toxina no pescoço trata flacidez?
Os ensaios examinados estudam a proeminência muscular do platisma, especialmente durante contração. Reduzir sua expressão pode melhorar a aparência das bandas e do contorno em pessoas selecionadas. Isso não equivale a retirar excesso de pele ou a tratar qualquer causa de alteração do pescoço. A avaliação precisa identificar qual componente explica a queixa antes de definir o tratamento.
- A proeminência do platisma pode acentuar bandas verticais no pescoço e alterar a definição mandibular durante a contração.
- Sua abordagem com toxina botulínica exige distinguir o componente muscular de alterações cutâneas e de volume.
- Ensaios controlados demonstram melhora de proeminência em adultos selecionados, mas os percentuais variam conforme o critério de resposta e a população analisada.
- A evidência não deve ser apresentada como correção universal de flacidez nem como equivalência a cirurgia.
- Os resultados de doses maiores precisam ser considerados junto aos eventos adversos, sem transformar tendência numérica em recomendação de escalonamento.
Resumo
A proeminência do platisma pode acentuar bandas verticais no pescoço e alterar a definição mandibular durante a contração. Sua abordagem com toxina botulínica exige distinguir o componente muscular de alterações cutâneas e de volume. Esta revisão narrativa examina estudos randomizados de onabotulinumtoxinA, dados de repetição de tratamento e a bula brasileira disponibilizada pela fabricante na consulta de setembro de 2026. Ensaios controlados demonstram melhora de proeminência em adultos selecionados, mas os percentuais variam conforme o critério de resposta e a população analisada. A evidência não deve ser apresentada como correção universal de flacidez nem como equivalência a cirurgia. Os resultados de doses maiores precisam ser considerados junto aos eventos adversos, sem transformar tendência numérica em recomendação de escalonamento. A análise também diferencia estudos originais de publicações complementares e registra os limites de generalização, duração e financiamento. Os ensaios centrais receberam financiamento da AbbVie/Allergan; esse vínculo deve ser considerado na interpretação dos resultados. A indicação presente na bula é específica do produto e do uso descrito; não se estende automaticamente a outras preparações.
Palavras-chave: platisma; toxina botulínica; onabotulinumtoxinA; bandas platismais; rejuvenescimento cervical; ensaio clínico; segurança.
1. A pergunta clínica começa pelo movimento
O platisma é uma lâmina muscular superficial que se estende da região superior do tórax ao pescoço e à face inferior. Sua contração pode tornar bandas verticais mais evidentes e modificar o contorno mandibular. Os estudos recentes usam o conceito de proeminência do platisma para avaliar essas manifestações em conjunto. [1]
Uma queixa de “pescoço envelhecido” não identifica sozinha o tecido responsável. A distinção entre bandas musculares e flacidez também é abordada em linguagem introdutória no blog. O exame em repouso e em movimento ajuda a formular uma pergunta mais precisa: o incômodo acompanha a contração muscular ou permanece principalmente como alteração cutânea e de contorno? Diferentes componentes podem coexistir na mesma pessoa.

A distinção é relevante para explicar resultados. Uma intervenção direcionada à atividade muscular deve ser julgada por sua capacidade de modificar esse componente. Não é coerente avaliar seu sucesso pela resolução de problemas que não foram seu alvo ou que não foram estudados.
Também é inadequado usar toda melhora de contorno como evidência de “lifting” equivalente a um procedimento cirúrgico. A palavra pode reunir mudanças de natureza e magnitude muito diferentes. Uma descrição mais informativa identifica o que mudou, em qual condição de avaliação e por quanto tempo foi observado.
Tabela 1. Da queixa ampla à pergunta de avaliação
| Queixa ou observação | Pergunta que precisa ser esclarecida | Limite da evidência discutida |
|---|---|---|
| Bandas verticais que se acentuam ao contrair | Quanto da aparência é explicado pela atividade do platisma? | É o componente diretamente investigado nos ensaios |
| Contorno mandibular pouco definido | Há participação muscular, cutânea, de volume ou combinação? | Melhora em proeminência não comprova correção de todas as causas |
| Pele frouxa ou excesso de pele | A queixa principal é cutânea e persiste em repouso? | Ensaios de proeminência não demonstram remoção de excesso cutâneo |
| Expectativa de rejuvenescimento completo | Quais mudanças seriam relevantes e realistas? | Nenhum percentual de escala descreve transformação global do pescoço |
A tabela organiza perguntas para avaliação profissional; não permite diagnóstico por fotografia nem indica tratamento sem exame.
