PDRN e polinucleotídeos já têm eficácia comprovada?
Há estudos humanos com resultados favoráveis em aplicações específicas, mas não existe uma conclusão única válida para qualquer produto ou via. Uma pomada em ferida, um produto aplicado após microagulhamento e um injetável facial precisam de avaliações próprias. O benefício observado pode pertencer a uma combinação de componentes e procedimentos. A discussão deve informar exatamente o que foi estudado e quais resultados continuam incertos.
- Polinucleotídeos (PN) e polidesoxirribonucleotídeos (PDRN) aparecem em estudos de rejuvenescimento, prevenção de cicatrizes e reparo de feridas, mas essas aplicações não formam uma intervenção única.
- Uma revisão sistemática de 2026 selecionou sete ensaios; a consulta dirigida também identificou estudos anteriores e posteriores que impedem tratar esse conjunto como sinônimo de toda a literatura.
- As pesquisas avaliadas incluem produtos associados a radiofrequência, laser ou microagulhamento, comparações entre formulações e estudos de diferentes formas de aplicação.
- Resultados de cicatrização não demonstram automaticamente rejuvenescimento em pele íntegra, e redução da dor de aplicação não comprova maior benefício estético.
- A análise destaca amostras pequenas, seguimentos heterogêneos, ausência de grupos que permitam isolar certos componentes e dificuldades de extrapolação entre apresentações.
Resumo
Polinucleotídeos (PN) e polidesoxirribonucleotídeos (PDRN) aparecem em estudos de rejuvenescimento, prevenção de cicatrizes e reparo de feridas, mas essas aplicações não formam uma intervenção única. Esta revisão narrativa examina formulação, via de administração, comparador e desfecho para delimitar a interpretação dos resultados clínicos. Uma revisão sistemática de 2026 selecionou sete ensaios; a consulta dirigida também identificou estudos anteriores e posteriores que impedem tratar esse conjunto como sinônimo de toda a literatura. As pesquisas avaliadas incluem produtos associados a radiofrequência, laser ou microagulhamento, comparações entre formulações e estudos de diferentes formas de aplicação. Resultados de cicatrização não demonstram automaticamente rejuvenescimento em pele íntegra, e redução da dor de aplicação não comprova maior benefício estético. A análise destaca amostras pequenas, seguimentos heterogêneos, ausência de grupos que permitam isolar certos componentes e dificuldades de extrapolação entre apresentações. A situação sanitária deve ser verificada por produto e uso pretendido: publicação científica não substitui regularização. A evidência permite discutir aplicações específicas e lacunas, mas não sustenta promessas abrangentes de regeneração nem uma hierarquia universal entre PN e PDRN.
Palavras-chave: polinucleotídeos; polidesoxirribonucleotídeos; PDRN; rejuvenescimento; cicatrização; ensaio clínico; segurança.
1. A substância não pode ser separada da apresentação
PN e PDRN são termos usados para materiais derivados de ácidos nucleicos. A revisão molecular de Kim descreve diferenças de comprimento das cadeias e peso molecular, além de mecanismos propostos relacionados à matriz extracelular, sinalização por receptores de adenosina e reutilização de componentes de nucleotídeos. Esse enquadramento ajuda a formular hipóteses biológicas; não estabelece, por si só, superioridade clínica de uma classe sobre outra. [1]

Para interpretar um estudo, identificar apenas “DNA de salmão” é insuficiente. Essa expressão não descreve concentração, distribuição de tamanho, excipientes, processamento, apresentação ou via. Também não informa se o produto contém outros componentes que podem influenciar o resultado. A comparação precisa começar pela intervenção efetivamente aplicada.
Uma classificação química e uma categoria comercial nem sempre usam o mesmo grau de precisão. Por isso, esta revisão conserva a nomenclatura dos estudos ao descrevê-los, sem impor um corte universal de peso molecular. Quando a apresentação é chamada de PN pelos autores, isso não autoriza tratá-la como equivalente a todos os produtos que recebem a mesma sigla.
O raciocínio tem consequência prática: escolher uma evidência favorável para uma formulação e utilizá-la para promover outra exige demonstrar equivalência relevante. Compartilhar um ingrediente ou uma origem declarada não basta. O mesmo cuidado vale para trocar a via de administração mantendo a alegação de benefício.
