o que é lipólise e todo tratamento de "lipólise" destrói gordura?
Lipólise é a quebra química dos triglicerídeos dentro do adipócito, liberando ácidos graxos e glicerol para a circulação; é um processo fisiológico, não um procedimento. A maioria das tecnologias chamadas de lipólise na estética tenta, na verdade, lesar ou eliminar adipócitos, e cada uma tem um nível de evidência diferente. Nenhuma delas é tratamento para perda de peso, e o resultado medido nos estudos costuma ser espessura de gordura ou circunferência em uma área delimitada.
- A palavra lipólise é usada na divulgação estética para nomear quase qualquer procedimento voltado à gordura localizada.
- Em fisiologia, porém, ela designa uma reação precisa: a hidrólise dos triglicerídeos armazenados no adipócito em ácidos graxos e glicerol, regulada por hormônios e executada por lipases como a ATGL e a HSL.
- Essa reação acontece todos os dias, em jejum ou exercício, sem que nenhuma célula de gordura morra.
- As tecnologias de contorno corporal, em sua maioria, propõem outra coisa: lesar ou eliminar adipócitos por frio, calor, energia mecânica ou ação detergente.
- Para outras modalidades, a evidência acessível consiste sobretudo em séries de casos sem controle.
Resumo
A palavra lipólise é usada na divulgação estética para nomear quase qualquer procedimento voltado à gordura localizada. Em fisiologia, porém, ela designa uma reação precisa: a hidrólise dos triglicerídeos armazenados no adipócito em ácidos graxos e glicerol, regulada por hormônios e executada por lipases como a ATGL e a HSL. Essa reação acontece todos os dias, em jejum ou exercício, sem que nenhuma célula de gordura morra. As tecnologias de contorno corporal, em sua maioria, propõem outra coisa: lesar ou eliminar adipócitos por frio, calor, energia mecânica ou ação detergente. Esta revisão narrativa, com busca dirigida no PubMed até 10 de outubro de 2026, separa três conceitos (lipólise, morte de adipócitos e redução de medidas) e examina, por modalidade, o mecanismo proposto, o desfecho efetivamente medido e a qualidade dos estudos encontrados. O desenho de maior qualidade identificado foi o de ensaios randomizados com placebo para o ácido desoxicólico na região submentoniana e ensaios com braço simulado para ultrassom focalizado de alta intensidade e para a combinação de radiofrequência com campo eletromagnético. Para outras modalidades, a evidência acessível consiste sobretudo em séries de casos sem controle. Redução de circunferência não equivale a perda de peso, e os estudos que dosaram lipídeos séricos não mostraram alterações relevantes nas janelas avaliadas, o que não esgota a pergunta sobre o destino da gordura liberada.
Palavras-chave: lipólise; adipócito; gordura subcutânea; criolipólise; laserlipólise; ultrassom focalizado; radiofrequência; ácido desoxicólico; campo eletromagnético; contorno corporal.
1. Três palavras que costumam ser confundidas
Quem pesquisa "o que é lipólise" encontra bioquímica, propaganda de aparelho e descrição de procedimento sob a mesma palavra, e assim fica impossível saber o que um estudo mediu e o que uma oferta promete. Três termos precisam ser separados.
Lipólise é a hidrólise dos triglicerídeos estocados na gotícula lipídica do adipócito. O produto são ácidos graxos livres e glicerol, que saem da célula e são usados por outros tecidos como fonte de energia. A célula continua viva e pode voltar a armazenar gordura. Esse processo é regulado de forma fina por hormônios e sinais locais [1, 2].
Morte ou destruição de adipócitos é um evento celular distinto. Pode ocorrer por apoptose (morte programada, com desmontagem ordenada da célula e remoção por macrófagos) ou por necrose (ruptura da membrana por lesão física ou química, com extravasamento do conteúdo). Quando um adipócito morre, os lipídeos que ele continha também precisam ser removidos, mas por vias diferentes das da lipólise fisiológica.
Redução de volume ou de medidas é o desfecho clínico observado: menor espessura da camada subcutânea em ultrassonografia ou ressonância, ou menor circunferência medida com fita. Esse desfecho pode resultar de menos células, de células menores, de redistribuição de líquido, de alteração muscular ou de variação de peso. A medida em si não informa qual mecanismo produziu a mudança.
Um aparelho vendido como "lipólise" pode ter sido estudado apenas com fita métrica, sem nenhuma medida de morte celular.
2. Método e limites desta revisão
Esta é uma revisão narrativa crítica, sem protocolo registrado e sem meta-análise própria. A busca foi dirigida, no PubMed, com termos combinando lipólise, lipases do adipócito, renovação de adipócitos, criolipólise, laserlipólise, ultrassom focalizado de alta intensidade, ultrassom focalizado não térmico, radiofrequência seletiva, ácido desoxicólico (ATX-101), campo eletromagnético focalizado de alta intensidade (HIFEM) e perfil lipídico após contorno corporal. A consulta foi encerrada em 10 de outubro de 2026.
Os registros foram escolhidos por relevância para a pergunta de cada seção, priorizando revisões sistemáticas, ensaios com controle (placebo ou simulação) e estudos que mediram lipídeos séricos. Na passada final, procuramos revisões sistemáticas e meta-análises publicadas a partir de 2018 para cada modalidade. Lemos em texto completo, por acesso aberto, as duas meta-análises de criolipólise [3, 4], a meta-análise de laserlipólise de braço [5], a meta-análise de ácido desoxicólico [6], a revisão independente de campo eletromagnético [7], o ensaio randomizado da versão combinada [8] e a série brasileira de micobactéria [9]. Para as demais referências, apenas o resumo do PubMed foi lido, e números citados delas foram conferidos nesse resumo. Não houve avaliação formal de risco de viés por ferramenta padronizada nem verificação sistemática de financiamento.
Vários trabalhos sobre aparelhos têm autores ligados a fabricantes ou usam um único equipamento comercial; isso não invalida os dados, mas limita a generalização. Exemplos: um dos ensaios de HIFU lista entre as afiliações a empresa do aparelho [10]; os estudos de lipídeos após criolipólise usaram equipamento de um único fabricante [11, 12]; os de radiofrequência sem contato [13, 14] e os de campo eletromagnético [8, 15, 16, 17, 18] avaliaram aparelhos de uma mesma empresa, e os autores do ensaio randomizado se declaram consultores dela [8]; o estudo japonês recrutou pacientes como "monitores" do aparelho [19].
Dos documentos regulatórios, consultamos apenas os resumos públicos de dois registros na FDA americana [20, 21], para verificar a indicação declarada dos aparelhos de campo eletromagnético. Para a situação sanitária de injetáveis no Brasil, remetemos ao artigo Lipoenzimática e Anvisa. Também não reavaliamos em profundidade cada modalidade, porque o periódico já tem revisões dedicadas a várias delas; o objetivo aqui é a comparação transversal de mecanismo, desfecho e qualidade.
3. Lipólise fisiológica: lipases, hormônios e localização
Os triglicerídeos do adipócito ficam em uma gotícula lipídica envolvida por proteínas, entre elas a perilipina, que controlam o acesso das enzimas ao estoque. A hidrólise ocorre em etapas. A lipase de triglicerídeos do tecido adiposo (ATGL, também chamada desnutrina) remove o primeiro ácido graxo; a lipase hormônio-sensível (HSL) atua sobretudo no diacilglicerol; uma monoacilglicerol lipase completa o processo, liberando glicerol. Até meados dos anos 2000, a HSL era tratada como a enzima limitante; a identificação da ATGL mudou esse entendimento [1].
