACE | BTL Industries | HIFES com radiofrequência sincronizada, por aplicadores autoadesivos com eletrodos | Estudos publicados (seção 4); FDA: aplicador facial como estimulador elétrico transcutâneo estético [21]; Anvisa: o nome EMFACE não aparece nos dados abertos, onde a BTL tem registros "BTL-785F" como gerador de radiofrequência [32] | Sim, 15 humanos e 3 animais; em grande parte com vínculo com a fabricante |
| Ônix Face | Fismatek (detentora do registro); fabricante legal Beijing ADSS Development Co., Ltd. (China) | "OF-HEM" com radiofrequência, segundo a fabricante | Material da fabricante [48, 49]; registro Anvisa 80571459004 [32]; modelo listado em agregador privado [34] | Não localizados |
| I-FACE ESTHETIC | OPTME (detentora); I-Motion Group Global Iberica (Espanha) | Registrado como "Estimulador Neuromuscular", classe II; tecnologia não descrita | Registro regulatório, dados abertos da Anvisa [32] | Não localizados |
| LIFTRON | DGM Eletrônica (Brasil) | Registrado como "Estimulador Elétrico", classe II; tecnologia não descrita | Registro regulatório, dados abertos da Anvisa [32] | Não localizados |
| T SCULPTOR FACE | LMG Lasers (Brasil) | Registrado como "Aparelho de Múltiplo Uso em Estética"; tecnologia não descrita | Registro regulatório, dados abertos da Anvisa [32] | Não localizados |
| Aparelhos de estimulação facial YA-MAN | YA-MAN (Japão) | Estimulação elétrica neuromuscular de alta frequência; eletrodo flexível periorbital | Estudos publicados [42, 43] | Sim, 2 (hemiface) |
| EVE Titan | WEERO (Coreia do Sul), segundo o estudo | Estimulação elétrica neuromuscular facial | Estudo publicado [44] | Sim, 1 (série de 7 casos) |
Fontes identificadas em cada linha. Para os registros brasileiros, o nome sugere uso facial, mas o arquivo de dados abertos não lista indicação. Tabela editorial; não compara eficácia nem afirma equivalência entre aparelhos.
O Ônix Face é um aparelho de estimulação muscular facial da Fismatek, empresa brasileira. A fabricante o apresenta como combinação de "energia eletromagnética focalizada (OF-HEM)" e radiofrequência, aplicadas por "eletrodos inteligentes", em sessões de cerca de 30 minutos, com alegações de redução de rugas e efeito de elevação em testa, maçãs do rosto, mandíbula e papada [48, 49]. O registro Anvisa 80571459004 tem nome técnico "Estimulador Neuromuscular", classe de risco II, detentora Fismatek e fabricante legal chinês [32]; o modelo Onix Face aparece listado sob esse registro em agregador privado [34]. A mesma empresa tem uma linha corporal (Onix, Onix Duet, Onix Slim), abordada em post sobre o Onix Slim, cujos modelos Onix e Onix Duet são descritos no manual do usuário como estimuladores por campo magnético [50]. A sigla e o princípio físico, portanto, variam conforme a fonte, e este artigo não classifica o Ônix Face como HIFES nem como HIFEM.
A evidência clínica publicada é do sistema EMFACE e não se transfere automaticamente a nenhum outro aparelho, Ônix Face incluso.
Continuam sem documento público localizado a ficha técnica do Ônix Face (forma de entrega da estimulação, parâmetros, potência da radiofrequência) e a indicação de uso facial no registro, já que o arquivo de dados abertos não lista modelos nem indicações. São informações que a fabricante e as instruções de uso protocoladas podem fornecer.

6. Discussão
6.1 O que esses números não dizem
O primeiro limite é o desenho. Nenhum estudo facial comparou com tratamento simulado. O único ensaio aleatorizado com EMFACE é histológico, submentoniano, com oito pessoas e controle sem tratamento [23]; a comparação clínica com grupo não tratado envolveu apenas dois controles [38]. Sem grupo controle adequado, as melhoras podem refletir regressão à média, variação na fotografia, mudança de expressão no momento da imagem, efeito de expectativa e outras intervenções feitas no período. O ensaio com grupo simulado localizado é corporal, com HIFEM [10].
O segundo limite é a ausência de comparadores ativos. Não há estudo que compare o método com radiofrequência isolada, ultrassom microfocado, toxina botulínica ou preenchedores. Como as duas energias são aplicadas ao mesmo tempo e a radiofrequência isolada já tem efeito documentado sobre colágeno e firmeza da pele, não se sabe quanto do resultado se deve à contração.