2. Método: revisão crítica por pergunta clínica
Foi realizada busca dirigida de estudos humanos e revisões sobre PN e PDRN, com consulta a registros PubMed, páginas dos periódicos e textos integrais disponíveis. A revisão de Alhussain e colaboradores, publicada em julho de 2026, foi utilizada como ponto de partida para localizar sete estudos, e não como limite da pesquisa. Também foram procurados ensaios de comparação com ácido hialurônico e publicações recentes sobre formas de aplicação.
Trata-se de revisão narrativa, sem protocolo registrado, seleção independente em duplicata ou metanálise própria. Os textos disponíveis integralmente foram examinados em maior detalhe; quando só o resumo foi acessível, não foram reconstruídos resultados ou procedimentos ausentes. As limitações de acesso permanecem relevantes para algumas avaliações metodológicas.
A síntese foi organizada em quatro perguntas: qual formulação foi testada; em que tecido e por qual via; contra qual alternativa; e usando qual desfecho. Essa organização evita reunir sob uma mesma frase pesquisas que tratam de problemas diferentes. Não se calculou uma porcentagem global de eficácia ou segurança.
Também não se classificou toda melhora como regeneração. Esse termo pode designar mecanismos propostos, achados laboratoriais ou uma interpretação dos autores. No presente texto, resultados clínicos são apresentados pelos desfechos medidos, como aparência de rugas, medidas instrumentais, dor, cicatrização ou avaliação de cicatriz.
3. Por que os sete estudos não representam toda a evidência
Alhussain e colaboradores incluíram sete estudos, com 183 participantes, distribuídos entre estética, prevenção de cicatriz e feridas. A revisão não combinou estatisticamente os resultados por causa da heterogeneidade. Sua busca foi encerrada em janeiro de 2026. Esse total descreve a seleção feita pelos autores; não deve ser anunciado como o número de pessoas já estudadas no mundo. [2]
A consulta dirigida localizou ensaios de PN versus ácido hialurônico que não aparecem nessa tabela de incluídos. Isso exige examinar critérios e justificativas de exclusão antes de presumir um erro. No entanto, já é suficiente para evitar uma afirmação de completude baseada apenas no resumo da revisão.
Existe ainda uma questão de classificação. Um estudo pode ser chamado de controlado sem que o resumo descreva alocação aleatória. O artigo original precisa esclarecer como os grupos foram formados. A presença de dois grupos, de uma intervenção comparadora ou de avaliação cega não substitui a randomização.
Esses cuidados não reduzem a utilidade da revisão: tornam seu papel mais preciso. Ela oferece um mapa inicial, mas a redação científica precisa retornar aos originais. Uma tabela de síntese pode omitir detalhes de composição que mudam a interpretação do efeito atribuído ao ingrediente principal.

4. Vias e contextos: quatro perguntas diferentes
Tabela 1. Organização conceitual das perguntas; não é recomendação de vias ou produtos para uso clínico.
| Contexto | Pergunta que o estudo pode responder | Extrapolação que precisa ser evitada |
|---|---|---|
| Produto tópico em área doadora de enxerto | Evolução da cicatrização naquela ferida | Rejuvenescimento facial por injeção |
| Formulação aplicada após procedimento que altera a barreira | Benefício da combinação estudada | Eficácia de um cosmético na pele íntegra |
| Injeção com PN comparada a outro injetável | Diferença entre apresentações naquele local | Superioridade contra todas as alternativas estéticas |
| Mesma classe, outra técnica ou formulação | Desconforto, distribuição ou resposta relativa | Prova de maior efeito biológico geral |
O estado inicial do tecido importa tanto quanto o nome da substância. Uma ferida aberta apresenta um problema de reparo que difere de uma pele íntegra com rugas. Mesmo que mecanismos se sobreponham, a demonstração de benefício numa situação não resolve a outra.
A presença de outro procedimento também precisa ser considerada. Se todos os participantes recebem laser ou microagulhamento, a melhora antes e depois não pode ser atribuída integralmente ao produto associado. A comparação entre os grupos é que informa o benefício relativo da estratégia investigada, dentro das limitações do estudo.