A regulação hormonal mais conhecida é a oposição entre catecolaminas, que estimulam a lipólise, e insulina, que a inibe. Peptídeos natriuréticos e diversos fatores autócrinos e parácrinos também participam. A revisão de Lafontan e Langin destaca que idade, sítio anatômico, sexo e genótipo modificam a resposta lipolítica [1]. Essa variação regional costuma ser usada para explicar por que certas áreas parecem "resistentes" à dieta: o equilíbrio entre receptores adrenérgicos que estimulam (beta) e que inibem (alfa-2) a lipólise difere entre depósitos. A existência desses dois tipos de receptor no adipócito humano, e a participação dos alfa-2 no controle da lipólise do tecido subcutâneo in vivo, consta do resumo de outra revisão de Langin [22]; a diferença de proporção entre depósitos específicos (abdome, coxas, flancos) não está detalhada nos resumos que lemos. A explicação é fisiologicamente plausível, mas não autoriza concluir que um aparelho corrige essa diferença; nenhum dos estudos clínicos de aparelho examinados mediu atividade de receptores.
No jejum, a lipólise aumenta: a ATGL e a HSL são estimuladas, a lipase lipoproteica (que capta gordura da circulação para armazená-la) é suprimida, e ácidos graxos e glicerol são liberados para o sangue, onde servem a outros tecidos [2]. Em outras palavras, lipólise é a forma normal de o corpo usar a gordura armazenada. Ela não exige déficit energético: ocorre continuamente, também com peso estável, e parte dos ácidos graxos liberados volta a ser armazenada (reesterificada) no próprio tecido adiposo ou em outros órgãos [1, 2]. O tecido adiposo está sempre captando e liberando lipídeos; o que define se o estoque de gordura diminui é a diferença entre o que é armazenado e o que é efetivamente oxidado ao longo do tempo, e não a ocorrência de lipólise em si (a seção 4 retoma medidas dessa renovação em humanos). Por isso, aumentar a lipólise em um ponto do corpo, sem mudar esse saldo, não garante perda líquida de gordura.
Há ainda um caminho lisossomal de degradação lipídica, mediado pela lipase ácida lisossomal, que revisões recentes descrevem como distinto da via citosólica clássica. Yeh e colaboradores argumentam que o efluxo excessivo de ácidos graxos pela via citosólica desregulada está associado a dislipidemia e lipotoxicidade em contextos de obesidade [23]. O ponto relevante para a estética é conceitual: liberar ácidos graxos do tecido adiposo não é, por si, um efeito neutro ou necessariamente benéfico; o destino desses ácidos graxos importa.

4. Quantos adipócitos existem e por que eliminar alguns importa
Spalding e colaboradores estimaram a renovação de adipócitos em adultos medindo a incorporação de carbono-14 derivado de testes nucleares no DNA das células. O número de adipócitos se manteve estável na vida adulta, em pessoas magras e obesas, inclusive após perda de peso acentuada; cerca de 10% das células foram renovadas por ano, em todas as idades e faixas de índice de massa corporal avaliadas [24]. Em estudo posterior do mesmo grupo, a taxa de remoção de lipídeos do tecido adiposo diminuiu com o envelhecimento, e a perda de peso expressiva esteve ligada sobretudo à captação de lipídeos, não à remoção [25].
Daí a lógica das tecnologias de destruição de adipócitos: se o número de células tende a ser estável, eliminar uma fração em uma região poderia alterar o contorno de modo mais duradouro que apenas esvaziá-las. Há duas ressalvas. Primeiro, os estudos de Spalding e Arner tratam do tecido adiposo como um todo e não avaliaram áreas tratadas por aparelhos. Segundo, adipócitos remanescentes podem aumentar de volume se houver ganho de peso. A durabilidade de qualquer redução local depende, portanto, também do balanço energético posterior, e nenhum estudo clínico examinado garante manutenção indefinida.
5. Criolipólise: apoptose induzida pelo frio
O mecanismo proposto é que os adipócitos são mais sensíveis ao resfriamento controlado do que a pele e as estruturas vizinhas. No modelo suíno de Zelickson e colaboradores, a aplicação resultou em redução significativa da camada superficial de gordura sem dano à pele, precedida de resposta inflamatória atribuída à apoptose de adipócitos induzida pelo frio; colesterol e triglicerídeos permaneceram normais por três meses [26]. Esse estudo é animal e foi realizado com um equipamento específico; serve para sustentar o mecanismo, não para dimensionar o efeito em pessoas.
Em humanos, a revisão sistemática com meta-análise de Hakami e colaboradores (busca até novembro de 2024, protocolo registrado no PROSPERO) foi lida em texto completo. Ela reuniu 10 estudos e 285 pacientes, dos quais apenas dois eram ensaios randomizados; os demais eram coortes ou ensaios sem grupo controle, e as comparações foram feitas contra a medida basal, não contra placebo. A meta-análise relatou redução estatisticamente significativa da circunferência e da espessura de gordura em relação ao basal, com heterogeneidade muito alta (I² de 92% e 95%). Não reproduzimos as diferenças médias combinadas como tamanho de efeito: o texto completo não declara a unidade em que foram expressas, e a análise de espessura reuniu estudos medidos por ultrassonografia e estudos que relataram percentual de gordura, escalas que não se somam diretamente. Esses números indicam a direção do efeito, não sua magnitude em centímetros ou milímetros. Na análise por subgrupo, o efeito sobre a circunferência foi significativo no abdome, mas não em braços e face interna das coxas. O peso não mudou de forma significativa (p = 0,09), enquanto o índice de massa corporal caiu (p = 0,0002), efeito que só apareceu com seguimento de até três meses [3]. A discordância entre peso e IMC sugere que conjuntos diferentes de estudos entraram em cada análise, e os próprios autores reconhecem a falta de grupo comparador como limite. Uma revisão sistemática anterior, de 19 estudos, relatou no resumo redução média da camada de gordura entre 10,3% e 25,5% em ultrassonografia, sem impacto em lipídeos séricos [27]. A faixa ampla é o dado útil: protocolos, regiões e populações variam muito, e a média deve ser lida como sinal de efeito, não como previsão individual.
A segurança é o ponto em que a criolipólise tem dados mais extensos. A hiperplasia adiposa paradoxal (aumento firme e progressivo da gordura na área tratada, meses depois) foi estimada em 0,22% (IC 95% 0,10 a 0,47%), cerca de 1 em 455 pacientes, em meta-análise de 28 estudos com 13.078 pacientes, com certeza baixa da evidência e apenas quatro estudos com seguimento de pelo menos 16 semanas [4]. No texto completo, os autores lembram que a incidência descrita em 2014 era de 0,0051% e que o fabricante informou 0,025% em 2018 e 0,033% em 2021; a estimativa combinada é, portanto, várias vezes maior que as cifras divulgadas antes. Dez dos 29 casos envolveram um mesmo tipo de aplicador, mas os dados não permitiram comparar aparelhos [4]. Como a maioria dos estudos teve seguimento curto e a complicação costuma surgir meses depois, é plausível que mesmo 0,22% subestime a frequência real. Em estudo observacional japonês com seguimento de três meses, a taxa de eventos adversos transitórios caiu de 71,6% imediatamente após o procedimento para 1,3% em três meses; a dormência persistiu por cerca de três meses em parte dos pacientes [19]. A revisão de evidências do periódico sobre criolipólise detalha protocolos e comparações.