O terceiro limite é a magnitude. Elevações de sobrancelha de 2 a 3 mm, deslocamentos de pele de cerca de 1 mm e aumentos de volume de 1 a 3 mL são detectáveis com instrumentos de precisão, mas a relevância perceptível para o paciente não foi estabelecida com escalas validadas de forma independente. Satisfação alta é desfecho subjetivo e sensível ao contexto.
O quarto limite é o seguimento: no máximo seis meses [12].
O quinto limite é a concentração da autoria e do financiamento. Nos textos completos acessíveis, a BTL aparece como patrocinadora declarada em cinco trabalhos [16, 17, 15, 22, 19], tendo fornecido o aparelho e, em um deles, conduzido o desenho do estudo [19]; em outros, autores declaram atuar como investigadores clínicos ou consultores da empresa [16, 17, 19, 20], e dois estudos estão vinculados a registros patrocinados pela BTL [36, 23]. Dois estudos declaram ausência de conflito sem informar a fonte de financiamento [12, 23], um declara honorários de palestras de todos os autores sem nomear empresas [25], e o estudo mais recente declara não ter recebido financiamento [13]. Os estudos [37, 39, 38, 14] não têm texto completo aberto, e seu financiamento não pôde ser verificado. No ensaio corporal com grupo simulado, os três autores declaram ser consultores médicos da BTL [10]. Os dois estudos com medidas objetivas e sem vínculo financeiro declarado com a BTL são pequenos, de 15 e 8 pessoas, e sem comparador [12, 13]. O padrão é de pesquisa majoritariamente ligada ao fabricante, o que não invalida os dados, mas exige replicação independente, agravada pelos ensaios concluídos sem publicação (seção 4.6).
6.2 Nome comercial não é tecnologia
Nomes comerciais de aparelhos em estética circulam com rapidez e frequentemente se parecem. O próprio nome EMFACE ilustra o problema: na base de liberações 510(k) da FDA, um "EmFace Device" da InMode MD, liberado em 29 de outubro de 2019, está classificado como massageador a vácuo com aquecimento induzido por radiofrequência (código PBX) [33]. É outra empresa e outra categoria de aparelho, sem relação com o sistema da BTL. Resultado publicado pertence ao equipamento e ao protocolo testados, com seus parâmetros, aplicadores e combinação de energias; semelhança de princípio físico não estabelece equivalência; e a regularização sanitária é do produto concreto, com indicação aprovada, e não da sigla.
7. Interações com toxina botulínica e preenchedores
Toxina botulínica e estimulação muscular agem em direções opostas: a primeira reduz a contração ao bloquear a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular; a segunda pretende provocá-la. Um estudo com dez pacientes previamente tratados com toxina e dois controles avaliou o sistema combinado e não relatou eventos adversos, com redução de 37,4% na gravidade de rugas medida por análise tridimensional e aumento de volume de 1,5 mL nas bochechas aos três meses [38]. O resumo não permite saber o intervalo entre a injeção e o início das sessões, os músculos tratados com toxina, nem se houve interferência na duração do efeito da toxina.
A cautela prática é não aplicar estimulação sobre áreas com toxina recente sem orientação específica do fabricante do aparelho e julgamento do profissional, porque faltam estudos que definam o intervalo apropriado. A migração não foi demonstrada nesse contexto e não deve ser apresentada como risco estabelecido. O mesmo raciocínio vale para preenchedores e bioestimuladores recentes. As bases da toxina estão em Toxina botulínica: evidências científicas.
8. Segurança e contraindicações
As contraindicações abaixo não derivam de ensaios clínicos estéticos. A referência mais útil localizada é um documento canadense de consenso sobre contraindicações e precauções de agentes eletrofísicos em fisioterapia, que cruza diretrizes britânica e australiana, inquérito com especialistas e literatura, e gradua a evidência de cada recomendação [51]. Ele trata da estimulação elétrica de superfície em geral, não de aparelhos estéticos faciais com radiofrequência associada; a lista definitiva para um aparelho concreto continua sendo a do seu manual e do seu registro.