Por fim, transpor resultados para a rotina exige verificar se o produto e o uso estão regularizados. “Tópico” não torna automaticamente apropriada uma aplicação através de uma barreira alterada. O desenho experimental de um estudo estrangeiro não é uma autorização sanitária brasileira.
5. PN associado à radiofrequência microagulhada
Yogya e colaboradores recrutaram 30 mulheres, das quais 29 completaram o estudo, comparando os lados da face após radiofrequência microagulhada. Um lado recebeu a formulação investigada e o outro solução salina. O produto continha PN, mas também ácido hialurônico, aminoácidos, minerais, vitaminas e peptídeos. Foram descritos benefícios em medidas de rugas durante o seguimento. [3]
O detalhe da composição impede atribuir o resultado exclusivamente ao PN. O estudo avalia uma formulação combinada adicionada ao procedimento. Para isolar o efeito de um componente, seria necessário um comparador que preservasse os demais componentes relevantes.
Também é preciso manter separados os desfechos. Uma diferença em determinada medida ou visita não estabelece superioridade uniforme em profundidade, elasticidade e satisfação. A frase “melhora rugas” é menos informativa do que explicar em qual medida, contra qual comparação e em qual momento a diferença foi observada.
Há valor no desenho que compara lados da mesma pessoa: várias características individuais são compartilhadas. Entretanto, isso não transforma cada lado em uma pessoa independente. A análise e a descrição do tamanho da amostra precisam respeitar o pareamento. Trinta participantes não se tornam sessenta pacientes por terem duas áreas tratadas.
6. Microagulhamento com PDRN versus microagulhamento com PRP
Vera e colaboradores estudaram 24 mulheres em dois grupos, avaliados após seis semanas. Ambos receberam microagulhamento, associado a PDRN ou plasma rico em plaquetas. Houve diferença entre grupos na escala de rugas, favorável à combinação com PDRN, mas não no índice de hiperpigmentação. O estudo não incluiu grupo de microagulhamento isolado. [4]
A conclusão mais precisa é relativa: duas combinações foram comparadas. Não se pode quantificar, com esse desenho, quanto do benefício decorreu do microagulhamento e quanto do produto adicionado. Também não se deve tratar ausência de diferença em manchas como prova de equivalência, nem transformá-la em superioridade para melasma.
A duração do acompanhamento limita a pergunta respondida. Uma avaliação de semanas pode identificar resposta inicial e tolerabilidade, mas não informa por si só manutenção prolongada ou necessidade de repetição. O resultado não deve ser convertido numa promessa de duração para outra população.
O número de participantes também importa para segurança. Poucos ou nenhum evento grave em uma amostra pequena não excluem eventos raros. A ausência de relatos deve ser descrita junto ao tamanho e ao período de observação, sem receber o rótulo de risco inexistente.
7. Comparações com ácido hialurônico

O ensaio de Pak e colaboradores incluiu 72 participantes numa comparação contralateral de PN e ácido hialurônico para rugas perioculares. A publicação reúne investigação humana e animal, que precisam ser analisadas separadamente. Um achado histológico no componente animal não é confirmação direta de que o mesmo mecanismo ocorreu nos participantes. [5]
Outro ensaio, de Lee e colaboradores, incluiu 27 participantes e comparou PN com ácido hialurônico não reticulado. O resumo relata diferenças em algumas medidas instrumentais, sem superioridade uniforme nas escalas de avaliação estética. Esses resultados não sustentam a afirmação de que PN seja melhor que qualquer preenchedor em qualquer indicação. [6]
A identidade do comparador é decisiva. Ácido hialurônico não reticulado, formulações voltadas à qualidade cutânea e produtos de sustentação volumétrica não representam uma única intervenção. Uma comparação periocular não resolve escolha de tratamento para perda estrutural de volume em outra região.
O mesmo vale para a palavra “olheira”, que pode reunir pigmentação, transparência vascular, sulco e alterações de relevo. Medidas de rugas ou hidratação não demonstram correção de todas essas queixas. A avaliação do paciente deve decompor o problema em vez de escolher um procedimento a partir de um termo amplo.