2. Método: uma revisão por estudo e por desfecho
A consulta dirigida incluiu registros e textos de ensaios clínicos, publicações complementares e a bula profissional ligada na página brasileira de produtos da AbbVie. O corte inicial de consulta foi 4 de setembro de 2026, com conferência bibliográfica e do registro da extensão em 5 de setembro. Foram priorizadas comparações randomizadas com placebo para benefício inicial e uma extensão aberta para repetição do tratamento.
Esta é uma revisão narrativa crítica. Não houve protocolo registrado, seleção independente em duplicata ou metanálise própria. Os dados foram mantidos por estudo e população analítica, sem produzir uma taxa global de sucesso. Quando detalhes não estavam acessíveis, a lacuna foi preservada.
A identificação de estudos considerou que um mesmo ensaio pode originar resumo de congresso, artigo de eficácia, análise de satisfação e extensão. Essas publicações acrescentam informação, mas não representam necessariamente novos participantes independentes. Contá-las como ensaios diferentes ampliaria artificialmente a base de evidência.

Foram examinadas quatro dimensões: seleção de participantes, definição de resposta, acompanhamento e segurança. A documentação sanitária foi tratada separadamente da avaliação de eficácia. O fato de um estudo demonstrar benefício não informa, sozinho, qual indicação está aprovada em determinado país.
3. O ensaio de fase 2 e a escolha de dose
Rohrich e colaboradores compararam duas faixas de dose de onabotulinumtoxinA com placebo em estudo randomizado, duplo-cego, com acompanhamento de quatro meses. Na população modificada de intenção de tratar, com 164 participantes, a melhora de pelo menos um grau, avaliada pelo investigador no dia 14, ocorreu em 77,8% na dose baixa, 88,2% na alta e 12,0% no placebo. [1]

O estudo não foi dimensionado para demonstrar diferenças entre as duas doses ativas. Além disso, a população de segurança tinha denominadores próprios: 59 pessoas na dose baixa, 54 na alta e 56 no placebo. Houve cinco relatos de fraqueza cervical e dois de disfagia no grupo de dose alta. [1]
A interpretação deve unir benefício e dano. Um percentual numericamente maior de resposta não estabelece que uma dose seja a melhor escolha para qualquer paciente. O tamanho da amostra, a precisão da diferença e o padrão de eventos relacionados ao medicamento precisam ser avaliados conjuntamente.
Também não é correto converter o nome “dose baixa” em uma qualificação universal. Trata-se de uma categoria do desenho experimental daquele produto. O termo não autoriza usar uma quantidade equivalente de outra preparação, nem significa ausência de risco.
A observação de mais eventos em um braço pode informar o desenvolvimento clínico, mas não produz uma regra individual de probabilidade. Para a comunicação pública, o ponto central é que a escolha de dose não deve ser orientada pela ideia simplista de que mais medicamento necessariamente traz melhor resultado.
4. Estudos de fase 3: eficácia além de séries de casos
Shridharani e colaboradores publicaram um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo com seguimento de 120 dias. Na população modificada de intenção de tratar, a avaliação do investigador no dia 14 encontrou melhora de pelo menos um grau em 76,7% dos tratados e 21,2% dos controles. Quando se exigiam dois graus, os percentuais eram 41,0% e 2,2%. [2]
Esse exemplo demonstra por que um único “índice de sucesso” é insuficiente. O resultado muda quando se exige uma melhora maior. Os dois números podem estar corretos e ainda responder a perguntas diferentes. A interpretação precisa acompanhar o limiar e a população usada.
Outro ensaio de fase 3, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, utilizou um desfecho composto: atingir classificação mínima ou leve e melhorar pelo menos dois graus, com concordância das avaliações do investigador e do participante. Na população por intenção de tratar, esse resultado ocorreu em 32,3% com onabotulinumtoxinA e 1,9% com placebo no dia 14. [3]
Comparar diretamente 76,7% e 32,3% como se fossem taxas concorrentes de um mesmo fenômeno seria um erro. O segundo critério reúne exigências adicionais; além disso, o conjunto de participantes analisado não é o mesmo. A distinção deve estar presente em tabelas, figuras e respostas rápidas.
A existência de ensaios randomizados também atualiza o panorama apresentado na revisão geral de toxina botulínica. Uma seção que descreva todo o uso estético no platisma como sustentado apenas por séries de casos está incompleta diante desses estudos. Isso não significa que toda técnica aplicada no pescoço, com qualquer toxina ou combinação, recebeu a mesma validação.