Tabela 7. Precauções descritas na literatura de agentes eletrofísicos e cautelas editoriais (nenhuma testada em aparelho facial com radiofrequência)
| Situação | Motivo de cautela | Fonte e natureza |
|---|---|---|
| Marcapasso, desfibrilador implantável, neuroestimuladores e outros implantes eletrônicos | O consenso recomenda não aplicar estimulação elétrica em local onde possa causar mau funcionamento do dispositivo [51] | Contraindicação no consenso (evidência moderada) [51]; outra tecnologia, não testada em aparelho facial |
| Região anterior do pescoço e seio carotídeo | Pode estimular por reflexo os nervos vago ou frênico, com queda rápida da pressão e desmaio, e causar espasmo laríngeo [51] | Precaução do consenso para eletrodos de superfície [51]; extrapolação editorial para aplicadores submentonianos |
| Epilepsia e distúrbios convulsivos | Estimulação elétrica pode induzir crises; evitar eletrodos no pescoço e posicionamento transcraniano [51] | Contraindicação do consenso para pescoço e crânio [51]; extrapolação editorial |
| Olhos e áreas próximas | Riscos desconhecidos; não há indicação clínica de estimular os olhos [51] | Recomendação de especialistas no consenso [51], sem evidência |
| Pele lesada, infecção ativa, tecido recém-irradiado, sangramento ativo | Condução irregular da corrente e risco tecidual [51] | Precaução geral do consenso [51] |
| Áreas com sensibilidade reduzida ou pessoa incapaz de relatar desconforto | Risco de lesão sem percepção da dor [51] | Contraindicação ou precaução no consenso [51] |
| Câncer conhecido ou suspeito na região | Recomendação de não aplicar sobre regiões com malignidade [51] | Precaução geral do consenso [51] |
| Implantes metálicos na área | O consenso considera que tecidos sobre implantes metálicos podem receber estimulação elétrica, mas não sobre grampos ou curativos com metal [51]; o componente de radiofrequência dos aparelhos combinados aquece e não é coberto pelo documento | Cautela editorial pelo componente de radiofrequência; seguir o manual do aparelho combinado |
| Gestação | O consenso restringe a estimulação sobre lombar, pelve e abdome [51]; não há dados de segurança de aparelhos faciais com radiofrequência na gestação | Restrição do consenso limitada a lombar, pelve e abdome [51]; exclusão facial é precaução editorial por ausência de dados |
| Toxina botulínica, preenchedores ou bioestimuladores recentes na área | Interação não estudada de forma controlada [38] | Cautela editorial; único estudo [38] não relatou eventos nem definiu intervalo |
| Paralisia facial, doenças neuromusculares | Resposta muscular imprevisível | Opinião editorial, sem fonte específica; avaliação médica |
Fonte principal: documento de consenso de agentes eletrofísicos [51], que trata de estimulação elétrica de superfície em fisioterapia; as linhas sobre implantes metálicos, gestação, toxina e doenças neuromusculares acrescentam cautelas editoriais para aparelhos combinados com radiofrequência. Não substitui o manual do aparelho nem avaliação presencial.
Os manuais de fabricante trazem listas próprias, que podem divergir do consenso. O manual dos modelos corporais Onix e Onix Duet, por exemplo, exclui doença cardíaca, marcapasso, neoplasia, implantes ou próteses metálicas no local, lesões e dermatites no local, trombose, flebite e gestação [50]; diferentemente do consenso, exclui implantes metálicos (coerente com um aparelho de campo magnético) e não menciona pescoço anterior, epilepsia, olhos ou sensibilidade reduzida. Por isso a lista que vale é a do manual do aparelho concreto, somada ao julgamento clínico.
Revisões de estimulação elétrica neuromuscular insistem que a dose real é a força evocada, que varia entre pessoas [4, 5]. Em face, onde há nervos superficiais, olhos e dentes próximos, a escolha da intensidade e do posicionamento é parte da segurança, e não apenas do conforto. Qualquer pessoa interessada deve passar por avaliação individual presencial, com anamnese que inclua dispositivos implantados, medicações, procedimentos injetáveis recentes e expectativas.
9. Limitações desta revisão
A seleção, a extração e os julgamentos de risco de viés e de certeza foram feitos por IA, em uma passada, sem duplicata humana e sem protocolo registrado; erros de inclusão ou de classificação são possíveis e não foram medidos. Cochrane CENTRAL, Scopus, Web of Science, Embase, LILACS e SciELO não foram consultadas, e literatura cinzenta ficou de fora. Vários estudos só tiveram o resumo lido, e por isso o financiamento de quatro deles não pôde ser verificado. A distribuição das exclusões por motivo foi estimada na triagem, embora os totais sejam exatos. A ligação entre registros do ClinicalTrials.gov e artigos foi confirmada apenas quando o artigo cita o número de registro. A classificação de independência em relação ao fabricante baseia-se apenas no que foi declarado. Por fim, o mapa de aparelhos depende do que fabricantes e registros publicam, e a consulta direta ao portal da Anvisa não foi possível.
10. Conclusões e onde a estimulação facial se encaixa
Para quem busca melhora de flacidez leve a moderada sem procedimento injetável, a estimulação muscular associada à radiofrequência é uma linha de pesquisa com resultados preliminares favoráveis, de certeza muito baixa, em amostras pequenas, sem controle simulado e com seguimento de até seis meses. Não há evidência que permita colocá-la acima ou abaixo de radiofrequência isolada, ultrassom microfocado, bioestimuladores ou toxina botulínica para um objetivo específico. Um panorama das opções sem cirurgia para o rosto está em flacidez facial: tratamento sem cirurgia.