8. Dor de aplicação e otimização da formulação
Jeon e colaboradores compararam duas formulações de PN em 15 participantes, com foco no desconforto. A formulação modificada apresentou menor dor, enquanto as medidas estéticas não mostraram diferença estatística. Os autores reconhecem limitações da amostra e ausência de avaliação instrumental por cutometria ou imagem tridimensional. [7]
A conclusão sobre conforto é diferente de uma conclusão de maior rejuvenescimento. Da mesma forma, não encontrar diferença estatística de eficácia não prova equivalência. Um estudo precisa ser desenhado e dimensionado para a hipótese que pretende demonstrar, com critérios adequados de comparação.
O artigo também ilustra por que formulações não devem ser reduzidas ao ingrediente principal. Alterações na preparação podem modificar a experiência de aplicação; isso reforça a importância de conhecer o produto estudado. Não autoriza, porém, reproduzir ajustes de formulação fora das condições apropriadas de fabricação, pesquisa e regulamentação.
A revisão não fornece instruções de alteração de pH, diluição ou preparo. Esses detalhes não são necessários para que o leitor compreenda a contribuição clínica do estudo e poderiam ser indevidamente interpretados como um protocolo recomendado.
9. Técnicas de aplicação: conforto e causalidade
Hong e colaboradores compararam aplicação por agulha e por sistema de jato em dez participantes. Trata-se de uma pergunta sobre entrega do produto e experiência do procedimento. Mesmo quando os resultados sugerem maior conforto, o tamanho da amostra e a duração da avaliação restringem conclusões sobre segurança e desempenho duradouro. [8]
Bae e colaboradores publicaram em agosto de 2026 uma comparação prospectiva de duas formas de aplicação do mesmo produto de PN. Quarenta pessoas receberam tratamento e 37 contribuíram para a análise de eficácia; três saíram antes do seguimento. O lado esquerdo recebeu aplicação intradérmica por agulha e o direito, subdérmica por cânula. Os planos foram conferidos por ultrassom. Trata-se de comparação entre estratégias com lados fixos, não de randomização da profundidade. [9]
O desfecho principal foi a melhora percentual de um índice instrumental de linhas finas na semana 12, seis semanas após a última sessão. A análise pareada ajustada para o valor inicial atendeu à margem de não inferioridade escolhida pelos autores: perda máxima de 15 pontos percentuais na melhora, comparando subdérmico menos intradérmico. Esse resultado não demonstra equivalência universal. A margem foi justificada por julgamento clínico e precedentes de outros ensaios; não deve ser confundida com uma diferença mínima percebida pelo paciente. [9]

Os demais parâmetros instrumentais foram exploratórios, sem ajuste para múltiplas comparações. Portanto, não devem ser apresentados como várias confirmações independentes de eficácia. Menor dor com a estratégia subdérmica não separa o efeito da cânula do efeito do plano. O trabalho informa apoio da PharmaResearch, fabricante do produto estudado, embora os autores declarem ausência de conflitos de interesse. [9]
Essa distinção é importante porque várias variáveis podem mudar ao mesmo tempo. Se plano, instrumento e distribuição diferem, o estudo compara estratégias completas. Para separar o efeito isolado de cada elemento, seria necessário um desenho que controlasse os demais.
A não inferioridade também merece tradução cuidadosa. Ela pergunta se uma perda de efeito maior que determinada margem pode ser descartada, sob as condições analisadas. Não significa que os tratamentos sejam idênticos, que tenham o mesmo risco ou que qualquer diferença seja irrelevante para todos os pacientes.
10. Cicatrizes cirúrgicas não são rejuvenescimento de pele íntegra
Kim e colaboradores avaliaram 42 pacientes após tireoidectomia, com PN ou solução salina, enquanto todos receberam uma sessão de laser fracionado combinado. O acompanhamento incluiu medidas de cicatriz até 16 semanas. A pergunta é de prevenção e evolução de cicatriz cirúrgica em uma estratégia associada, não de rejuvenescimento facial isolado. [10]
Uma cicatriz recente passa por mudanças ao longo do tempo. Por isso, uma comparação adequada precisa levar em conta a evolução natural e os demais cuidados. Mostrar melhora no grupo tratado sem considerar a comparação não permite identificar o efeito adicional.