6. Laser intersticial (endolaser ou laserlipólise): calor dentro do tecido
Na laserlipólise, uma fibra óptica fina é introduzida no subcutâneo e a energia do laser é absorvida pelo tecido, gerando calor. O mecanismo proposto é a lesão térmica direta de adipócitos (necrose) e, em menor grau, o aquecimento de septos fibrosos e derme profunda, com possível retração. Comprimentos de onda como 1470 nm são escolhidos por absorção em água e lipídeos. Trata-se de procedimento minimamente invasivo, com anestesia local e punções, e não de técnica não invasiva.
A evidência acessível para gordura corporal é composta majoritariamente por séries prospectivas sem grupo controle. Leclère e colaboradores trataram 45 pacientes com flacidez e gordura de braço de graus I e II com uma sessão de laser de 1470 nm; o resumo menciona um modelo matemático anterior segundo o qual cerca de 0,1 kJ seria necessário para destruir 1 mL de gordura [28]. Em série de 22 pacientes com graus III e IV, a circunferência do braço diminuiu de 4,9 a 5,5 cm conforme o lado e o grau, mas a retração cutânea foi incompleta; a opinião média sobre o tratamento foi ruim, e apenas 9 dos 22 (41%) o recomendariam. Os autores concluíram que, nesses graus, cirurgia complementar seria necessária [29].
Esse segundo estudo é instrutivo porque mostra redução mensurável de medida com insatisfação: a circunferência não captura flacidez nem expectativa. A síntese mais recente é uma meta-análise de 2025 sobre braço, lida em texto completo, que combinou 7 estudos e publicou uma estimativa agrupada de redução de circunferência [5]. Optamos por não reproduzir essa estimativa como tamanho de efeito, por três problemas metodológicos verificados no próprio artigo. Primeiro, a unidade de análise é ambígua: a tabela registra 90 e 44 nas séries francesas cujos artigos originais descrevem 45 e 22 pacientes, o que sugere braços contados como pacientes, e o total de 199 não corresponde a 199 pessoas distintas. Segundo, o conjunto mistura técnicas diferentes: um dos sete estudos, o único randomizado, testou laser de baixa potência aplicado sobre a pele (sem fibra intersticial, com seguimento de duas semanas), e ele entra no mesmo subgrupo "sem aspiração" que as séries de fibra intersticial; o artigo não apresenta análise restrita à laserlipólise intersticial, e os dados publicados não permitem refazê-la com segurança. Terceiro, os outros seis estudos eram séries de casos ou coortes sem controle, com heterogeneidade alta (I² de 71% a 97%) e risco de viés moderado a alto segundo os próprios autores. O que a síntese sustenta, portanto, é a descrição: séries sem controle relatam reduções de alguns centímetros no braço, com satisfação menor nos graus mais avançados de flacidez. Não identificamos ensaio randomizado com braço simulado para laserlipólise intersticial de abdome. A revisão do periódico sobre endolaser de abdome reúne a literatura técnica com mais detalhe.
7. Ultrassom: focalizado de alta intensidade e ultrassom "de cavitação"
Sob o nome ultrassom estão dois mecanismos diferentes que não devem ser misturados.
O ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) corporal concentra energia em um ponto do subcutâneo, elevando a temperatura até causar necrose rápida das células na zona focal [30]. Jewell e colaboradores conduziram um ensaio randomizado com braço simulado, em adultos com gordura abdominal subcutânea de pelo menos 2,5 cm. O desfecho primário foi a mudança da circunferência da cintura na 12ª semana. Na população por intenção de tratar, a mudança média em relação ao basal foi de menos 2,44 cm no grupo de 59 J/cm² e menos 2,06 cm no de 47 J/cm². A comparação com o grupo simulado foi significativa apenas para 59 J/cm² (p = 0,01), não para 47 J/cm² (p = 0,13); esses valores em centímetros são reduções intragrupo, não diferenças líquidas contra simulação; na análise por protocolo, as duas doses foram significativas [10]. No seguimento de 24 semanas, o perfil de eventos adversos foi semelhante ao do procedimento simulado e não houve alteração clinicamente relevante de lipídeos, marcadores inflamatórios ou função hepática e renal [30]. Uma revisão sistemática de 2025, com 45 estudos de HIFU para pele e corpo, relatou no resumo reduções de circunferência corporal entre 2,5 e 4,5 cm, sem distinguir, no resumo, quantos estudos tinham controle, e apontou falta de padronização de energia e de seleção de pacientes [31]. O ensaio com braço simulado continua sendo a melhor base para dimensionar o efeito.
Não se devem transferir esses resultados para o HIFU facial ou para aparelhos de ultrassom microfocado voltados à flacidez, que usam outros parâmetros, profundidades e alvos. A revisão sobre HIFU corporal para flacidez trata justamente dessa outra pergunta.
O ultrassom focalizado não térmico (muitas vezes chamado de cavitação) propõe ruptura mecânica das membranas dos adipócitos por oscilação de microbolhas. Fonseca e colaboradores trataram mulheres saudáveis em dois esquemas de sessões e relataram redução de circunferência e de espessura de gordura em ultrassonografia, com uma biópsia de abdominoplastia mostrando adipócitos rompidos 24 horas após uma sessão [32]. Não houve grupo controle, e a histologia vem de uma única paciente. O resumo informa monitoramento de perfil lipídico e função hepática e conclui pela segurança. O desenho mais controlado que encontramos para essa tecnologia é um estudo multicêntrico com 126 participantes, em que um grupo foi sorteado para quatro semanas de espera antes de tratar; segundo o resumo, o peso ficou estável e a circunferência abdominal caiu de 2,5 a 3,5 cm na 22ª semana, com eritema leve em 28% das sessões. Um dos autores era da empresa fabricante, e o grupo de espera não permaneceu sem tratamento até o fim, o que limita a comparação [33]. Aparelhos vendidos como "lipocavitação" variam muito em potência e frequência, e o resultado de um equipamento focalizado não pode ser atribuído a aparelhos de uso estético de menor energia. O artigo do periódico sobre lipocavitação discute essa distância.
8. Radiofrequência: aquecimento do subcutâneo
A radiofrequência aquece tecidos pela resistência à passagem de corrente elétrica alternada. Para gordura, o mecanismo proposto é manter o subcutâneo em temperatura capaz de induzir apoptose de adipócitos sem lesar a pele. Um estudo histológico com radiofrequência combinada a campo eletromagnético sugere que um limiar de 43 a 45 °C seria necessário para iniciar apoptose [18]; esse dado se refere ao aparelho combinado e não pode ser estendido automaticamente a outros equipamentos de radiofrequência.
Para radiofrequência isolada sem contato, a evidência encontrada é de baixa qualidade metodológica. Suh e colaboradores trataram 12 pessoas com cinco sessões; 10 das 12 tiveram redução de circunferência abdominal, e a redução de volume de gordura foi confirmada por tomografia em um único participante [14]. Fritz e Salavastru reavaliaram 13 pacientes quatro anos após o tratamento: no estudo original, a cintura havia diminuído em média 5,88 cm com perda de 1,29 kg; após quatro anos, a redução média em relação ao início era de 4,42 cm, com ganho médio de 0,50 kg, preservando 75,2% do efeito medido pela circunferência [13]. Os números são interessantes, mas vêm de amostras pequenas, sem controle e de um subgrupo de um estudo maior.