Para estudos futuros, as perguntas mais úteis seriam: ensaio aleatorizado com braço de radiofrequência isolada e braço simulado; desfechos com fotografia padronizada avaliada por examinadores cegos e escalas validadas; seguimento de pelo menos 12 meses; registro prospectivo de eventos adversos; publicação dos ensaios já concluídos; e divulgação dos parâmetros do aparelho. Estudos com outros equipamentos, inclusive nacionais, precisariam ser feitos com esses mesmos cuidados antes de qualquer alegação clínica.
A decisão individual depende de avaliação presencial, de objetivos realistas e da documentação do equipamento concreto. Escolher uma tecnologia pela sigla inverte a ordem: primeiro vem o diagnóstico de cada camada do rosto, depois a documentação do aparelho que se pretende usar.
11. Transparência
Este manuscrito é uma revisão de escopo com busca estruturada, relatada segundo o PRISMA-ScR, sem protocolo registrado. A busca, a seleção, a extração e os julgamentos de risco de viés e de certeza foram feitos por um agente de IA, sem duplo revisor humano, a partir de resumos e registros do PubMed, do Europe PMC e do ClinicalTrials.gov, com consulta a textos completos abertos para aparelho, financiamento e cautelas de segurança. Não há conflito financeiro declarado pela autoria. A revisão médica humana foi realizada por Alessandro Borges Alla (CRM-SP 118.136) em 10 de outubro de 2026 e está registrada no registro editorial do Fascículo 12. O revisor médico é sócio da Clínica Talita Almeida Estética Avançada, vínculo que se declara como possível interesse. Os exemplos comerciais da seção 5 são citados apenas com a fonte que os descreve (material de fabricante, documento técnico ou registro regulatório, identificados como tal) e não constituem recomendação. O texto não afirma que a clínica possui ou aplica qualquer aparelho, não atribui a um equipamento resultados de outro e não substitui avaliação clínica individual presencial.
12. Perguntas Frequentes
HIFEM e HIFES são a mesma coisa?
Não. HIFEM designa campo eletromagnético focalizado por bobina, estudado sobretudo no corpo. HIFES aparece na literatura facial associado à radiofrequência sincronizada; o acrônimo é expandido ora como estimulação "elétrica", ora como "eletromagnética", mas os métodos dos estudos descrevem eletrodos sobre a pele. É preciso conferir a ficha técnica de cada aparelho.
O que esta revisão de escopo encontrou?
Vinte e dois estudos incluídos de 173 registros únicos: 15 em humanos e 3 em suínos com o sistema EMFACE e 4 com aparelhos de outros fabricantes. Nenhum estudo facial teve grupo simulado, o seguimento máximo foi de seis meses e a certeza da evidência é muito baixa.
Os estudos mostram que a estimulação muscular sozinha funciona?
Não. Os estudos do sistema combinado não tiveram braço de estimulação isolada nem grupo simulado. Os estudos de outros aparelhos, sem radiofrequência, são pequenos ou sem simulação, e seus resultados não se transferem entre aparelhos.
Quais aparelhos usam esse tipo de tecnologia?
O sistema com literatura publicada é o EMFACE, da BTL. Há outros aparelhos de estimulação muscular facial no mercado, como o Ônix Face, da Fismatek, apresentado pela fabricante como "OF-HEM" com radiofrequência; a seção 5 reúne exemplos com a fonte de cada um. Pertencer ao mesmo tipo não torna os aparelhos equivalentes.
O Ônix Face já foi estudado?
Não localizamos publicação científica nem ensaio registrado com o Ônix Face. É um aparelho de estimulação muscular facial registrado na Anvisa como estimulador neuromuscular de classe II, e o que se sabe sobre sua tecnologia e seus efeitos vem do material da fabricante. Os estudos publicados são do sistema EMFACE e não valem automaticamente para ele.
Posso fazer estimulação facial depois de toxina botulínica?
Há um estudo pequeno, com dez pacientes tratados, sem eventos adversos relatados. Os dados não definem um intervalo seguro. A conduta depende das instruções do aparelho e da avaliação profissional.
Quem tem marcapasso pode fazer?
Um documento de consenso sobre agentes eletrofísicos recomenda não aplicar estimulação elétrica onde ela possa causar mau funcionamento de marcapasso, desfibrilador ou neuroestimulador. Essa restrição não foi testada em ensaios estéticos; a regra é não realizar sem liberação específica.
O resultado é permanente?
O seguimento mais longo encontrado foi de seis meses. Não há dados publicados localizados sobre manutenção depois de um ano.
Avaliação personalizada na Clínica Talita Almeida
Av. Jandira, 295, Moema, São Paulo. Dra. Talita Almeida (Enfermeira Esteta, COREN-SP 427.906).
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