O termo “prevenção” também não deve ser transformado em garantia. Um estudo pode observar menor gravidade ou melhor aparência média sem eliminar a possibilidade de cicatriz desfavorável. É necessário distinguir o desfecho medido da promessa que será apresentada ao paciente.
Outro ensaio de PDRN após tireoidectomia, publicado em volume de 2023, incluiu 44 pacientes. O resumo relata resultados favoráveis em vascularidade e outros parâmetros, mas a diferença no escore total da escala de cicatriz modificada apresentou p=0,059. Assim, não se deve anunciar redução estatisticamente significativa do escore total a partir desses dados. O comparador não recebeu a intervenção, diferentemente do estudo de PN e laser de 2018. [11]

A distinção entre escore total e subescalas evita selecionar apenas os resultados favoráveis. Isso não transforma o estudo em negativo para todas as perguntas: exige descrever quais medidas diferiram e quais não atingiram o critério estatístico usual. Benefício em vermelhidão, altura ou sintomas não é sinônimo de eliminação de qualquer cicatriz hipertrófica.
11. Feridas: resultados que precisam permanecer no seu contexto
Valdatta e colaboradores compararam dois grupos de 20 pacientes com áreas doadoras de enxerto, um deles recebendo pomada com PDRN além do curativo. O resumo relata cicatrização mais rápida no grupo investigado. Contudo, não descreve o método de randomização; sua classificação metodológica requer consulta ao original completo. [12]
Kim e colaboradores estudaram PDRN em lesões por pressão. Trinta pessoas ingressaram e 23 compuseram a amostra após desistências, com avaliação de quatro semanas. As perdas precisam ser consideradas ao interpretar os desfechos e a tolerabilidade. O contexto é uma ferida crônica, com cuidados próprios, e não uma intervenção cosmética em tecido íntegro. [13]
A diferença entre essas populações é substantiva. Tamanho de ferida, reepitelização e escala de cicatrização respondem a necessidades distintas de satisfação estética ou profundidade de rugas. A mesma direção favorável em vários desfechos não cria automaticamente uma estimativa comum de efeito.
Também é inadequado presumir que um produto apresentado como regenerativo substitua o tratamento das causas de uma ferida. Estudos adjuvantes devem ser descritos como adjuvantes. O resultado de uma combinação não demonstra eficácia do componente isolado nem permite dispensar o cuidado de base.
12. Segurança: o que amostras pequenas conseguem mostrar
Os estudos discutidos oferecem informação sobre reações observadas nos participantes selecionados. Essa informação é necessária, mas tem limites para eventos raros, uso repetido e populações excluídas. Uma frase de segurança deve preservar as condições em que foi produzida.
Há três perguntas diferentes: quais eventos ocorreram; como foram procurados; e quanto tempo houve para detectá-los. Um estudo pode não registrar complicações porque elas não ocorreram, porque foram infrequentes na amostra ou porque sua busca e acompanhamento foram limitados. A interpretação depende do método, não apenas da contagem final.
O contraste entre “natural” e “sintético” não resolve essa análise. Origem biológica não define, isoladamente, pureza, adequação de uso ou ausência de reação. A informação pertinente está na formulação, no controle de qualidade, na indicação e na evidência do produto específico.
Da mesma maneira, um estudo estrangeiro com aplicação invasiva não demonstra que um cosmético disponível no comércio local possa ser usado do mesmo modo. A avaliação sanitária e a avaliação científica são complementares; uma não substitui a outra.
13. Regulação brasileira: conferir produto, finalidade e via
A Anvisa orienta que produtos destinados a uso estético invasivo não sejam regularizados como cosméticos. Sua comunicação inclui injeções e uso por microagulhamento com penetração na pele. Nesses contextos, a regularização apropriada é de medicamento ou produto para saúde, conforme o caso. [14]
Portanto, a pergunta correta não é apenas “PDRN é aprovado?”. É preciso identificar qual produto, em qual categoria, para qual finalidade e por qual via. Uma notificação cosmética não autoriza automaticamente uma apresentação a ser injetada ou introduzida por microcanais.