Tabela 2. Exemplos de critérios de resposta
| Publicação e população | Critério no dia 14 | Tratamento | Placebo |
|---|---|---|---|
| Fase 2, mITT [1] | ≥1 grau, investigador, faixa de dose baixa | 77,8% | 12,0% |
| Fase 3, mITT [2] | ≥1 grau, investigador | 76,7% | 21,2% |
| Mesmo fase 3, mITT [2] | ≥2 graus, investigador | 41,0% | 2,2% |
| Outro fase 3, ITT [3] | Mínimo/leve e ≥2 graus, investigador e participante | 32,3% | 1,9% |

mITT: população modificada de intenção de tratar; ITT: intenção de tratar. Linhas não devem ser somadas nem usadas para classificar qual estudo teve o “melhor tratamento”. As definições não são intercambiáveis.
5. O que melhora de um grau significa — e o que não significa
Uma escala ordinal organiza a aparência em categorias. Melhorar um grau indica mudança de categoria segundo o instrumento utilizado. Não significa reduzir uma quantidade equivalente de tecido, produzir determinada porcentagem de colágeno ou rejuvenescer um número de anos.
A relevância clínica depende da magnitude, da situação inicial e do que importa ao paciente. Uma mudança discreta pode ser valorizada por algumas pessoas e insuficiente para outras. Por isso, desfechos de aparência e relatos de satisfação são complementares: medem dimensões relacionadas, mas não idênticas.
A avaliação em contração máxima também precisa permanecer visível. Ela padroniza uma condição para comparar participantes e momentos. Não é correto descrever uma resposta nessa condição como garantia de alteração equivalente em repouso ou em todos os movimentos cotidianos.
A fotografia pode ilustrar a diferença, desde que iluminação, posição e expressão sejam comparáveis. Imagens selecionadas de bons respondedores não representam a distribuição de resultados. O artigo não deve usar uma fotografia ilustrativa como substituta dos dados do conjunto.
6. Duração: acompanhamento não é promessa individual
Nos ensaios iniciais, a resposta foi examinada ao longo de aproximadamente quatro meses, com avaliação importante no dia 14. No estudo de Shridharani, as taxas permaneceram superiores às do placebo até o dia 120 e diminuíram ao longo do tempo. [2]
Esse desenho permite descrever a trajetória observada. Não autoriza prometer quatro meses de resposta idêntica para todos, nem afirmar que o efeito cessa abruptamente no último dia do estudo. O calendário de pesquisa delimita os dados disponíveis; não funciona como relógio individual do tratamento.
Também é necessário distinguir início do efeito, momento da primeira avaliação, pico observado e decisão de repetir. Se a primeira mensuração aconteceu no dia 14, não se pode usar esse fato para afirmar que nenhum benefício ocorreu antes. O que pode ser dito é que aquele foi o momento documentado para o desfecho apresentado.
Uma orientação de manutenção deve considerar evolução e avaliação profissional. O artigo científico pode explicar o comportamento dos estudos, mas não substitui uma programação individual nem sustenta uma frequência fixa apenas para preservar um resultado estético.
7. Repetição de tratamento e extensão aberta
Uma extensão de fase 3 acompanhou repetição de onabotulinumtoxinA, com até quatro tratamentos contando a fase inicial e intervalos mínimos de três meses. Os autores relataram quatro participantes com seis eventos de interesse especial: quatro eventos de disfagia e dois de paresia facial, classificados como leves. [4]

A contagem exige precisão: seis eventos não correspondem a seis pessoas. Uma pessoa pode apresentar mais de um evento. Da mesma forma, o denominador de participantes tratados em cada ciclo precisa ser conhecido antes de comparar percentuais ao longo do estudo.
A extensão foi aberta. Portanto, melhora ou aumento de resposta nos ciclos posteriores não prova, por si só, efeito cumulativo do medicamento. Seleção de quem continua, critérios para repetição e ausência de comparação simultânea com placebo podem influenciar a interpretação.
O registro NCT05134649 informa 292 participantes e um desenho de grupo único, sem mascaramento. A elegibilidade exigia concluir todas as fases do estudo inicial, incluindo o seguimento de quatro meses. Foram excluídas pessoas com condições capazes de aumentar o risco neuromuscular, como miastenia gravis, síndrome de Lambert-Eaton e esclerose lateral amiotrófica, além de gestantes e lactantes, entre outros critérios. [7]
Isso delimita o alcance da segurança observada: participantes selecionados que chegaram à extensão não representam toda a população que procura um tratamento cervical. O total registrado também não deve ser usado como denominador automático de cada ciclo ou de análises que integrem a fase inicial. A contagem precisa acompanhar a população definida para cada resultado.