Há também relato de hiperplasia adiposa paradoxal após radiofrequência sem contato no abdome [34], o que sugere cautela antes de supor que essa complicação seja exclusiva do frio. Um caso isolado não permite estimar frequência. A radiofrequência usada para flacidez ou para pele, com outros parâmetros, é assunto distinto; a revisão sobre profundidade térmica da radiofrequência multipolar discute essa diferença de alvo.
9. Injetáveis: ação detergente e o caso das enzimas
A formulação injetável popularizada como "lipodissolução" combinava fosfatidilcolina e desoxicolato de sódio. Rotunda e colaboradores mostraram, em culturas celulares e tecido suíno, que o desoxicolato isolado produzia perda de viabilidade, lise de membrana e desorganização do tecido adiposo e muscular semelhantes às da formulação completa e às de detergentes de laboratório. A conclusão foi que o efeito era essencialmente detergente e inespecífico, isto é, lise de qualquer membrana celular exposta, e os autores recomendaram cautela até haver dados de segurança [35]. Esse mecanismo é necrose química, não lipólise no sentido fisiológico.
O ácido desoxicólico sintético (ATX-101) foi depois testado em ensaios de fase 3 para gordura submentoniana. No REFINE-1, com 256 pacientes no grupo ativo e 250 no placebo, a melhora composta de pelo menos um grau (avaliada por clínico e paciente) ocorreu em 70,0% contra 18,6%, e a de pelo menos dois graus em 13,4% contra 0%; a proporção de respondedores na ressonância magnética foi de 46,3% contra 5,3%. Paresia do nervo marginal da mandíbula ocorreu em 4,3% dos tratados, na maioria leve e transitória [36]. No REFINE-2, com 258 por grupo, as respostas compostas de pelo menos um grau foram de 66,5% contra 22,2% [37]. No seguimento de até três anos dos respondedores, a manutenção da resposta foi de 82,4% no grupo ativo contra 65,0% no placebo [38].
Uma meta-análise brasileira de 2023, lida em texto completo, reuniu cinco ensaios randomizados contra placebo e confirmou benefício em todos os desfechos de eficácia; para a melhora de pelo menos um grau na escala do clínico com a dose de 2 mg/cm², o risco relativo foi de 2,28 (IC 95% 2,04 a 2,54). Os tratados tiveram mais fibrose, dor, eritema, dormência, edema, nódulos e parestesia. Só dois ensaios tiveram baixo risco de viés, todos tinham potencial viés de patrocínio da indústria, e a certeza da evidência foi classificada entre baixa e moderada [6].
Esses ensaios são o desenho de maior qualidade encontrado nesta revisão, mas valem para uma molécula, uma concentração, uma técnica de aplicação e uma região (submento). Não autorizam conclusões sobre abdome, flancos ou misturas manipuladas.
As chamadas enzimas lipolíticas (combinações que podem incluir lipase, hialuronidase, colagenase e outros ativos) são um caso diferente. Na busca dirigida, não encontramos ensaio clínico randomizado e controlado que tenha avaliado essas misturas para gordura localizada com desfecho objetivo. O estudo mais estruturado que localizamos é uma coorte prospectiva sem grupo controle, com 10 mulheres tratadas na região submentoniana com mistura de lipase, colagenase e hialuronidase em três sessões; segundo o resumo, 9 das 10 atingiram o desfecho coprimário de melhora de pelo menos um ponto nas escalas clínica e da paciente, e 9 das 10 tiveram redução de mais de 10% da espessura em ultrassonografia (posição neutra), com efeitos adversos locais [39]. É um sinal preliminar: amostra muito pequena, sem comparação com placebo, avaliação quatro semanas após a última sessão e restrita ao submento. O mecanismo proposto, de que uma enzima injetada aceleraria a quebra de triglicerídeos dentro de adipócitos vivos, não foi demonstrado nos estudos que encontramos. As revisões do periódico sobre enzimas para gordura localizada e sobre o enquadramento regulatório aprofundam composição, registro e uso fora de bula. Do lado da segurança, infecções por micobactérias não tuberculosas após injeções subcutâneas estéticas estão documentadas em surtos. Na Espanha, um surto de abscessos por Mycobacterium abscessus atingiu 17 de 77 pacientes tratadas com mesoterapia em uma mesma clínica; a investigação apontou como causa mais provável a contaminação de produtos em frascos multidose na fábrica, sem confirmação laboratorial [40]. No Brasil, uma série de três casos em Roraima descreveu infecção por Mycobacterium abscessus após aplicação de enzimas, com gravidade de nódulos locais a sepse [9]. O risco depende das condições de fabricação, preparo e aplicação, e não do rótulo do produto.
10. HIFEM: músculo primeiro, gordura como desfecho secundário
O campo eletromagnético focalizado de alta intensidade induz contrações musculares supramáximas. A redução de gordura relatada é atribuída, de forma hipotética, a um aumento de lipólise local e a efeitos metabólicos da contração intensa; nas versões combinadas, a radiofrequência acrescenta aquecimento do subcutâneo.
A revisão sistemática de Kohan e colaboradores incluiu 15 estudos clínicos (11 com o aparelho apenas eletromagnético e 2 com a versão combinada, segundo o resumo). Para o abdome, a redução média de espessura de gordura foi de 5,5 mm e o aumento de espessura muscular de 2 mm. Nenhum estudo relatou mudança de peso antes e depois, dois estudos mostraram benefício marginal ou nulo, e os autores apontaram falhas no relato de dados ausentes e características dos participantes [17]. Estudos individuais sem controle relataram, em dez mulheres no pós-parto, redução de 20,2% da espessura de gordura aos três meses na ressonância [16] e, em 21 pacientes reavaliados cerca de um ano depois, redução de 14,63% (2,97 mm) [15]. Uma segunda revisão sistemática, independente, chegou a números parecidos (5,5 mm de gordura, 2,2 mm de músculo), com leitura mais dura: dos 14 estudos, nenhum tinha grupo controle verdadeiro e só um usou braço simulado; quase todos foram assinados por consultores do fabricante; as reduções aparecem logo após as sessões, quando edema muscular pós-esforço é uma explicação concorrente; e, no estudo por tomografia, a gordura também diminuiu nos flancos não tratados. O autor classificou a evidência de eficácia como frágil e os efeitos como muito pequenos (menos de 5 mm) [7].
O registro na FDA americana reforça a distinção: o aparelho apenas eletromagnético foi liberado para tonificação muscular de abdome, glúteos e coxas, sem indicação de redução de gordura [21]; a indicação de "lipólise não invasiva" do abdome aparece só na versão com radiofrequência, por equivalência a um aparelho de radiofrequência anterior [20]. Liberação por equivalência não demonstra eficácia, mas desaconselha atribuir ao aparelho isolado um efeito que nem o registro reivindica.