A presença de um número de processo na embalagem não encerra a verificação. O dado deve corresponder ao produto e à finalidade declarada, e sua situação deve ser consultada em fonte oficial. A publicação deste artigo não significa que a clínica ofereça PN ou PDRN nem confirma a regularidade de uma marca específica.
Também não se deve transferir decisões regulatórias entre países. Evidência produzida no exterior pode ser relevante para a análise científica, mas a utilização local depende dos requisitos aplicáveis no Brasil. A redação precisa separar claramente essas duas dimensões.
14. Como avaliar uma alegação comercial
Tabela 2. Perguntas para leitura crítica. A ausência de uma informação não demonstra ineficácia, mas impede aceitar a alegação como comprovada.
| Alegação | Informação que falta para avaliá-la |
|---|---|
| “Comprovado em sete estudos” | Quais estudos, quais produtos, vias e populações; existência de outras pesquisas |
| “Mais eficaz” | Comparador, desfecho, magnitude da diferença e período de avaliação |
| “Regenera a pele” | Definição de regeneração e evidência humana que a sustenta |
| “Sem risco” | Tamanho da amostra, busca de eventos, seguimento e populações excluídas |
| “Mesma substância do estudo” | Composição completa, apresentação, processamento e uso pretendido |
| “Aprovado” | País, produto, categoria, indicação, via e situação atual |
Para uma decisão individual, o benefício precisa ser relevante para a queixa real. Uma diferença instrumental pequena pode não ser percebida pelo paciente; uma redução de desconforto pode ser valiosa sem representar maior mudança estética. Não há necessidade de confundir esses resultados para reconhecer sua importância.
O planejamento deve ainda comparar a alternativa investigada com opções já disponíveis para o problema identificado. Novidade e popularidade não são medidas de benefício. A preferência do paciente importa, mas precisa ser informada por expectativas proporcionais à evidência.
Para aprofundar tecnologias já abordadas no acervo, consulte as revisões de skinbooster com ácido hialurônico, radiofrequência microagulhada e microagulhamento para cicatrizes de acne. As indicações desses conteúdos não devem ser transferidas automaticamente para PN ou PDRN.
15. Conclusão
A literatura de PN e PDRN deve ser lida como um conjunto de intervenções específicas, e não como confirmação de uma promessa única de regeneração. Há sinais clínicos favoráveis, mas composição, via, comparador e desfecho alteram o significado de cada resultado.
A contribuição mais útil da revisão é tornar essas diferenças visíveis: estudos de conforto não provam maior rejuvenescimento, tratamentos combinados não isolam todos os componentes e cicatrização não equivale a resposta cosmética em pele íntegra. A incorporação responsável de novas abordagens depende de evidência adequada, produto regular e comunicação que preserve as incertezas.
16. Perguntas Frequentes
PN e PDRN são exatamente a mesma coisa?
A nomenclatura varia entre publicações e apresentações. Os produtos precisam ser identificados pela composição e características, não apenas pela sigla ou origem declarada.
Um cosmético com PDRN pode ser injetado?
Notificação como cosmético não autoriza uso injetável. Produto, categoria, finalidade e via devem ser conferidos conforme a orientação da Anvisa.
Os estudos de feridas comprovam rejuvenescimento facial?
Não automaticamente. São tecidos, objetivos e desfechos diferentes; a aplicação estética precisa de evidência própria.
PN é melhor que ácido hialurônico?
A resposta depende da formulação, do comparador e da queixa. Os estudos citados não demonstram superioridade universal contra todos os produtos de ácido hialurônico.
Não ter eventos graves em um estudo significa ausência de risco?
Não. Amostras pequenas e acompanhamento limitado não excluem eventos raros ou tardios.
Existem apenas sete ensaios sobre o tema?
Não se deve interpretar assim. Sete é o conjunto selecionado por uma revisão específica; foram identificados outros estudos e publicações posteriores ao seu período de busca.
Avaliação personalizada na Clínica Talita Almeida
Av. Jandira, 295 — Moema, São Paulo. Dra. Talita Almeida (Enfermeira Esteta, COREN-SP 427.906).
Referências Científicas
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