Os dados acrescentam informação sobre exposição repetida, mas não transformam o procedimento em isento de risco. Uma avaliação equilibrada reconhece sua contribuição sem atribuir ao desenho aberto a mesma capacidade de controle dos ensaios randomizados iniciais.
8. Segurança precisa incluir função, não apenas aparência
No pescoço, a discussão de segurança não deve se limitar a desconforto de aplicação ou hematomas. Os ensaios documentam eventos funcionais, como fraqueza cervical, disfagia e paresia facial, em contextos específicos. [1, 4] Esses achados precisam ser apresentados de forma proporcional, sem garantia de que todos serão leves ou resolverão no mesmo prazo.
O total de eventos emergentes durante um estudo inclui ocorrências de diferentes causas. Já eventos considerados relacionados ao medicamento correspondem a outra classificação. Uma taxa global semelhante entre grupos não elimina a importância de um evento específico relacionado ao mecanismo ou à região tratada.
A ausência de diferença estatística tampouco prova equivalência de segurança. Para essa conclusão, seria necessário um desenho e uma precisão apropriados. Em estudos pequenos, eventos incomuns podem não aparecer; isso é diferente de demonstrar que não ocorrem.
A bula orienta procurar auxílio médico imediato diante de dificuldade para engolir, falar ou respirar. Esses sintomas não devem ser tratados como mero incômodo estético nem aguardar retorno por mensagem. Fraqueza incomum também exige avaliação. [5] A descrição de eventos leves nos ensaios não permite presumir que um sintoma novo terá evolução benigna.
Não se oferece aqui um esquema de aplicação, conversão entre marcas ou conduta medicamentosa para complicações. O objetivo é explicar por que seleção, conhecimento anatômico, documentação e acompanhamento fazem parte da avaliação do benefício, em vez de serem detalhes separados da eficácia.
9. Bula brasileira: a indicação está documentada
A bula profissional de BOTOX disponibilizada pelo catálogo brasileiro da AbbVie e consultada em 4 de setembro de 2026 inclui o tratamento da proeminência do músculo platisma em adultos. O documento também ressalta que as unidades de atividade não são intercambiáveis com as de outras preparações. [5]
Em 3 de agosto de 2026, a fabricante divulgou comunicado sobre a aprovação pela Anvisa. [6] Essa é a data do anúncio consultado, não a data exata do ato regulatório estabelecida por esta revisão. A distinção evita que uma notícia seja convertida em cronologia oficial sem documentação correspondente.
A indicação é específica. Ela não representa aprovação geral de todas as toxinas para todo tipo de rejuvenescimento cervical. Também não significa que a aplicação em qualquer pessoa com queixa no pescoço seja adequada.
A consulta deve utilizar a versão vigente e identificar produto, apresentação e uso pretendido. Documentos antigos podem continuar disponíveis em mecanismos de busca. Por isso, encontrar uma bula sem a indicação não demonstra que o texto atualmente disponibilizado permaneça igual.
10. Como financiamento e seleção influenciam a leitura
O estudo de Shridharani declara participação da Allergan Aesthetics/AbbVie no desenho, condução e financiamento. [2] Na extensão, a fabricante também financiou e participou da análise, interpretação e aprovação da publicação, com empregados entre os autores. [4] Essa informação não invalida automaticamente os resultados. Ela torna especialmente relevante examinar protocolo, definição de desfechos, transparência dos dados e reprodução por outros grupos.
A população estudada também delimita a aplicação. No ensaio de fase 2, a amostra foi predominantemente feminina e branca. [1] Não se deve assumir que a mesma precisão de estimativa se aplica a grupos pouco representados. A questão não é negar benefício nesses grupos, mas reconhecer a menor informação direta.
Seleção para pesquisa pode ser mais restrita do que a procura cotidiana por atendimento. Quando a pessoa tem diferentes causas de alteração cervical ou condições clínicas não representadas no estudo, a decisão precisa considerar essa distância. Uma média de ensaio não substitui o exame individual.
Da mesma forma, tratamentos combinados podem ter racional clínico sem que o conjunto tenha sido testado naquele ensaio. Se uma intervenção adicional é proposta, seus benefícios, riscos e incertezas devem ser avaliados com evidência própria, e não atribuídos ao resultado da toxina isolada.
11. O que falta saber
Como análise crítica desta revisão, permanecem perguntas sobre resultados em populações mais diversas, persistência do benefício com medidas relevantes para o paciente e segurança de exposição repetida em condições cotidianas. Comparações apropriadas também seriam necessárias para estabelecer vantagens frente a alternativas destinadas ao mesmo problema.