Para a versão combinada, há um ensaio randomizado com braço simulado: 72 pacientes (48 ativos e 24 simulados), com redução intragrupo de 28,3% (7,6 mm) da espessura de gordura aos três meses na ultrassonografia, sem mudança significativa no grupo simulado [8]. O texto completo informa, porém, que apenas 40 dos 48 ativos e 16 dos 24 simulados foram avaliados aos três meses; aos seis meses, restavam 21 e 7, respectivamente. A perda de participantes limita especialmente a conclusão de durabilidade. No estudo histológico de Goldberg, com nove participantes (seis ativos e três simulados), o índice apoptótico de adipócitos chegou a 47,01% oito horas após a aplicação no grupo ativo [18]. No texto completo do ensaio, simples-cego e registrado (NCT04587986), os três autores se declaram consultores do fabricante, e a revisão independente notou redução também fora da área tratada nas fotografias publicadas [7]. São dados de amostras pequenas e de uma só empresa; o efeito do aparelho combinado não deve ser atribuído ao aparelho apenas eletromagnético. O periódico tem revisão específica sobre HIFEM e eletroestimulação.
11. Tabela comparativa: mecanismo, desfecho medido e qualidade da evidência
Tabela 1. Modalidades, mecanismo proposto, desfecho e melhor desenho encontrado nesta busca
| Modalidade | Mecanismo proposto | Desfecho principal medido | Melhor desenho encontrado | Observação crítica |
|---|---|---|---|---|
| Criolipólise | Apoptose de adipócitos por resfriamento | Circunferência e espessura de gordura | Meta-análises: 10 estudos, só 2 ECR, comparação com o basal [3]; revisão de 19 estudos [27]; segurança em meta-análise de 28 estudos [4] | I² de 92% a 95%; unidades das diferenças combinadas não informadas e escalas misturadas; sem efeito estatisticamente significativo em braços e coxas; hiperplasia paradoxal 0,22% com certeza baixa |
| Laser intersticial (1470 nm) | Necrose térmica e aquecimento de septos | Circunferência, satisfação | Séries prospectivas sem controle [28, 29]; meta-análise de braço com unidade de análise ambígua e estudo de laser externo incluído [5] | Estimativa agrupada não reproduzida (ver seção 6); minimamente invasivo; retração incompleta em graus avançados |
| HIFU corporal | Necrose térmica focal | Circunferência da cintura em 12 semanas | ECR com braço simulado [10, 30]; revisão sistemática de estudos mistos [31] | Redução basal de cerca de 2 cm; não é diferença líquida contra simulação; dose menor sem significância por intenção de tratar |
| Ultrassom focalizado não térmico | Ruptura mecânica de membranas | Circunferência, espessura | Estudo randomizado com controle de espera de 4 semanas [33]; série sem controle e histologia de 1 paciente [32] | 2,5 a 3,5 cm; autor ligado ao fabricante; não transferir para aparelhos de menor energia |
| Radiofrequência sem contato | Apoptose por aquecimento do subcutâneo | Circunferência | Séries pequenas sem controle [13, 14] | Relato de hiperplasia paradoxal [34] |
| Ácido desoxicólico (ATX-101) | Lise detergente (necrose química) | Escala clínica e ressonância, submento | ECR de fase 3 com placebo [36, 37]; meta-análise de 5 ECR [6] | Certeza baixa a moderada; todos com potencial viés de patrocínio; válido só para submento e essa molécula |
| Enzimas lipolíticas | Quebra enzimática proposta | Escalas clínicas e ultrassom, submento | Nenhum ECR encontrado; coorte sem controle de 10 pacientes [39] | Mecanismo não demonstrado; surtos de micobactéria em injetáveis [9, 40] |
| HIFEM (isolado) | Contração muscular intensa; efeito sobre gordura hipotético | Espessura muscular e de gordura | Duas revisões sistemáticas de estudos sem controle [7, 17] | Cerca de 5 mm; edema como explicação concorrente; registro na FDA só para tonificação muscular [21] |
| HIFEM com radiofrequência | Contração mais aquecimento | Espessura em ultrassom; apoptose | ECR com braço simulado [8]; histologia [18] | Dados de um fabricante; amostras pequenas |
ECR: ensaio clínico randomizado. A coluna "melhor desenho" descreve apenas o que esta busca dirigida identificou; não exclui a existência de outros estudos.

12. Redução de circunferência não é perda de peso
Em quase todos os estudos examinados, o desfecho foi local: onde o peso foi relatado, não mudou de forma relevante [3, 33], e a revisão de HIFEM não achou estudo que relatasse variação de peso [17]; na série de radiofrequência reavaliada após quatro anos, a manutenção da cintura foi independente da variação de peso [13]. A revisão narrativa de Alizadeh e colaboradores descreveu efeitos de leves a moderados, como 2 a 4 cm de circunferência ao longo de todas as sessões, e a dificuldade de comparar técnicas com métodos tão diferentes [41].
Alguns centímetros em uma região podem mudar o contorno, mas não são emagrecimento nem substituem tratamento de excesso de peso. Há ainda o problema da medida: circunferência é uma medida sensível a postura, respiração, hidratação, horário e técnica do avaliador. Estudos sem cegamento do avaliador e sem grupo controle tendem a superestimar efeitos pequenos. Medidas por imagem (ultrassonografia, ressonância) são mais objetivas, mas também dependem de padronização do ponto medido.

13. Para onde vai a gordura liberada
Na lipólise fisiológica, ácidos graxos e glicerol entram na circulação e são oxidados por músculo, fígado e outros tecidos ou reesterificados; o glicerol pode ser usado pelo fígado [2]. Quando o adipócito morre por apoptose, o conteúdo lipídico é englobado progressivamente por macrófagos, o que explica a fase inflamatória descrita no modelo animal de criolipólise [26]. Na necrose térmica ou química, o lipídeo extravasado também é removido por resposta inflamatória local, com edema e, por vezes, nódulos transitórios.

A preocupação prática é se a mobilização de gordura de uma área tratada poderia elevar lipídeos no sangue ou sobrecarregar o fígado. Os estudos que mediram isso diretamente não encontraram alterações relevantes nas janelas avaliadas. Após criolipólise de flancos em 40 pacientes, não houve mudança significativa de lipídeos séricos ou testes hepáticos em 12 semanas [11]; o mesmo foi observado em 35 pacientes tratados em abdome e flancos no mesmo dia [12]. No ensaio de HIFU corporal com braço simulado, também não houve alteração clinicamente relevante de lipídeos ou função hepática em 24 semanas [30].
Esses resultados valem para volumes tratados moderados, pessoas saudáveis e aparelhos específicos, frequentemente com participação de fabricantes. Não encontramos estudos equivalentes, com dosagem seriada de lipídeos, para misturas enzimáticas injetáveis ou para grandes volumes de laserlipólise em sessão única. A ausência de alteração média também não exclui variação individual em pessoas com dislipidemia, doença hepática ou metabólica, que costumam ser excluídas dos ensaios.
Tabela 2. Estudos que mediram lipídeos séricos ou função hepática após procedimentos de redução de gordura
| Estudo | Modalidade | Participantes | Janela | Resultado no resumo |
|---|---|---|---|---|
| Zelickson et al., 2009 [26] | Criolipólise | Suínos (modelo animal) | 3 meses | Colesterol e triglicerídeos normais |
| Klein et al., 2009 [11] | Criolipólise de flancos | 40 adultos | 12 semanas | Sem mudança relevante de lipídeos e testes hepáticos |
| Klein et al., 2017 [12] | Criolipólise de abdome e flancos no mesmo dia | 35 adultos | 12 semanas | Sem mudança clinicamente relevante de lipídeos e testes hepáticos |
| Jewell et al., 2012 [30] | HIFU corporal (ECR com simulação) | Adultos com gordura de pelo menos 2,5 cm | 24 semanas | Sem mudança clinicamente relevante de lipídeos, inflamação, função renal ou hepática |
| Fonseca et al., 2018 [32] | Ultrassom focalizado não térmico | Mulheres saudáveis, sem controle | Durante o protocolo | Monitoramento relatado; conclusão de segurança pelos autores |
14. Segurança, contraindicações e quem não deveria ser tratado sem avaliação
Cada modalidade tem riscos próprios. Na criolipólise, os eventos transitórios (dor, edema, dormência) são comuns, e a hiperplasia adiposa paradoxal, embora rara, pode exigir correção cirúrgica [4, 19]. No ácido desoxicólico, dor, edema e hematoma no local são esperados, e a paresia do nervo marginal da mandíbula foi relatada [36]. Laser intersticial e outros procedimentos com punção trazem riscos de queimadura, infecção, irregularidade de contorno e alteração de sensibilidade. Para radiofrequência e campo eletromagnético, restrições como marca-passo e outros dispositivos eletrônicos implantados, implantes metálicos na área tratada e gestação aparecem com frequência em materiais de divulgação e termos de consentimento, mas não conseguimos abrir a instrução de uso oficial de nenhum aparelho específico, e por isso não as atribuímos a um fabricante nem as listamos como contraindicações estabelecidas. Elas variam de um equipamento para outro, conforme tipo de energia, aplicador e região, e a lista válida é a da instrução de uso do aparelho efetivamente empregado. Procuramos diretriz ou consenso publicado que as sistematizasse e não encontramos; os resumos públicos dos registros na FDA que consultamos tratam de indicação e equivalência, não de contraindicações [20, 21], e os ensaios citados não foram desenhados para estudar essas populações. Para criolipólise, a meta-análise de Hakami lista como contraindicações fenômeno de Raynaud, crioglobulinemia, urticária ao frio e varizes graves agravadas pelo frio [3].
Algumas situações pedem avaliação médica antes de qualquer procedimento voltado à gordura: obesidade com indicação de tratamento clínico, doenças hepáticas ou dislipidemias graves, hérnias na área, distúrbios de coagulação, doenças desencadeadas pelo frio, no caso da criolipólise, gestação e lactação, infecção ativa na pele. A avaliação individual presencial também deve distinguir gordura subcutânea de flacidez, diástase abdominal e gordura visceral, que nenhuma dessas tecnologias trata.
A escolha de qualquer abordagem depende de exame presencial, histórico clínico e expectativa realista, e a mesma pessoa pode não ter indicação para nenhuma delas. Este texto não recomenda modalidade específica.
15. Quatro perguntas para ler uma promessa de "lipólise"
As seções anteriores podem ser resumidas em quatro perguntas. Qual mecanismo está sendo alegado: lipólise fisiológica, apoptose ou necrose? O que foi medido: fita, ultrassonografia, ressonância ou só fotografia e satisfação? Havia comparação com placebo, braço simulado ou lado não tratado? E o estudo é do mesmo aparelho, produto e região? Resultado de submento não vale para abdome, nem o de um equipamento focalizado para outro de menor energia, nem o de radiofrequência combinada para radiofrequência isolada. Quando falta comparação e ninguém sabe dizer de qual aparelho vieram os dados, a promessa está à frente da evidência.
16. Lacunas da literatura
Faltam ensaios independentes, com braço simulado, avaliador cego e seguimento acima de seis meses para laserlipólise, ultrassom focalizado não térmico e radiofrequência isolada. Faltam comparações diretas entre modalidades com o mesmo desfecho objetivo. Faltam estudos controlados de enzimas lipolíticas com composição definida e desfecho por imagem (o único com imagem que encontramos não tinha grupo controle [39]). Faltam dados de lipídeos e função hepática para injetáveis manipulados e para sessões de grande volume. Por fim, a independência dos estudos mecanísticos em humanos (biópsia, marcadores de apoptose) precisa ser melhor estabelecida: esta revisão não verificou sistematicamente financiamento, portanto não sustenta afirmar que todos estejam ligados a fabricantes. Até que essas lacunas sejam preenchidas, a descrição honesta é de efeitos locais modestos, variáveis entre pessoas e dependentes do aparelho, com graus muito diferentes de certeza.
17. Transparência
Este manuscrito é uma revisão narrativa preparada para os Cadernos de Estética Avançada. A autoria não declara conflito de interesse financeiro com fabricantes dos aparelhos ou produtos citados. A revisão médica humana foi realizada por Alessandro Borges Alla (CRM-SP 118.136) em 10 de outubro de 2026 e está registrada no registro editorial do Fascículo 12. O revisor médico é sócio da Clínica Talita Almeida Estética Avançada, vínculo que se declara como possível interesse. O texto não oferece um serviço, não recomenda uma modalidade específica e não substitui avaliação clínica individual e presencial. Números foram conferidos nos resumos disponíveis no PubMed; quando o texto completo não foi lido, isso está indicado no método.
18. Perguntas Frequentes
Lipólise é a mesma coisa que queimar gordura?
Em parte. Lipólise é a quebra dos triglicerídeos dentro do adipócito; a "queima" propriamente dita é a oxidação dos ácidos graxos liberados, que ocorre em músculo, fígado e outros tecidos. A lipólise acontece todos os dias, mesmo com peso estável, e parte dos ácidos graxos liberados é armazenada de novo. A perda líquida de gordura depende do saldo entre armazenamento e oxidação no corpo inteiro, não apenas de haver lipólise.
Os aparelhos de "lipólise" fazem lipólise?
Na maioria dos casos, o mecanismo proposto é outro: morte de adipócitos por frio, calor, energia mecânica ou ação química. O termo é usado comercialmente de forma ampla. O campo eletromagnético é a modalidade em que um aumento de lipólise é mais citado como hipótese, mas não foi demonstrado de forma direta nos estudos lidos.
Esses tratamentos fazem emagrecer?
Não. Os estudos medem redução local de espessura ou circunferência, e os que avaliaram peso não encontraram mudança relevante. Excesso de peso e obesidade têm abordagem clínica própria.
A gordura destruída pode sobrecarregar o fígado ou aumentar o colesterol?
Os estudos que dosaram lipídeos e testes hepáticos após criolipólise e HIFU corporal não encontraram alterações relevantes em até 12 ou 24 semanas. Faltam dados equivalentes para injetáveis manipulados e para pessoas com doença hepática ou dislipidemia, que costumam ser excluídas.
Que tipo de estudo existe para cada modalidade?
Não há comparação direta entre modalidades, e quantidade de estudos, eficácia e segurança não se ordenam numa escala única; por isso, a pergunta é melhor respondida descrevendo o tipo de estudo disponível para cada uma. Há ensaios randomizados de fase 3 contra placebo para o ácido desoxicólico, mas apenas na gordura submentoniana. Há ensaios com braço simulado, cada um com um único aparelho, para o HIFU corporal no abdome e para a combinação de radiofrequência com campo eletromagnético, este último com perdas relevantes de seguimento. A criolipólise tem o maior volume de estudos e os dados de segurança mais extensos, mas as meta-análises de eficácia reúnem principalmente estudos sem grupo controle. O ultrassom focalizado não térmico tem um estudo com grupo sorteado para espera de apenas quatro semanas. Laserlipólise intersticial, radiofrequência isolada, campo eletromagnético isolado e enzimas dependem sobretudo de séries sem controle. Nenhum desses desenhos significa indicação para todas as pessoas nem resultado garantido.