Essas perguntas não autorizam uma classificação geral entre toxina, tecnologias de energia e cirurgia. Muitas vezes, os alvos são diferentes. Antes de comparar tratamentos, é necessário demonstrar que estão tentando resolver a mesma queixa em pessoas comparáveis.
Relatos de satisfação publicados a partir do mesmo ensaio devem ser usados para aprofundar a interpretação, não para inflar o número de estudos. O avanço da literatura deve ser acompanhado por identificação de amostras, registros e protocolos, especialmente quando várias publicações compartilham participantes.
Uma revisão futura pode atualizar essas questões sem refazer a descrição básica da toxina para todas as áreas da face. A contribuição específica deste artigo é tornar claros o alvo muscular, a qualidade dos ensaios e o alcance da indicação cervical.
12. Perguntas Frequentes
Bandas do platisma são o mesmo que flacidez da pele?
Não são descrições equivalentes. A proeminência muscular se relaciona ao comportamento do platisma; alterações cutâneas e outros componentes podem coexistir. A identificação do componente predominante exige avaliação profissional.
A toxina substitui uma cirurgia de pescoço?
Os ensaios discutidos não demonstram equivalência à cirurgia. Estudam melhora de proeminência muscular em participantes selecionados, sem comprovar correção universal de excesso de pele ou de todas as alterações de contorno.
Por que alguns textos falam em 77% e outros em 32% de resposta?
Os números podem usar critérios e populações diferentes. Melhorar um grau é diferente de atingir um desfecho composto que exige melhora maior e concordância de duas avaliações. O percentual precisa vir acompanhado de sua definição.
Dose maior garante melhor resultado?
Não. O ensaio de fase 2 não foi dimensionado para provar superioridade entre as doses ativas e registrou eventos funcionais no grupo de maior dose. Escolha e acompanhamento devem ser individualizados.
A indicação já aparece na bula brasileira?
Sim, na bula profissional do produto BOTOX ligada pelo catálogo da AbbVie e consultada em setembro de 2026. Isso não estende a indicação automaticamente a outras preparações ou a qualquer queixa de flacidez.
A duração é igual para todas as pessoas?
Não. Os estudos descrevem resultados em determinados momentos e populações. O acompanhamento de quatro meses não é uma garantia individual de intensidade ou duração constante.
Avaliação personalizada na Clínica Talita Almeida
Av. Jandira, 295 — Moema, São Paulo. Dra. Talita Almeida (Enfermeira Esteta, COREN-SP 427.906).
Referências Científicas
- Rohrich RJ, et al. Efficacy and Safety of OnabotulinumtoxinA for the Treatment of Platysma Prominence: A Randomized Phase 2 Dose-Ranging Study. Plast Reconstr Surg. 2025;155(1):79–88; publicação eletrônica em 2024. PMC11651349 · DOI 10.1097/PRS.0000000000011472
- Shridharani SM, et al. Improving Neck and Jawline Aesthetics With OnabotulinumtoxinA by Minimizing Platysma Muscle Contraction Effects: Efficacy and Safety Results in a Phase 3 Randomized, Placebo-Controlled Study. Aesthet Surg J. 2025;45(2):194–201; publicação eletrônica em 2024. PMC11736717 · DOI 10.1093/asj/sjae220
- Fabi S, et al. Improvement of platysma prominence with onabotulinumtoxinA: Safety and efficacy results from a randomized, double-blinded, placebo-controlled phase 3 trial. J Am Acad Dermatol. 2025;92(2):285–291. DOI 10.1016/j.jaad.2024.10.027
- Mraz D, Hanke CW, Papel I, Beer K, Yoelin S, Weinkle S, et al. OnabotulinumtoxinA for Platysma Prominence: Safety and Efficacy Results from a Phase 3 Open-Label Repeat Treatment Study. Plast Reconstr Surg. 2026;158(1):78–87; publicação eletrônica em 4 dez. 2025. Registro NCT05134649. PMC13290051 · DOI 10.1097/PRS.0000000000012629
- AbbVie. BOTOX: bula para o profissional de saúde. Versão disponibilizada no catálogo brasileiro, consulta em 4 set. 2026. Fonte
- Allergan Aesthetics. BOTOX recebe aprovação da Anvisa para uso no músculo platisma. Comunicado da fabricante, 3 ago. 2026. Fonte
- AbbVie. Phase 3, Multicenter Open-label Extension Study to Evaluate the Safety of BOTOX for the Treatment of Platysma Prominence. ClinicalTrials.gov, NCT05134649 (M21-323). Registro consultado em 5 set. 2026. Fonte