O resultado é permanente?
Os estudos com seguimento longo são poucos e pequenos. Se adipócitos foram eliminados, a redução pode ser duradoura, mas as células restantes podem aumentar com ganho de peso. Nenhum estudo examinado garante manutenção indefinida.
Enzimas injetáveis são uma forma de lipólise comprovada?
Não encontramos ensaio clínico randomizado e controlado que tenha demonstrado efeito de misturas enzimáticas sobre gordura localizada com desfecho objetivo. Há uma coorte pequena, sem grupo controle, na região submentoniana, o que é insuficiente para afirmar eficácia. O mecanismo proposto não foi demonstrado nos estudos encontrados.
Avaliação personalizada na Clínica Talita Almeida
Av. Jandira, 295, Moema, São Paulo. Dra. Talita Almeida (Enfermeira Esteta, COREN-SP 427.906).
Referências Científicas
- Lafontan M, Langin D. Lipolysis and lipid mobilization in human adipose tissue. Prog Lipid Res. 2009;48(5):275-297. PMID 19464318 · DOI 10.1016/j.plipres.2009.05.001
- Ruppert PMM, Kersten S. Regulation of Adipose Tissue Metabolism During Fasting. Annu Rev Nutr. 2025;45(1):41-64. PMID 40327532 · DOI 10.1146/annurev-nutr-120524-013857
- Hakami A, Hakami A, Alghamdi R, Alzahrani H, Alghamdi A, Qureshey A, Almail Y, Alfaqiri M, Alsofiani M, Hariri L, Alrashed H, Aldumkh S. Effectiveness of Cryolipolysis in Body Contouring and Fat Reduction: A Systematic Review and Meta-analysis. World J Plast Surg. 2025;14(3):16-26. PMID 41607567 · DOI 10.61882/wjps.14.3.16
- Mah AE, Razeghi P, Li C, Datta S, Tao BK, Ahmad J, Austin RE. Incidence of Paradoxical Adipose Hyperplasia After Cryolipolysis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J Open Forum. 2025;7:ojaf142. PMID 41322038 · DOI 10.1093/asjof/ojaf142
- Wong ZY, Murugan V, Wong ZN, Danpanichkul P, Faderani R, Kanapathy M, Mosahebi A. Impact of Laser Lipolysis With and Without Liposuction on Arm Circumference: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J Open Forum. 2025;7:ojaf097. PMID 40927670 · DOI 10.1093/asjof/ojaf097
- Inocêncio GSG, Meneses-Santos D, Costa MDMA, Vieira WA, de Almeida VL, Rodrigues RPCB, Rode SM, Paranhos LR. Efficacy, safety, and potential industry bias in using deoxycholic acid for submental fat reduction: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Clinics (Sao Paulo). 2023;78:100220. PMID 37806137 · DOI 10.1016/j.clinsp.2023.100220
- Swanson E. A Systematic Review of Electromagnetic Treatments for Body Contouring. Ann Plast Surg. 2023;90(2):180-188. PMID 36688862 · DOI 10.1097/SAP.0000000000003387
- Samuels JB, Katz B, Weiss RA. Radiofrequency Heating and High-Intensity Focused Electromagnetic Treatment Delivered Simultaneously: The First Sham-Controlled Randomized Trial. Plast Reconstr Surg. 2022;149(5):893e-900e. PMID 35259147 · DOI 10.1097/PRS.0000000000009030
- Carbonell RCC, Oliveira LLF, Galan LEB, Filardi ETM, Lins ABM, Nattrodt JJM, Dantas DSM, Bernardi ACA, Cerni FA, Pucca MB. Beauty's Betrayal: Mycobacterium abscessus Case Series Following Aesthetic Procedures in the Brazilian Amazon. Infect Dis Rep. 2024;16(4):724-734. PMID 39195006 · DOI 10.3390/idr16040055
- Jewell ML, Baxter RA, Cox SE, Donofrio LM, Dover JS, Glogau RG, Kane MA, Weiss RA, Martin P, Schlessinger J. Randomized sham-controlled trial to evaluate the safety and effectiveness of a high-intensity focused ultrasound device for noninvasive body sculpting. Plast Reconstr Surg. 2011;128(1):253-262. PMID 21701341 · DOI 10.1097/PRS.0b013e3182174278
- Klein KB, Zelickson B, Riopelle JG, Okamoto E, Bachelor EP, Harry RS, Preciado JA. Non-invasive cryolipolysis for subcutaneous fat reduction does not affect serum lipid levels or liver function tests. Lasers Surg Med. 2009;41(10):785-790. PMID 20014252 · DOI 10.1002/lsm.20850
- Klein KB, Bachelor EP, Becker EV, Bowes LE. Multiple same day cryolipolysis treatments for the reduction of subcutaneous fat are safe and do not affect serum lipid levels or liver function tests. Lasers Surg Med. 2017;49(7):640-644. PMID 28464272 · DOI 10.1002/lsm.22674
- Fritz K, Salavastru C. Long-term follow-up on patients treated for abdominal fat using a selective contactless radiofrequency device. J Cosmet Dermatol. 2017;16(4):471-475. PMID 28940691 · DOI 10.1111/jocd.12429
- Suh DH, Kim CM, Lee SJ, Kim H, Yeom SK, Ryu HJ. Safety and efficacy of a non-contact radiofrequency device for body contouring in Asians. J Cosmet Laser Ther. 2017;19(2):89-92. PMID 27834494 · DOI 10.1080/14764172.2016.1256486
- Kinney BM, Kent DE. MRI and CT Assessment of Abdominal Tissue Composition in Patients After High-Intensity Focused Electromagnetic Therapy Treatments: One-Year Follow-Up. Aesthet Surg J. 2020;40(12):NP686-NP693. PMID 32103232 · DOI 10.1093/asj/sjaa052
- Jacob CI, Rank B. Abdominal Remodeling in Postpartum Women by Using a High-intensity Focused Electromagnetic (HIFEM) Procedure: An Investigational Magnetic Resonance Imaging (MRI) Pilot Study. J Clin Aesthet Dermatol. 2020;13(9 Suppl 1):S16-S20. PMID 33349789
- Kohan J, Vyas K, Erotocritou M, Khajuria A, Tehrani K. High-Intensity Focused Electromagnetic (HIFEM) Energy With and Without Radiofrequency for Noninvasive Body Contouring: A Systematic Review. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(6):1156-1165 (publicação eletrônica em 2023). PMID 37957393 · DOI 10.1007/s00266-023-03730-3
- Goldberg DJ. Induction of fat apoptosis by a combination of synchronized radiofrequency and HIFEM technology: Human histology study. J Cosmet Dermatol. 2024;23(3):812-817. PMID 38279191 · DOI 10.1111/jocd.16197
- Nishikawa A, Aikawa Y, Kono T. Adverse Events Associated with Cryolipolysis Treatment for Body Contouring: A Prospective Observational Study with 3-Month Follow-Up. Plast Reconstr Surg. 2026;157(4):532e-540e (publicação eletrônica em 26 ago. 2025). PMID 40875252 · DOI 10.1097/PRS.0000000000012406
- U.S. Food and Drug Administration. 510(k) summary K192224, BTL-899 (BTL Industries). Decisão de 5 dez. 2019. Fonte
- U.S. Food and Drug Administration. 510(k) summary K180813, BTL 799-2 (BTL Industries). Decisão de 14 jun. 2018. Fonte
- Langin D. Adipose tissue lipolysis as a metabolic pathway to define pharmacological strategies against obesity and the metabolic syndrome. Pharmacol Res. 2006;53(6):482-491. PMID 16644234 · DOI 10.1016/j.phrs.2006.03.009
- Yeh YS, Huang J, Liu Z, Cosme C, Zhang X, Razani B. Cytosolic Versus Lysosomal Lipolysis in Adipose Tissue: Opposing Roles in Cardiometabolic Disease. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2026;46(2):e323273 (publicação eletrônica em 23 dez. 2025). PMID 41431923 · DOI 10.1161/ATVBAHA.125.323273
- Spalding KL, Arner E, Westermark PO, Bernard S, Buchholz BA, Bergmann O, Blomqvist L, Hoffstedt J, Näslund E, Britton T, Concha H, Hassan M, Rydén M, Frisén J, Arner P. Dynamics of fat cell turnover in humans. Nature. 2008;453(7196):783-787. PMID 18454136 · DOI 10.1038/nature06902
- Arner P, Bernard S, Appelsved L, Fu KY, Andersson DP, Salehpour M, Thorell A, Rydén M, Spalding KL. Adipose lipid turnover and long-term changes in body weight. Nat Med. 2019;25(9):1385-1389. PMID 31501613 · DOI 10.1038/s41591-019-0565-5
- Zelickson B, Egbert BM, Preciado J, Allison J, Springer K, Rhoades RW, Manstein D. Cryolipolysis for noninvasive fat cell destruction: initial results from a pig model. Dermatol Surg. 2009;35(10):1462-1470. PMID 19614940 · DOI 10.1111/j.1524-4725.2009.01259.x
- Ingargiola MJ, Motakef S, Chung MT, Vasconez HC, Sasaki GH. Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms. Plast Reconstr Surg. 2015;135(6):1581-1590. PMID 26017594 · DOI 10.1097/PRS.0000000000001236
- Leclère FM, Alcolea JM, Vogt P, Moreno-Moraga J, Mordon S, Casoli V, Trelles MA. Laser-assisted lipolysis for arm contouring in Teimourian grades I and II: a prospective study of 45 patients. Lasers Med Sci. 2015;30(3):1053-1059. PMID 25596934 · DOI 10.1007/s10103-014-1705-2
- Leclère FM, Alcolea JM, Vogt PM, Moreno-Moraga J, Casoli V, Mordon S, Trelles MA. Laser-assisted lipolysis for arm contouring in Teimourian grades III and IV: A prospective study involving 22 patients. Plast Surg (Oakv). 2016;24(1):35-40. PMC4806755. PMID 27054137 · PMC4806755
- Jewell ML, Weiss RA, Baxter RA, Cox SE, Dover JS, Donofrio LM, Glogau RG, Kane MC, Martin P, Lawrence ID, Schlessinger J. Safety and tolerability of high-intensity focused ultrasonography for noninvasive body sculpting: 24-week data from a randomized, sham-controlled study. Aesthet Surg J. 2012;32(7):868-876. PMID 22942114 · DOI 10.1177/1090820X12455190
- Haykal D, Sattler S, Verner I, Madhumita M, Cartier H. A Systematic Review of High-Intensity Focused Ultrasound in Skin Tightening and Body Contouring. Aesthet Surg J. 2025;45(7):690-698. PMID 40184185 · DOI 10.1093/asj/sjaf053
- Fonseca VM, Campos PS, Certo TF, de-Faria LT, Juliano PB, Cintra DE, Liebano RE, da Silva C, Guidi RM, Sant'Ana E. Efficacy and safety of noninvasive focused ultrasound for treatment of subcutaneous adiposity in healthy women. J Cosmet Laser Ther. 2018;20(6):341-350. PMID 30285509 · DOI 10.1080/14764172.2018.1511907
- Coleman WP 3rd, Coleman W 4th, Weiss RA, Kenkel JM, Ad-El DD, Amir R. A Multicenter Controlled Study to Evaluate Multiple Treatments With Nonthermal Focused Ultrasound for Noninvasive Fat Reduction. Dermatol Surg. 2017;43(1):50-57. PMID 28009680 · DOI 10.1097/DSS.0000000000000918
- Agochukwu-Nwubah N, Mentz H. Paradoxical adipose hyperplasia after noninvasive radiofrequency treatment: A novel report and review. J Cosmet Dermatol. 2020;19(4):866-868 (publicação eletrônica em 2019). PMID 31376204 · DOI 10.1111/jocd.13090
- Rotunda AM, Suzuki H, Moy RL, Kolodney MS. Detergent effects of sodium deoxycholate are a major feature of an injectable phosphatidylcholine formulation used for localized fat dissolution. Dermatol Surg. 2004;30(7):1001-1008. PMID 15209790 · DOI 10.1111/j.1524-4725.2004.30305.x
- Jones DH, Carruthers J, Joseph JH, Callender VD, Walker P, Lee DR, Subramanian M, Lizzul PF, Gross TM, Beddingfield FC. REFINE-1, a Multicenter, Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled, Phase 3 Trial With ATX-101, an Injectable Drug for Submental Fat Reduction. Dermatol Surg. 2016;42(1):38-49. PMID 26673433 · DOI 10.1097/DSS.0000000000000578
- Humphrey S, Sykes J, Kantor J, Bertucci V, Walker P, Lee DR, Lizzul PF, Gross TM, Beddingfield FC. ATX-101 for reduction of submental fat: A phase III randomized controlled trial. J Am Acad Dermatol. 2016;75(4):788-797.e7. PMID 27430612 · DOI 10.1016/j.jaad.2016.04.028
- Humphrey S, Cohen JL, Bhatia AC, Green LJ, Green JB, Bowen B. Improvements in Submental Contour up to 3 Years After ATX-101: Efficacy and Safety Follow-Up of the Phase 3 REFINE Trials. Aesthet Surg J. 2021;41(11):NP1532-NP1539. PMID 33617632 · DOI 10.1093/asj/sjab100
- Jabbour R, Farah F, Mallat F, Saad E, Semaan K, Haber R, Helou J. Efficacy and safety of the enzymatic mixture - Lipase, collagenase and hyaluronidase - In the treatment of moderate to severe submental fat: A prospective cohort study. Heliyon. 2024;10(4):e25759. PMID 38375282 · DOI 10.1016/j.heliyon.2024.e25759
- Galmés-Truyols A, Giménez-Duran J, Bosch-Isabel C, Nicolau-Riutort A, Vanrell-Berga J, Portell-Arbona M, Seguí-Prat B, Gumá-Torá M, Martí-Alomar I, Rojo-Arias MÁ, Ruiz-Veramendi M. An outbreak of cutaneous infection due to Mycobacterium abscessus associated to mesotherapy. Enferm Infecc Microbiol Clin. 2011;29(7):510-514. PMID 21684045 · DOI 10.1016/j.eimc.2011.03.006
- Alizadeh Z, Halabchi F, Mazaheri R, Abolhasani M, Tabesh M. Review of the Mechanisms and Effects of Noninvasive Body Contouring Devices on Cellulite and Subcutaneous Fat. Int J Endocrinol Metab. 2016;14(4):e36727. PMID 28123436 · DOI 10.5812/ijem.36727